Brasileiro não lê
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Dizer que o brasileiro não lê pode parecer insolência de quem quer ser do contra, afinal todos os anos as editoras vendem milhares de livros… aos governos.
Bienais e feiras tentam mostrar que o brasileiro é um ser culto, comprador de livros por mais que os gringos dizem não vê ninguém com livros nos aeroportos brasileiros.
Hoje tive uma discussão com um amigo que afirmava que o americano é um povo inculto e imbecil. Imbecil de nada posso falar, mas inculto comparável com o brasileiro (já que é o único padrão que tenho de comparação) acho complicado tal afirmação. Digo isso porque o acervo na lingua inglesa de livros não encontrados em portugues é uma coisa estúpida, tamanha a diferença de disponibilização.
Agora a tarde tive o desprazer de procurar por obras de figuras clássicas como Plutarco e Xenofonte e vejo na prática como o brasileiro é um povo que não lê, o melhor índice que poderíamos obter para saber se um povo se instrui, é saber quantos livros diferentes tem em suas bibliotecas, já que a demanda provoca a oferta.
Quase nada se encontra fora do básico cobrado em vestibular, Aristóteles é fácil achar, mas Xenofonte é um tremendo vazio, tente encontrar a obra principal desse último, o ISBN no amazon é 1425000665, vi que não há tradução dessa versão. Não achei outra compilação em nenhuma livraria local, e em nenhum portal das grandes livrarias que possuem e-commerce. Talves ache no centro, naqueles sebos que bem conheço, o problema é encontrar um tempo para sair das rotas tradicionais.
O problema do Brasil é ainda maior no campo de pesquisa e inovação, o que encontramos é tradução, não obras originais. Precisamos de autores que chafurdam sobre um determinado assunto ou autor e produzem uma obra pelo menos legível sem cair no sono, estamos precisando de cultura, se as universidades públicas fizessem livros ao invés de greves seria melhor, das privadas nesse país não espero nada já que o modelo é de balcão de vendas de diplomas.
Como compro livros para disponibilizar para a família toda, estou pensando seriamente em pagar um curso de inglês aos entes queridos para que possam conseguir leitura de certas obras.
6 Responses to “Brasileiro não lê”
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Marcus Says:
June 11th, 2007 at 3:34 pmSim, o mercado livreiro norte-americano é imenso, muito maior e mais diversificado que o brasileiro.
Mas isso não é necessariamente sinônimo de um povo mais culto. Quer dizer apenas que tem mais gente com dinheiro pra comprar livros, e portanto mais incentivos para as editoras os publicarem.
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Mário Aragão Says:
July 2nd, 2007 at 12:32 pmÉ, o poder de compra do brasileiro é de lascar sim, mas ainda assim não há uma cultura à leitura por aqui. Acho que as futuras gerações, como a do teu filhote, terão mais sorte.
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vivian Says:
December 12th, 2008 at 1:48 pmDizer que o brasileiro não lê porque o livro é caro já saiu de moda. Visitem as bibliotecas de algmas escolas públicas do Estado de São Paulo (é claro que existem as exceções) e verão bibliotecas de deixar qualquer ávido leitor de queixo aberto. Há várias bibliotecas em escolas públicas do Estado de São Paulo que dispõem de livros de editoras como: Cosac & Naify, Companhia das LEtras, dentre outras e sabe o que é feito desses livros? NADA. Os professores, em sua grande maioria, não se interessam pelo acervo da biblioteca. Isso porque estamos falando da Cosac & Naify que traduziu várias edições pela primeira vez em língua portuguesa. POr que o brasileiro não lê? Com certeza, pelo menos no Sudeste, não é por falta de livros é por falta de interesse em cultura. É por termos um estado que não tem interesse em educar seu povo, formar seres pensantes, pessoas com o mínimo de raciocínio crítico. Também, é só vermos o que é o Congresso Nacional para entendermos o motivo da falta de investimento em cultura. Num país onde tudo acaba em pizza, preisamos de pizzaiolos e não de pensadores que venham azedar o cardápio da corrupção.
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João Paulo Hammes Says:
December 17th, 2008 at 5:30 amEu tenho vergonha de mim mesmo, eu leio sempre que posso, afirmo que já li vários livros, mas não leio jornal ou revista, e isso é uma falha. Pretendo melhorar.
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Geisse Magalhães Says:
April 30th, 2009 at 9:17 pmSeria uma saída muito fácil culpar o governo, o custo e os professores, mas, na minha opinião a grande incentivadora da incultura é a televisão. É so liguar a tv no fim de semana e passear por alguns programas, podemos verificar que as mulheres frutas e os fanqueiros são o objeto de destaque, assim fica difícil, já que o cara canta crééééééu e é aclamado, enquanto nas escolas os alunos que procuram um pouco de cultura são isolados e discriminados pela maioria. a maioria dos adolecentes sente medo de ler nos intervalos das aulas por medo de retaliação dos colegas.
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Renato Says:
March 3rd, 2011 at 3:11 pmUm pouco tarde pra comentar, mas de qualquer maneira….
O universitario americano é mais culto sim que o universitario brasileiro. Não vou entrar em merito quanto ao povão, povão é povão em qualquer lugar do globo.
Agora a elite intelectual brasileira é despreparada se comparada a americana. Não tenho conhecimento quanto a europeia, mas em relação a americana:
O universitario americano ao contrario do brasileiro, passa por uma educação superior MULTICURRICULAR. O universitario brasileiro tem uma educação superior profissionalizante. O ensino profissionalizante americano ( MBA, direito e medicina) é de PÓS-GRADUAÇÃO.
Tendo em vista isso, o brasileiro abandona grande parte do conhecimento pra se dedicar apenas ao conhecimento especifico do curso profissionalizante por qual passa. Além disso o universitario brasileiro entra no mercado de trabalho muito cedo, com 19-22 anos ja estagia em sua area de escolha. O universitario americano dedica seu tempo livre a esportes e extensão curricular (geralmente topicos culturais) levando a uma formação mais abrangente e uma elite mais culta.
Fora isso o conhecimento desde cedo é tratado de uma maneira utilitarista. Só é importante saber fisica, biologia, literatura e matematica porque caem no vestibular, não por serem topicos interessantes. Literatura que não cai no vestibular é tido como conhecimento inutil.
Somando tudo isso temos uma elite desinteressante, burra e vazia.

