Todo início de semestre tenho a mesma dúvida: "voltar ou não para a faculdade por mais este semestre", parece até coisa do A.A. que tem aquela frase legal (só por hoje não beberei, ou algo assim) .

Entrei na faculdade de Ciências da Computação em 1999.1, larguei no final de 2002 e voltei no início de 2006. Parei novamente nesse primeiro semestre de 2007 e cá estou com a mesma dúvida para esse semestre.

Não, eu não sei quantas cadeiras faltam, deixei de contar faz tempo já, mas sei que ainda faltam alguns semestres… acho que 3 semestres… acho.

Desmotivação

O que sempre me desmotivou a cursar uma faculdade é a displicência que existe hoje em relação ao nível de avaliação dos candidatos por toda a vida acadêmica, qualquer pessoa que consiga escrever seu próprio nome e sabe as 4 operações matemáticas básicas consegue obter um nível superior. Qual a diferença significativa que um curso superior me acrescenta? Aliás qual a necessidade de se fazer um curso superior e não um técnico?

O mercado banalizou os cursos superiores, essa exigência comum a qualquer cargo e a qualquer necessidade de mão-de-obra recurso humano descaracterizou a real necessidade de se possuir um nível superior. Quando digo mercado eu não me refiro apenas aos colégios privados, mas aos públicos também.

As escolas privadas no Brazil não precisaram buscar o aperfeiçoamento das públicas, essas caíram aos níveis baixos daquelas. Hoje estudar em uma universidade pública não garante que você está balizado com um bom ensino, se um professor PhD é capaz de fazer isso, imagina os alunos.

Já contei aqui nesse blog que tem gente na minha faculdade se formando sem saber para que serve um banco de dados, para você que não é da área, imagina que é a mesma coisa de um médico está se formando sem saber onde ficam os pulmões ou para que serve um coração. Imagina um formando em Letras sem saber o que é uma oração subordinada… é essa pessoa que não sabe para que serve um banco de dados, voce não precisa nem ser da área, isso choca qualquer pessoa familiarizada com internet por exemplo.

O pior de isso tudo é que esse tipo de pessoa vai ser gerente, como não tem capacidade de ser programador, vai dar prejuízo nas empresas e quem leva a má fama é a miserável da Engenharia de softwares ou a Tecnologia da Informação ou [cole aqui o seu rótulo Enterprisey para informática].

Faculdade custa tempo (que eu poderia usar para estudar) e dinheiro (que não tenho sobrando para desperdiçar em algo que não fará diferença alguma), você tem que assistir aquelas aulas enfadonhas sobre tecnologias que ninguém usa mais (impressionante como a universidade não consegue acompanhar o mercado) e aulas de professores doutores ou mestres que nunca participaram de um projeto real na vida.

Tenho até um causo da faculdade, um certo professor(a) em meio a uma aula respondeu a um aluno que Orientação a Objetos é a mesma coisa do Modelo ER, mudava só algumas "besteiras", mas o conceito era o mesmo. Essa situação é tão surreal que se eu não tivesse presenciado eu acharia que era exagero de quem conta. É a mesma coisa de dizer que Liberalismo é a mesma coisa de Comunismo, talvez em um país que considera partidos sociais-democratas de neoliberais seja mesmo, mas na realidade fora da caverna não é. Eu tivesse poder, cancelaria todos os títulos de um professor desses, sorte de vocês eu não ser poderoso, guilhotina seria pouco.

Vou tentar trocar a mensalidade por cursos ministrados, pobre é fogo e ainda mais latino americano sem dinheiro no banco, sem amigos importantes e vindo do interior, vira até música do Belchior. Existe algo mais fim de carreira que música do Belchior?