Rapidinha intolerância

Um cargo muito visado era de acendedor de lampião, com o surgimento da iluminação por energia elétrica esse cargo desapareceu.

O acessorista de elevador era outro cargo requintado, os elevadores mecânicos foram extintos na década de 50, o cargo desapareceu.

Eu sou tolerante com as minorias, quase todas elas, menos os retrógrados que insistem em viver em um mundo que não tolera mais o acomodado, mas não é somente com o acomodado, sou partidário de genocídio com os preguiçosos, aqueles que não querem pensar um pouco que seja ou pelo menos ter a decência de procurar aprender.

Eu, super ocupado agora a tarde, fui chamado aqui do lado para resolver um problema, outro setor, teoricamente aqueles que se acham bonitos, bacanas e importantes. Como não tinha ninguém do suporte, fui lá.

O problema era o seguinte, a pessoa não conseguia salvar um documento, só isso. Ela abria os documentos direto na rede por um drive compartilhado, por algum problema no setor a rede estava fora, ao mandar salvar o MSWord abre uma caixinha de diálogo para salvar em outro diretório já que evidentemente não poderá ser em uma pasta que não está mais acessível. Como mudou a rotina que essa Homo Sapiens estava acostumada, ficou perdida, entrou em desespero.

Esse tipo de pessoa não tem mais lugar no mundo e eu não quero viver mais no mesmo ambiente que esse pessoal. Tolero diferença cultural, preguiça de pensar não!

6 thoughts on “Rapidinha intolerância”

  1. Vou relatar um caso para mostrar que isso ainda ocorre talvez mais do que imaginamos:
    Uma pessoa estava tendo problemas com o compactador de arquivos winzip. Disse-me que o software ora funcionava, ora não, ocorrendo o problema de forma totalmente aleatória.
    Achei estranho e fui ver qual seria a causa do problema. Chegando lá, pedi para que repetisse o procedimento que havia feito para compactar os arquivos.
    Não acreditava no que estava presenciando: como o winzip é shareware, o botão de “Use evaluation version” (para usar o software como “avaliação”) muda de posição com o botão “Cancel” (como todos sabem, para cancelar o procedimento)a cada chamada ao software. Mas a pessoa SEMPRE clicava no primeiro botão da caixa de diálogo, portanto ficou claro que ora ela clicava em “Use evaluation version” ora em “Cancel”!
    Como vê, nem se trata de preguiça de aprender coisas novas, mas pura e simplesmente VAGABUNDICE DE LER A TELA!!!
    E ainda ficou bravo com tudo aquilo…

    Abraços.

  2. Eu também fico puto com esse tipo de coisa.

    Já tive que ensinar pacientemente, repetindo várias vezes, como usava o Nero Express, que é um programa facílimo de gravar CD-ROM. A pessoa (?) em questão parecia incapaz de entender qualquer um dos botões e mensagens de um programa simples, com interface em português…

  3. Pior disso tudo Marcus, é que o brasileiro em geral não lê manual, fica na “tentativa-erro” até dar certo, quando não dá, põe a culpa nos outros. Isso se reflete até na política, quantos conhecem o histórico do político em que vota?

  4. No nosso meio a “Dissonância cognitiva” ao escrever um código é extremamente comum e compreensível. Esquecer vírgula, um “and”, ponto-vírgula, confundir conceitos, trocar palavras-chaves, etc. Facilmente percebemos/corrigimos tais “enganos bobos” seja quando tentamos compilar (meio preferido), quando dá erro em execução, por um alerta de um programador que faz par conosco ou, mais raramente, por uma “re-visita” posterior… Coisas assim ocorrem pq criamos um modelo mental que nos é suficiente e, como todo ser humano, preferimos acreditar nele (e no nosso taco), mesmo com isso significando uma cegueira temporária. Agora, imaginemos o contexto de pessoas que não possuem intimidade com software e, principalmente, com seus blocos de construção (o que nos ajuda imensamente, mesmo quando encaramos um software novo). Imagina também que nem todas as pessoas são iguais e que por isso, enquanto algumas sabem dialogar com “computadores” (e muitas vezes até preferem – p.e. vendo mensagens de debug), outras ainda preferem dialogar com (não se assuste) outras pessoas. Imagina ainda que essas pessoas bizarras e tão “diferentes” NÃO percebem que seus modelos mentais são insuficientes! Quem sabe seja pq software/computadores não sejam o foco da vida delas (seja pessoal e/ou profissional). É fácil julgar que elas deveriam se interessar mais e mais, mas de repente elas não gostam tanto da coisa, não possuem o mesmo gosto e interesse que nós. Quem pode ter certeza? Ainda mais curioso é ver que mesmo entre nós esse interesse e motivação podem variar tanto! Impressionante como a maioria pode ficar satisfeita em sobreviver sabendo tão pouco frente o que poderiam saber. Dizem que muitos Doutores e PhDs possuem didática ruim e são impacientes com graduandos pq sabem tanto sobre uma área que consideram extremamente banal aquilo que vão ensinar. Vai ver eles tem mesmo o direito de não exercitar a paciência, humildade e a didática, afinal eles sabem sobre coisas que os outros não sabem nada ou que não dedicaram anos da sua vida para dominar. Até dá pra entender a arrogância de alguns advogados, vai ver estão certos… Eu deveria conhecer o código penal e a constituição todinha sem margem para… Enganos.

    Sabe, acho tudo isso muito normal. Principalmente a impaciência e, por vezes, raiva e intolerância que sentimos quando alguém não corresponde ao nosso modelo mental de que X é extremamente óbvio. Legal que ficamos ainda mais impacientes quando esse alguém fica impaciente quando dizemos que ela “se enganou”… He, quando na verdade raramente dizemos isso, mais fácil é nos portar como se estivéssemos dizendo, “Seu burro!”, mesmo não pronunciando isso… Não dá pra entender pq ficam com raiva ou pq não nos entendem quando somos nós que ficamos! :-p

    Lá no Houaiss diz sobre cultura, “conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social”. Acho que “grupo social” pode ser entendido com tantos níveis de profundidade e naturezas diferente que pode abranger mais que diferenças entre povos e nações, mas tbm diferenças entre: Cidades, gerações (etárias), cursos de graduação, setores de empresas, cargos, famílias, grupo de amigos, etc. Eu acho bom que sejamos todos diferentes e que por isso agimos e pensamos de formas diferentes. Gosto de aproveitar a chance para expor meu ponto de vista quando encontro um que difere do meu. Quando você escreveu ali no fim sobre pessoas que não gostam de pensar vi a chance de dialogar com aquelas que podem preferir simplificar as coisas e pensar assim, ao invés de considerar isso tudo que falei. A questão que coloco não é se a outra pessoa é mesmo preguiçosa ou não, mas a incerteza sobre realmente saber isso e, principalmente, a postura que assumimos quando nos defrontamos com os enganos alheios ou diferenças de opinião.

    Abraço!

  5. Witaro, concordo com o que escreveu, mas ainda não é o suficiente para aplacar minha ira 🙂
    Brincadeira, eu sou professor de cursos sequenciais, entendo o seu ponto de vista sobre a paciência, agora o que não tolero é a atitude de “não lerem o manual”, não se interessar em sair da inércia, etc…
    A postura que esse tipo de gente faz é aquela de “não quero saber, resolva aí!”.

Comments are closed.