Até que enfim consegui assistir esse tão falado filme. Não, não caí na hipocrisia do discurso fácil de: “- só vejo no cinema porque não alimento pirataria”, isso é besteira.
Assisti no conforto do lar, no meu player divx, comendo pipoca com coca-cola no conforto de minha cama. Baixei a obra em uma rede P2P como qualquer cidadão “que paga seus impostos”. Não comercializo, como posso ser pirata?
O filme é delicioso em termos de fotografia e dinâmica, até que enfim os brasileiros estão aprendendo a fazer filme de verdade, desde carandiru que fazemos bons filmes no aspecto visual.
O que me incomodou na história foi a tentativa de explicação o tempo todo no discurso do capitão Nascimento, como se todo mundo fosse um idiota e não conseguisse entender o desenrolar do trama, ora essa, quem vai ler o filme como fascista não precisa de explicação, quem vai ler o filme como um retrato da realidade, não precisa disso. Achei apenas esse defeito no filme, defeito esse que ameaçou estragar a obra.
Me falaram que no cinema ainda pirou, mudaram algumas falas do capitão, como não assisti lá (ainda?) não posso saber como ficou.
Todas essas resenhas de julgamento de valores é infrutífera, uma obra de ficção não precisa de discussão se é certo ou errado o seu enredo, nem que pretensamente tenha a ilusão de representar a realidade. Obras científicas sim, ficção jamais.
E é isso que o filme é, uma deliciosa ficção, que nos faz entrar na história e se identificar com as situações. O debate vem depois nas salas de aulas, nas praças, ágoras e clubes.
Mas o debate que tenho visto é sobre se o filme é fascista ou não, ora, isso não tem a menor importância, os assuntos na ficção é que deveriam ser dabatidos, já está mais do que na hora de discutirmos em sociedade a liberação das drogas, esse discurso fácil de que “o viciado alimenta o tráfico” é outra idiotice de cunho medieval. Quem alimenta o tráfico é a própria situação, qualquer negócio que renda mais de 30% de lucro será sempre um bom negócio, estando proibido ou não, ainda mais que vale lembrar que muitos setores da economia vivem na margem do ponto de equilíbrio, então acabar com o tráfico somente liberando.
Claro que esse tipo de discussão não é fácil, envolve aspectos culturais, religiosidade, economia, cobertura da saúde pública e toda uma esfera de cidadania.
Já está na hora de debatermos, mas estão preferindo provar uns aos outros se o filme é ou não fascista.