Planos assistenciais agora desagradam a esquerda

Leio hoje críticas de baluartes da esquerda, como Plínio de Arruda Sampaio, desfavoráveis ao bolsa-família. Segundo os cafetões da pobreza, esses programas teriam um lado perverso (sic), que seria tirar a combatividade dos sem-terra.
Eu sempre achei que o movimento Sem-terra era um embuste, ora, conheço agricultura, sou formado no segundo grau como técnico agrícola, se identificar um agricultor a léguas de distância e o pessoal do MST não são agricultores.
Eu, chamado de reacionário pelos amigos marxistas, sempre fui favorável a esses programas assistenciais. Claro que meu lado reaça sabe que esses programas com o decorrer do tempo viciam os trabalhadores, mas só quem já viu a fome de perto (só vi, nunca passei) sabe como é a vida sofrida do agricultor nordestino.
O agricultor sai de casa por volta das 4 da manhã, a maioria não toma sequer café e só vai ter alguma refeição lá por volta do meio dia. Trabalham sob um sol escaldante com a possibilidade quase certa de perder tudo na seca. Bote um presidiário para realizar a mesma jornada e tenha no encalço um bando de defensores dos direitos humanos. Dos agricultores, só “padim páde cícero”.
Esses programas tem um lado perverso, mas esse é o da corrupção. Quando eu trabalhei fazendo pagamento nas fazendas, vi muita mãe chorar por não ter seu nome incluído na lista dos beneficiados. Nessas horas meu coração de pedra soltava uma lágrima. A única coisa que podíamos fazer era citar o nome de todos os incluídos com toda a força da garganta, nomes como a mulher do prefeito, da mulher do presidente da câmara de vereadores e a diretora da maior escola municipal.
Na minha infãncia eu presenciei um movimento que não existe mais, dos “cassacos”. Cassacos eram chamados os agricultores que na seca iam para a cidade para saquear os armazéns. Isso era comum na região centro-sul do Ceará, a mais castigada pela estiagem. Na minha inocência eu achava aquilo tudo errado, certa vez falei em alto som para meterem a “sola” neles quando estavam saqueando a escola que eu estudava, minha diretora muito sábia me fez calar e falou: “- Tente passar fome por 2 dias e depois venha me dizer o que é certo”.
Sempre contam aquela anedota do ensinar a pescar e não dar o peixe, isso porque não passam fome, com fome ninguém conseguirá pescar, come a minhoca ali mesmo.
Os reaças mesmo acreditam que se o homem trabalhar “di cum força”, um dia vencerão na vida. Essa é uma visão simplista dos próprios problemas da vida, como se apenas o trabalho resolvesse tudo, ignorando todos os espectos sociais, castas, preconceito, racismo, infância fudida.
O mais engraçado de tudo isso é ver que tanto a esquerda como a direita não estou preocupados com as pessoas e sim com suas ideologias. Uma bandeira política é resgada assim que entra em choque com o que acreditam.

3 thoughts on “Planos assistenciais agora desagradam a esquerda”

  1. Acho desrespeitoso você chamar alguém como Plínio de Arruda Sampaio, que dedicou sua vida a ajudar os mais pobres, de “cafetão da pobreza”.

    Isso me faz lembrar a discussão que houve no blog do Idelber, sobre o quanto o debate político está radicalizado. As pessoas começam a xingar as outras apenas por suas posições políticas.

    Note que uma boa parte da esquerda é favorável aos programas assistenciais. Acho que há bem mais gente favorável do lado esquerdo do que do direito.

  2. Marcus, esse sujeito passou a vida defendendo ditaduras e querendo transformar esse país em uma URSS! Não tenho respeito por ele como não tenho respeito pelo marxismo.
    Estou mais socialista do que capitalista ultimamente, acredito no mutualismo, respeito quem realmente quer mudar o mundo para melhor. Mas marxismo não. Ditadura do proletariado quero distância.

  3. Talvez não tenhas respeito pelo marxismo porque não conheça. Já lestes o Capital, Salário Preço e Lucro de Karl Marx. Neste livros há a melhor explicação para o funcionamento do capitalismo.

    Uma coisa é o legado de Marx, outra coisa é o que pessoas fizeram se dizendo seguidoras de Marx. Logo após a Revolução Russa, eles tiveram o período de rápidas melhorias nas condições de vida, durante a liderança de Lênin. As coisas se descambaram sobre o governo totalitário de Stalin, que tratou de eliminar seus opositores.

    O Plínio não passou a vida defendendo a transformação do Brasil numa URSS, nem defendendo ditaduras, muito pelo contrário. Eles defendem um Brasil mais justo. Eu discordo dele (Plínio) e dos que criticam o programa renda mínima.

    Minha crítica vai no sentido de aumentar os recursos do programa. Enquanto se gasta R$150 bilhões com os rentistas (pagamentos de juros), o renda mínima recebe apenas R$8 bi. Os valores distribuídos pelo renda mínima são muito poucos, não dá para a família se alimentar e comprar material escolar para as crianças.

    O programa não pode parar nisso e vê-se claramente que as outras pontas não estão andando: acesso à educação de qualidade, saúde pública e geração de empregos.

    A inflação foi debelada em 1994/95, mas até hoje o Banco Central, que foi entregue aos banqueiros, usa como desculpa para manter os juros na extratosfera, inibindo o dinamismo da economia e sugando os recursos públicos que estariam sendo usados em prol dos mais necessitados.

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    PS: é raro ver pessoas de TI discutindo problemas sociais.

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