Como formar um PhD analfabeto!

Ao receber a notícia alegre que um familiar muito próximo conseguiu finalmente terminar o supletivo, eis que me deparo com a situação peculiar que fortuitamente assumiu com apetite egaz minhas idéias.
Podemos transformar um analfabeto em PhD com pouco esforço no nosso país, não é uma maravilha? Que avanços conseguimos! Somos sem sombra de dúvidas o país mais eficiente na educação, porque nenhuma potência consegue esse feito, seja ela qual for.
O Brasil era o 63° na última ves que olhei o Indice de desenvolvimento humano (IDH), nada mal se considerar que existiam 177 países piores, nos resta o consolo de pelo menos tripudiar sobre os demais. Os países que estão encabeçando a fila do indice são os que controlam a tecnologia e produzem o conhecimento absorvido do primeiro até o último colocado no índice. Dificilmente algum país que está lá na traseira é possuidor de patentes ou descobertas importantes, o Brasil até tem uma comunidade relativamente médio na pesquisa científica, mas nos últimos anos não conseguiu segurar os bons nomes e corre o sério risco de jogar fora algumas gerações e quebrar o ritmo de desenvolvimento.
Mas voltando ao assunto do tópico, o Brasil está nos últimos anos se tornando o campeão no combate ao analfabetismo, sabe quais as medidas adotadas?
Bem, nada nesse país é serio, tudo acaba em carnaval mesmo, primeiro decretou que os alunos das séries iniciais não podem sair reprovados, todos que não atingirem a média serão automaticamente presentiados com uma espécie de recuperação, mas nem se preocupe, fazem quantas avaliações forem necessárias para que acompanhem os coleguinhas no próximo ano. Dessa forma o governo por humanismo nunca visto antes elimina o analfabetismo dessa geração por diante, é uma maravilha!
E para as gerações já prejudicadas por falta de visão estratégica de seus governantes?
Ora! adotamos o sup(er)letivo, onde o feliz analfabeto pode estudar todo o segundo grau em fantásticos 10 meses tirando os feriados (se não tiver greve claro!).
Eis que meu parente (que não posso denunciar) formado no fantástico supletivo agora pode participar da cota para adentrar na faculdade pública, já que ele com uma praiazinha de nada pode alegar negritude em último grau!
Fico imaginando então esse meu parente, com notícia tão aprazível, cursando uma faculdade “publica” em torno de 12 anos (somando as cadeiras perdidas mais greves) e pedindo uma vaga no Mestrado após a conclusão.
Tá bom, hoje é impossível ele conseguir entrar no mestrado dessa forma, e quiça num PhD, mas se tudo caminhar nesse ritmo poderemos supor que será impossível no futuro?

ps. Não me refiro quando digo analfabeto a um ser Neanderthal que não sabe ler nem escrever, me refiro a analfabetos funcionais como nosso presidente atual (estamos em 2006) ou aquele meu parente, que sabem assinar seus nomes, até gaguejam diante de um texto, mas são incapacitados de raciocínio profícuo sobre uma questão trivial!