Quando entrei na faculdade de Ciências da Computação em 1999 participei de uma palestra com um especialista em IA que estava fazendo um Doutorado na Europa sobre isso, ele tinha feito sistemas especialistas para a Petrobrás entre outras grandes empresas.

Esqueci o nome dele, mas lembro bem que ele falou sobre quando havia começado, a cerca de uns 15 anos antes daquela data e seus professores falavam que até o ano 2000 estariam presenciando uma revolução na IA a là Jetsons. Ele mostrou códigos em LISP de sistemas especialistas com agentes que executavam trabalhos humanos de prospecção de erros em plataformas marítimas, etc.

Mas não passavam disso, sistemas especialistas. Sistemas que respondiam a mudanças, eventos ou mensagens externas com código preparado para aquilo que estavam programados para responder, ou seja, atividades ligadas aquele trabalho específico. Ele mesmo não tinha tanta esperança de uma evolução nessa área em menos de 50 anos. Eu sou mais pessimista, como um Schopenhaureano não acredito que aconteça uma emulação do raciocinio humano em menos de 1000 anos.

Estavamos no ano de 99, passamos o famoso “bug do milênio”, vimos cachorrinhos robôs balancarem o rabinho imitando uma emoção canina, SpaceShipOne quebrar a barreira da atmosfera para uma nave civil, Chips de 4Ghz, popularização do DVD, . . .
“Mas cadê a empregada Robô dos Jetsons que conseguia responder a todos os estímulos externos de forma satisfatória para uma máquina?”
Antes de tudo vamos fazer uma pergunta: “Como funciona o raciocínio humano?”
Faço outra pergunta melhor: “Temos condições de simular o raciocinio humano em uma máquina?” Decididamente NÃO.

Raciocinio
Só teremos evolução em IA quando desvendarmos como funciona o cérebro, nosso kernel. Acredito que todos confiam suas vidas a um médico sob uma operação delicada mesmo sabendo que ele pode errar, já que é humano, mas ninguém em sã conciência confiariam em uma máquina mesmo sabendo que ela pode acertar com um índice de probabilidade maior que o médico humano. Sabemos que se algo ocorrer fora do script o médico tem capacidades de se adaptar à situação dependendo de sua experiência e talento, já a máquina não poderia se programar.
Esse é o ponto de ruptura que a IA precisa, criar um modelo computacional que permita um ser composto de bits descobrir um mecanismo de resolução de problemas e se programar para isso.
Somente simulando o raciocínio humano conseguiríamos isso, mas é somente o raciocínio que faz isso? tem algo a mais? e o inconsciente como afirma existir a psicologia? Tem ação na capacidade de resposta a estimulos?
Perguntas difíceis senão impossíveis de serem respondidas antes do nosso sol secar.
Se dotarmos as máquinas de capacidades de raciocínio elas terão o livre arbítrio como temos?

Humanidade
Gostariamos de máquinas inteligentes que fizessem tudo para nós, temos um resquício de escravismo ainda nos nossos genes, todos nascem totalitários, depois que vamos nos tornando libertários ou não. Como um ditador sanguinário que gosta de torturar seus semelhantes consegue amar? Como um pai consegue estuprar a própria filha? Como um filho consegue matar um pai que o criou com amor? Queremos máquinas que simulem o ser humano realmente? Mas para criarmos um ser que simule a capacidade de raciocínio humano temos que transformamos eles em nós. Primeiro teremos que saber viver em sociedade primeiro, o homem é um ser social, ninguém vive sozinho, pode até imaginar que não depende de ninguém, mas o café que ele toma pela manhã é trazido pelo seu João motorista de caminhão( até rimou!), o remédio que ele toma é produzido pelo José que trabalha como operário na indústria química.

Em certas listas de discussão a briga da moda é entre evolucionistas versus criacionistas, devo admitir que perdeu a graça a um tempão já, porque ambos se apegam somente a fé cega, seja a fé religiosa ou a fé científica, não há comprovação ou fatos evidentes que algum dos dois grupos conheça a verdade. Não posso acreditar que por causa de um esqueleto de um hominídio toda a espécie do Homo Sapiens descenda daquilo, quando aprofundamos nesse tema o evolucionista gagueja, não consegue saber se tal esqueleto tem 6 ou 4 milhões de anos, ora, a diferença de 2 milhões de anos é gigantesca, se a ciência não consegue nem determinar com precisão a idade do fóssil como pode querer ser levada a sério? Pior é o criacionista que prega a Bíblia ao pé da letra mesmo sabendo que os livros dela são floreados como romances para explicar a história Judáica, e defendem com unhas e dentes que o homem só tem de 5 a 8 mil anos como fala a Bíblia. Como diz o Mainardi talves descendemos de dois macaquinhos africanos chamados Adão e Eva. Mas o resumo da ópera é, ninguém conhece a verdade, de onde surgiu o ser humano, enquanto discutem o sexo dos anjos as pesquisas e experimentos ficam estagnados.

Essa briga entre religiões (considero o ateu um fanático religioso, só que sem Deus), é o atraso da humanidade, o melhor seria acabarmos com religião, cada um acredite no deus que desejar, mas não professe suas “verdades” como absolutas. A recente indignação dos Muçulmanos provocou no ocidente uma comoção pelo direito de livre imprensa, eu concordo, mas concordo que tem que ser livre mesmo, quero poder fazer chacota com Cristo tambem, quero humilhar o Deus judeu e o Deus Cristão, posso? não, há! aí já é outra coisa, o nosso é especial, é verdadeiro ! Engraçado, esculhambar o deus dos outros pode, mas o nosso não.

Engraçado que em nome da liberdade os maiores regimes sanguinários do mundo executaram tragédias sem precedentes como o Nazismo, o Fascismo e o Comunismo. Disconfio sempre de quem quer defender a liberdade, geralmente quer tirar a dos outros, disconfio de quem luta pela igualdade, quer sempre ser o líder dos iguais, portanto superior! Como dizia Nelson Rodrigues, é mais fácil amar a humanidade do que amar o próximo.

Ontem fiquei embasbacado com a máteria de ontem(21/05/2006) do Fantástico(Rede Globo), comparando o isolamento de quem sofria de Hanseníase (Lepra) com os prisioneiros do sistema penitenciário, comparação esdrúxula como se os mesmos fossem vítimas da mesma situação. Não precisa ter mais que 3 neurônios para saber que o leproso era afastado da sociedade por ignorancia e inaptidão da ciência por desconhecimento de cura para a doença que aflinge a humanidade desde tempos imemoriais e ainda hoje existe no Brasil. Já a situação do prisioneiro encarcerado numa prisão pública é por culpa dele, não me venham com essa que a culpa é da sociedade, existem pessoas que são injustamentes presas, mesmo inocentes, acontece, e para isso deve haver todo o respaldo para defesa, mas é exceção, a maioria ali é de gente cruel, inescrupulosa, que não terá a menos piedade com seu semelhante, não tem inocentes no PCC. Ninguém entrou no PCC por bons antecedentes nem caiu ali por culpa da sociedade, acredito que eles exigem até que o sujeito vá ao fórum e peça um atestado de “folha corrida” como faz a indústria, só que o processo de contratação deles é o contrário, o sujeito limpo não serve, quantos mais longa for a folha mais apto ao trabalho o sujeito é.

Saí do tema desse post para trazer a tona essas características do ser humano e fazer uma reflexão, queremos criar seres iguais a nós?