O momento atual do linux é um grande hiato, é o principal software do movimento de Softwares Livres, alias, principal plataforma!

O linux não deixou de ser exclusividade de geeks apesar de uma pequena participação no mundo de TI, mas de forma tímida, por meio de contenções de custo (talves o principal motivo), insistência por parte da bravas e combativas equipes de linuxistas e algumas distros mais “amigáveis”!

Mas a participação do linux na vida digital de quem não tem a TI como fim, ou seja, não trabalha diretamente para a tecnologia e sim “USA” a tecnologia como um meio, não mudou.

Temos uma campanha governamental denominada PC Popular para incentivar a inclusão digital mas que o modelo de adotar o linux como SO repercutiu negativamente em determinados setores e acendeu discussões sobre o incentivo da pirataria com essa abordagem.

A revista VEJA recentemente no afã de atacar o governo (por questões meramente políticas) acabou atacando o movimento de Software Livre porque o modelo adotado pelo governo foi um fiasco (não sei se realmente foi). Tenho defendido em listas de discussões que adotar um software, seja ele livre ou proprietário, tem um custo e um ROI agregado, que o software por ser livre não o isenta de um projeto de investimento para sua adoção com treinamento, customização e suporte necessário. Tente implantar um ERP proprietário, o maior custo não é o valor do software ou o aluguel (forma mais comum) e sim o treinamento (que geralmente há retreinamento por mudança de pessoal) e customizações (adaptar o sistema aos processos de negócios da empresa). Provavelmente o governo não considerou os custos na implantação do software livre, mas não conheço os detalhes não posso formar opinião nesse momento.

Outros num tom de brincadeira falam que o linux deveria ter virus e não ser tão eficiente em segurança, mas esquecem que se o linux fosse o mais utilizado todo pseudo-hacker, script kiddie, bobocas e meliantes digitais estavam se voltando a atacar as brechas e falhas humanas no sistema do Pinguim. O Problema não é esse.

Eric Raymond fala que ou o linux deslancha agora ou só daqui a 30 anos. Ele abriu uma discussão séria e que muitos não querem parar para pensar nos argumentos que ele usa. A principal bandeira levantada por ele é que o linux tem que interagir com software proprietário, abrindo videos e formatos digitais de empresas que não estão nem aí ou pr questão estratégica não podem abrir seus formatos.

Isso se contrapõe com a principal prática a meu ver do software livre, que é não aceitar binários de terceiros que eu não tenha acesso ao fonte.

FILOSOFIA

Mas vamos pensar um pouco, quantos softwares rodam na sua distro que são compiladas por você? Eu uso debian que tem essa postura de ser mais tradicional e só aceitar software maduros e com fonte aberta, mas em casa tenho muita coisa não compilada por mim (apesar de dar preferencia a baixar os fontes e makear).

Não defendo relativizar os conceitos de liberdade que estamos acostumados a defender apesar de que até quem deveria dar exemplo acabou relativizando, nessa estou com o Richard Stallman, não é porque existe uma possível boa causa ou politicamente correta que podemos brandar nossos conceitos, assim eu que detesto cebola de alguma forma tentarei sempre impor uma licença para restringir o uso da cebola nas cozinhas do Brasil (eu até já disse que se me transformar num político a minha primeira lei será banir as cebolas).

Princípios são puros, não podem ser maculados, eles são o guia e servem para limitarmos as ações.

Mas então como faremos para que o linux seja adotado em massa e não se restrinja ao mundinho nerd?

Até nós somos prejudicados por isso, não me dá tesão algum vasculhar a internet atrás de conseguir fazer minha placa de video funcionar e ter que mexer em código toda ves que troco um hardware, pra mim que tenho um conhecimento acima do público comum é chato imagina para um leigo total. E não funciona os argumentos de que o cara contrate um “técnico” ou que se vire, porque no windows ele simplesmente plugará a placa e pronto. Sendo racional, se um contador ou médico que comprou um pc para usar seus programas especificos da sua especialidades passa por uma situação dessas o que ele fará? Sem dó nem piedade ele usa windows, simples assim.

A única alternativa que encontro é na hora de comprar um hardware procurar marcas que sei que existem drivers para minha distro e que já venha pelo menos com menção ao linux. Só que aí esbarra nos dispositivos mais especificos, para um Palm voce praticamente só terá a comunicação simples com o PC (esqueça aqueles trocentos aplicativos bacanas que todo mundo usa na lista de discussões, alguns não funcionarão nem no emulador) que dependendo da Distro é um parto, para cameras digitais voce só poderá baixar as imagens para trabalhar no PC que para um usuário que gosta de todos aqueles softwares que vem com elas é limitante, enfim, por aí vai.

Não adianta a desculpinha nerd de que: - dane-se! Linux é para quem sabe! Isso é tão infantil como idiota. É fuga por falta de argumentos, precisamos da popularização do linux para que as fabricantes facilitem nossa vida e de quem usa o software livre, precisamos de um linux maduro mas tambem usável para quem não tem a TI como um fim e sim como meio.

Existem distros como o Ubuntu que vem para contornar esse problema, mas ainda falta a popularização do linux para facilitar o combate ao preconceito e a discriminação.

Ainda existem os que criticam distros como Ubuntu mas essas pessoas são contra qualquer coisa que não seja do gosto delas, são pequenos totalitários que não defendem a liberdade dos outros e só encontram uma forma de serem livres, sendo o opressor!

É dificil chegarmos num consenso como tudo na vida, mas o linux e as distros tem que se prepararem para o compartilhamento total com softwares proprietários, conseguimos abrir documentos criados no MSOffice usando o OpenOffice, abrir arquivos PDF (formato proprietário), windows media player, etc. Mas o suporte a alguns tipos ainda é trabalhoso (requer n-passos para isso) e o suporte a drivers barra em questões politicas e filosóficas.

Por fim creio que as distros devem se preocupar mais na usabilidade dos usuários e facilitarem o acesso a formatos não livres, façamos como a Rossi: “Fornecemos a arma, não somos culpados pelo crime”! Sim, é uma frase tosca mas fazer o que?