Dez mentiras sobre o desarmamento.

Desarmamento: dez mentiras sobre o assunto

* Primeira mentira: a campanha para recolher armas das mãos da população é um grande sucesso.
– Isto é o que vivem apregoando os jornalistas, as ONGs e alguns elementos do Governo. Trata-se de uma grande mentira. Senão vejamos: segundo os últimos dados, foram entregues 350 mil armas por assustados cidadãos de bem numa campanha iniciada em julho de 2004. O Ministro da Justiça trombeteou na imprensa que seriam recolhidas 500 mil armas. Depois o número reduziu-se para 400 mil, e agora patina em 350 mil. Segundo a revista Veja de 20/04/05, edição 1901, pág. 42, existem 8,7 milhões de armas ilegais no país. Somemos a isto os três milhões de armas legais registradas no SINARM. Assim, depois de um ano, foram recolhidas apenas 3% das armas existentes. Isso debaixo de intensa campanha por parte da imprensa, que tem alternado histórias de acidentes com armas de fogo, “por si só tristes e de partir o coração”, com ameaças de prisão sem direito fiança. O leitor classificaria como um sucesso a Campanha Anti-Pólio do Governo se esta vacinasse apenas 3% das crianças brasileiras em idade de receber a vacina?

* Segunda mentira: a campanha para recolher armas tem tido o entusiástico apoio de todas as faixas etárias e de todas as classes sociais. – Segundo o jornal O Globo (19/10/04, pág.
16), 42% das pessoas que entregaram armas tinham mais de 60 anos, e 20% entre 50 e 59
anos. O que isto significa? Que quem está entregando suas armas são idosos, em especial
viúvas, com medo das ameaças através da imprensa para quem cometer o pecado capital de
ter uma arma em casa para sua defesa, somado idéia de receber míseros 100 reais por uma
arma que pode valer até 20 vezes mais. Para coroar, o mesmo O Globo de 15/06/05 publica
que apenas 10% das armas recolhidas na campanha foram entregues por pessoas das
classes A e B. Assim, este seria o perfil dos otários que caíram na conversa fiada do
governo e da imprensa: idosos e pobres, que buscavam receber um dinheirinho que o governo
agora reluta em lhes pagar. Pensando melhor, bem feito! Quem manda confiar nesse governo…

* Terceira mentira: ter arma em casa não defende um cidadão da ação dos bandidos.
– No Brasil este número é difícil de se obter, pois ninguém é tolo o suficiente para declarar
numa delegacia que expulsou a tiro alguém que tentava invadir sua casa. Neste país defender
o seu lar e sua família pode dar cadeia. Mas a revista brasileira Magnum tem uma seção
intitulada Resposta Armada onde, a cada edição, são mostrados casos documentados de
cidadãos que escaparam de assaltos ou coisa pior por terem uma arma mão. Nos Estados
Unidos, a revista National Rifleman mantém uma coluna mensal de uma página inteira com
inúmeras narrativas de cidadãos que puderam se defender contra assaltantes por terem uma arma mão. O leitor pode ainda acessar o site http://old-yankee.com/rkba/armcit/. Lá
encontrará uma farta e bem documentada relação de pessoas que evitaram problemas com o uso de suas armas de fogo.

* Quarta mentira: é preciso desarmar os cidadãos de bem para acabarmos com as cem
mortes por armas de fogo que ocorrem diariamente.
– O Governo e os antiarmas que batem tanto nesta tecla sempre “esquecem” de dizer que
este é o total de mortes ocorridas – ou seja, aí estão incluídas mortes decorrentes da
guerra do tráfico, assaltos, policiais mortos, execuções – o qual não vai sofrer alteração
devido ao Estatuto do Desarmamento. A verdade, que todos os antiarmas desesperadamente tratam de ocultar, é que apenas 3,7% (três vírgula sete por cento) das cem mortes diárias são
causadas por cidadãos sem passado criminal.

* Quinta mentira: o cidadão de bem não precisa de arma, a função de protegê-lo é tarefa da
polícia.
– Esta é uma combinação de mentira com piada de mau gosto. O tempo de resposta da polícia
do Rio de Janeiro a um chamado 190 pode chegar até noventa minutos, isto quando a polícia
atende. Além do mais, as polícias estão desaparelhadas, com veículos em mau estado e
com pouca gasolina, e a situação tende a piorar com o corte de mais de 500 milhões de
reais feitos pelo governo Lula no Orçamento de Segurança. Este dinheiro, que deveria ir para
os governos estaduais, está servindo para aumentar o superávit primário. O jornal O
Globo, com uma freqüência assustadora, publica cartas de leitores que pediram auxílio
polícia e estão até hoje esperando que esta os socorra.

* Sexta mentira: países que se empenharam em um programa de desarmamento dos cidadãos
obtiveram um retumbante sucesso. A Inglaterra é o melhor exemplo.
– Esta é a mais perversa e goebelliana de todas as mentiras. Os antiarmas pegaram uma
história, deram-lhe uma guinada de 180 graus e apresentam como sucesso o que foi e vem sendo
uma fragorosa derrota. Basta ler o livro GUNS AND VIOLENCE – The English experience –
escrito por Joyce Lee Malcolm (340 páginas, editado pela Editora da Universidade de
Harvard, 2002, US$ 11,53). O livro, extremamente bem documentado mostra que a
Velha e querida Inglaterra da literatura é hoje um país mergulhado numa violência sem
precedentes. Apenas um exemplo pinçado do livro: entre 1989 e 1996 os crimes por armas
de fogo, na Inglaterra, aumentaram 500% (quinhentos por cento).

* Sétima mentira: os resultados no Brasil já começam a ser notados. Há uma sensível redução
nos homicídios. Conversa fiada.
– Em São Paulo os repórteres da Folha contestaram as estatísticas oficiais em
matéria publicada em 17/01/05. Mesmo assim houve uma redução nos crimes. Os antiarmas
apenas “esquecem” outra vez de dizer que a ocorrência de homicídios dolosos na cidade de
São Paulo e na Grande São Paulo vem caindo substancialmente desde o Primeiro Trimestre de
2000, três anos antes da vigência do Estatuto do Desarmamento (vide relatório Estatística da
Criminalidade; Coordenadoria de Análise e Planejamento – Secretaria de Segurança
Pública – São Paulo, 2005). O mérito, portanto, é da Polícia de São Paulo e dos
investimentos em segurança feitos pelo Estado de São Paulo, e não como resultado do asinino
Estatuto. No Rio de Janeiro, com uma diferente estratégia de enfrentar o crime, os homicídios
com armas de fogo no primeiro trimestre de 2005, comparados com 2004, aumentaram em 10%, batendo em março o recorde histórico do ano de 1995. Aqui também aparece a mesma velhacaria: apresenta-se um número fechado (total de homicídios) e como sempre se esquecem de abri-lo em crimes evitáveis e não evitáveis pelo Estatuto do Desarmamento.

* Oitava mentira: o Estatuto do Desarmamento não proíbe a posse de armas de fogo, ela
apenas a regulamenta.
– Qualquer pessoa que se deu ao trabalho de ler a Lei no 10.826, de 22 de dezembro de
2003, mais conhecida como Estatuto do Desarmamento, sabe perfeitamente que as
dificuldades criadas são tantas que o cidadão de bem não consegue cumpri-las, seja pelo
aspecto burocrático seja pelo custo. Segundo um despachante que consultei, o custo para o
registro de uma arma de fogo é de R$ 1.100 (300 para o governo, 250 de honorários do
despachante, 250 de certidões negativas, 200 do psicotécnico, 100 para aluguel do stand
para a prova prática em um clube de tiro). E como faz alguém que more em uma localidade
onde não exista delegacia da Polícia Federal ou clube de tiro? O que acontecerá com uma
pessoa que se aposentou e passa a receber esta miséria que o governo paga (exceto para
aqueles aposentados classificados como “perseguidos políticos”)? Como se não
bastasse, essa despesa e esse imenso aborrecimento devem se repetir a cada três
anos! E se a pessoa por alguma razão não passar em qualquer exame durante a renovação,
a arma será confiscada pela polícia. Pergunte a um advogado onde se encontra capitulada, na
Constituição Brasileira, a figura do confisco para casos como esse.

* Nona mentira: o ‘lobby da armaria’ está cheio de dinheiro e vai jogar pesado.
– Interessante que o ‘lobby da armaria’, como jornal O Globo, num maroto esforço para
desmoralizar aqueles que defendem o direito a autodefesa nos chama, não recebe um tostão de
organismos internacionais enquanto o Viva-Rio refestela-se em generosas contribuições anuais
do Governo Inglês (2,5 milhões de reais/ano).
Uma prova disto está nos anúncios de página inteira que os antiarmas publicaram em O Globo
de 24/6/05 e 6/7/05. Segundo me informou a funcionária da área comercial de O Globo, um
anúncio deste tipo, que o jornal classifica como De Opinião, custa ‘apenas’ R$ 390.312,00
(Trezentos e noventa mil trezentos e doze reais). Assim, os dois anúncios somados
totalizaram R$ 780.624,00 (Setecentos e oitenta mil seiscentos e vinte e quatro
reais). Sobre esse valor é preciso ainda acrescentar o custo de produção que também não
é barato. Isto só para pressionar (neste caso O Globo não considera lobby) os deputados para
que votassem o referendo para este ano.
Imaginem a quantidade de dinheiro que esse pessoal tem para despejar durante a campanha!
E aqui vale abrir um parêntesis: em uma mesa redonda na TV Câmara (30/6/05), da qual
participaram os deputados Josias Quintal, Alberto Fraga, o delegado federal Wilson
Damásio, o professor Bene Barbosa (Viva Brasil) e o senhor Antonio Rangel (Viva Rio),
o professor Bene, cuja ONG defende o direito do cidadão se defender com uma arma de fogo,
contou que o Viva Brasil, dentro de suas modestas disponibilidades financeiras, havia
doado 10 coletes a prova de bala para a polícia. Cada colete custa R$ 2.500,00. Os
antiarmas gastaram 780 mil reais com dois anúncios, apenas para apoiar a definição de
uma data para o referendo. Este valor equivale ao custo de 312 coletes. Pergunto ao leitor: o
que traz mais benefício para a segurança dos policiais, e por extensão dos cidadãos: 312
coletes ou dois anúncios de jornal? Talvez os antiarmas não tenham grande apreciação pela
vida dos policiais…

* Décima mentira: o Estatuto do Desarmamento representa um passo avante para a sociedade
brasileira e por isto deve ter o apoio de todos os brasileiros, sem exceção.
– Se isto é verdade por que Deputados e Senadores se auto-excluíram das restrições
posse e porte de armas de fogo? Por que decidiram continuar gozando de um privilégio
que cassaram de toda a população brasileira?
Se desarmar o cidadão é tão importante assim, não deveriam Suas Excelências dar o bom
exemplo sendo os primeiros a abrir mão desse odioso privilégio?