Como salvar o projeto computador para todos

O projeto "Computador para todos" é um fracasso, aliás nasceu fracassado. Melhor, qualquer iniciativa governamental seja de comunistas moderados (partido dos supostos trabalhadores) ou ex-comunistas (partido dos sociais-demoniocratas) tende a ser fracasso, sempre vi o projeto como uma besteira sem tamanho e que ia resultar em dinheiro desviado (profissionalismo dos nossos políticos). Por essência (por ser anarquista) não acredito que iniciativa de estado resulte em algo concreto para a comunidade, mas deixarei de lado o lado filosófico e vamos avaliar o estrago.

Recentemente foram divulgadas pesquisas que o óbvio aconteceu, compradores das carroças financiadas pelo estado trocaram a distro linux obscura por um mídia pirata do MS-Windows (default). Isso gerou uma confusão enorme como sempre e threads desnecessárias onde pessoas se atacam e conclusões precipitadas coibem as ações (ou pelo menos tentam).

O problema é que precisamos da popularização da informação. O acesso a grande rede é um passo fundamental para sairmos da idade das trevas que o Brasil vive para um mundo um pouco melhor. Crianças moldarem seus conhecimentos não pela mídia tradicional (já desgastada que temos com informações lineares sobre os mesmos assuntos se dividindo entre os amigos e os inimigos) mas criando um ambiente crítico onde elas bebem o conhecimento da fonte original e ultrapassam as fronteiras da escola.

Exemplo: quando Israel bombardear uma vila supostamente indefesa no sul do Líbano ao invés de esperar pelo Jornal tradicional de papel que sairá amanhã com conteudo mal traduzido de uma agência qualquer, aquela criança no centro-sul do Ceará a partir de uma fazenda já recebe a atualização da noticia no seu agregador de feeds do NYTimes e do Al Jazeera. Lê a opinião dos dois lados no conflito, tira suas conclusões e expõe sua crítica no dia seguinte aos professores para receber um embasamento maduro sobre esses assuntos. Claro que isso é um sonho, precisamos criar esse sonho.

Voltando ao assunto, os erros foram muitos, mas vou me concentrar  nos mais importantes: maquinas obsoletas, falta de estratégia de divulgação e distro errada.

Como fazia Jack The Ripper, vamos por parte:

  •  Máquinas obsoletas;

O mais importante em um pc usável não é o processador (influe), mas sim a memória, um PC com um processador menor mas com 512 de RAM é o mínimo aceitável, 1G seria o ideal. Diminui o processador se for o caso e aumenta a memória RAM, alías não consigo entender porque ainda se vende 128M, para que? manter o legado? que diabos roda em 128M?

Se querem salvar esse projeto o mínimo aceitável é 512M de RAM. 

Placa de vídeo é importante, nada daquelas rídiculas onboard de 16M pelo amor de algum deus. 

Esses dois itens já seriam suficientes pelo menos para dar uma "dignidade" ao projeto. 

Vi nesses dias uns pcs à venda pelo projeto em um grande varegista aqui em minha cidade com drives de disquete. Tirem a mer#@ do drive de disquete, o valor que economizará com isso dá para substituir o leitor de cd  e fornecer uma gravadora de cd ou pelo menos um pen-drive junto, isso custa barato, e o governo poderia comprar e distribuir pen-drivers com material promocional (em grande quantidade um pen-drive de 1G custa 5 dólares).

E as regras para as montadoras? Não há? Esse projeto corre o risco de ser um salvamento de sucatas, empresas picaretas que vão empurrar peças encostas pela isenção.

  • Estratégia de divulgação;

O povão só ouviu falar sobre o projeto, informações somente tiveram o pessoal especializado (que não é o foco), se querem popularizar a coisa tem que passar na grande mídia (leia-se criar um personagem na novela das 8 comprando o pc popular).

A Petrobrás gasta milhões de reais em propaganda sendo que ela não tem concorrência, porque não se faz uma propaganda maciça sobre o projeto na grande mídia com esse dinheiro? Ano após ano o governo seja de qual for o partido gasta nosso dinheiro se jactando sobre algo que não faz, enquanto projetos importantes ficam a ver navios à deriva de sua própria sorte.

Porque não ofereceram isenção fiscal para empresas de treinamentos formarem turmas especificas para o projeto?

Aliás as empresas só criam cursos para os programas mainstream, cursos são de MSWord e não "Editor de textos".

Uma política de criação de cultura em volta do projeto facilita a adoção do linux pela população leiga. 

  • Distro escolhida.

Nunca tinha ouvido falar em Metasys até semana passada, não tenho nada contra mas não queiram popularizar o linux com ela. Não da forma que está vindo. Como trabalho no setor público e sei que 99,9[dízima a perder de vista]9% das licitações são negociadas na surdina deveríamos investigar por quem e porque foi escolhido essa distro.

Onde está o XGL? duvido que alguem queira trocar o linux todo configuradinho com XGL num ubuntu abrindo qualquer tranqueira por uma midia pirata de um WinXP. 

Olhe que nem uso ubuntu, eu uso o debian-cdd-br, mas não vejo problema algum dos pcs do projeto virem com essa distro.

Temos que ver que o foco das pessoas é o usuário leigo, principalmente aquele que nunca teve contato com um computador, esse pessoal usa o computador como meio e não como fim (como nós).

Vão querer acessar o msn (eca, mas é a realidade), criar contas no orkut, navegar, abrir os anexos em formato MSOffice sem pensar duas vezes, jogar, e o que mais se puder imaginar… mas não só isso, os efeitos de última geração, o que meu vizinho-faz-vou-querer-fazer-tambem, usar a camera do meu tio estribado, comprar um iPobre para ouvir meus sertanejos no busão, entre outras coisas bacanas o linux faz da mesma forma senão melhor.

Se a distro não for uma popular com amplo suporte da comunidade o negócio não vai pra frente. Ninguem melhor para esse perfil hoje do que o Ubuntu (mais uma vez enfatizo que não a uso).

Enfim, a discussão é grande mas as ações precisam sair do papel, precisamos desse projeto por mais errado que tenha sido concebido. Que atitude tomaremos para impor a cultura livre de forma satisfatória?

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