Os liberais nunca se recuperaram da crise de 29. Deixando teorias da conspiração de lado, se os conservadores tivessem a planejado (apesar de forte influência do FED sobre a crise) eles teriam se surpreendido, porque o golpe foi certeiro, mortal. Até hoje o liberalismo está grogue, cambaleante, nada mais alienígena que um liberal discursando, parece que ele fala de outro mundo, de outro planeta, ficou vendo estrelas literalmente.

Quando me refiro a conservadores, não espero que todos sejam um Edmund Burke, assim como ninguém espera que todos liberais sejam um Mises e sim àqueles que compartilham de uma visão de mundo com essa ideologia.

Aliado Inoportuno

Após a crise de 29 o mundo deu uma guinada ao totalitarismo e intervenção estatal, países antes liberais como USA viraram uma social-democracia keynesiana e metade da Europa (na mais otimista avaliação) se tornou fascista ou ditaduras semelhantes, quando não pior como foi o caso do nazismo. Isso é natural na história, todos os regimes para se sustentarem no poder renegam o passado e fazem de tudo para associá-lo com o atraso.

A fragilidade do liberalismo romântico baseado no "Laissez-faire" afetou uma resposta adequada à crise, como explicar a quem perdeu tudo que o mercado se regula? Como pedir paciência para quem está com fome? Até hoje esse discurso ainda vigora no liberalismo e principalmente em países subdesenvolvidos como é o nosso caso, um liberal acredita realmente que consegue transmitir seja lá o que for a quem não tem o que perder?

O liberalismo, jogado a escanteio no início do século 20, se contentou em ser capacho dos conservadores, aqueles que adoram um estado pujante onde podem viver confortadamente no seu capitalismo abençoado que explora os menos abastados. Os liberais que se destacaram como Roberto Campos nada mais foram que executadores de agenda conservadora.

Assumimos uma agenda que não era nossa, nos desvirtuamos quanto aos aspectos sociais das relações humanas e ficamos em um lugar perdido entre o saudosismo do liberalismo clássico e a utopia de um mundo perfeito onde o mercado seria totalmente livre e coordenaria todos os desajustes com sua mão invisível.

Essa é a nossa tática, a tática do avestruz, enfiamos a cabeça no buraco utópico do liberalismo e esperamos que apenas o mercado livre resolva todas as relações humanas, como se um magnata com poder de decidir quem vive ou quem morre fosse sempre perfeito no seu juízo e só encontrássemos altruístas.

Essa bobagem de defender a democracia matou liberal, como se fosse uma maravilha perfeita, acima dos ideais humanos, onde se permite que qualquer atrocidade contra a liberdade individual em prol da "coletividade", esse apego ao suposto estado de direito é uma doença, veja onde vai parar o estado de direito com uma crisezinha na bolsa, deixe a massa ignara passar fome para ver quantas bastilhas são necessárias. Adotar a tática do avestruz é o que nos restou.

No final os conservadores ainda nos esculhambam por defendermos os direitos humanos e com vergonha assumimos a antipatia de medidas que nos afetarão na restrição de nossas liberdades.

Ao tentar responder a um social-democrata que acredita que o mercado livre não existe e que deve ser regulado com mão forte do governo para proteção de si próprio, o liberal não consegue responder em uma frase curta. Aliás, não menos do que citar 3 escolas, 10 autores diferentes, umas 15 obras e no final nem saber mais do que está se falando. Perdemos, temos que assumir a derrota e nos prepararmos para o admirável mundo novo.

Agenda socialista

Por mais inegável que o socialismo clássico bebeu da fonte humanista do liberalismo, os liberais ojerizam seu passado contestador e (r) evolucionário. Entregamos aos marxistas a luta pelo "social" e ficamos com o discurso alienígena de livre mercado, sequer teorizando como esse livre mercado resolveria os problemas clássicos das péssimas condições de vida que ainda passam um grande contigente em pleno século 21.

Lutamos contra a escravidão, a favor das liberdades humanas, teorizamos os direitos irrevogáveis dos homens mas hoje nos contentamos em discutir a taxa bancária, no máximo quanto seria o salário mímino para não onerar as contas públicas. Criamos o capitalismo que foi uma evolução ao modelo feudal obscurantista dominado por gente que se achava no direito divino de exercer sua intolerância e opressão e hoje defendemos um modelo caquético que protege os pilantras.

O discurso liberal anda tão fraco que ao ser questionado porque o capitalismo não resolveu os problemas da África, o liberal gagueja e adota a clássica estratégia do avestruz, nem se dar ao trabalho de evidenciar que o capitalismo passou longe daquele continente, que várias guerras civis foram entre "conservadores" e "socialistas", que liberal não faz guerra, ou pelo menos não devia.

Liberal defendendo o belicismo? Esse é o tipo de liberal de hoje.

Liberal defendendo o homofobismo? Esse é o liberal de hoje.

Liberal defendendo o combate ao tráfico de drogas? Esse é o liberal de hoje.

Liberal defendendo intervenção estatal? Esse é o liberal de hoje.

Liberal criticando movimentos sociais? Esse é o liberal de hoje.

Liberal criticando direitos trabalhistas? Esse é o liberal de hoje. (Não confundir direito com privilégio)

Os socialistas em geral se apegam a qualquer agenda que lhes favoreça, não é atoa que voce encontra um estado homofóbico em uma republiqueta de fachada dessas e defensores aguerridos contra a homofobia nas outras republiquetas que ainda não são socialistas.

Voce encontra fácil um grupo de socialistas defendendo a discriminação contra as drogas nos estados que são prospects socialistas e é punido com pena de morte nos que já o são.

Já o liberal moderno não, ele prefere se apegar ao livre mercado capitalista como se vivêssemos no século 19 ainda e adota o lema dos conservadores que se trabalhar forte e com garra voce consegue vencer na vida, simples assim.

Os Excluídos

Quer ver um liberal fazer análise é admitir que existem excluídos, é pecado discutir ou até aceitar que existem políticas públicas como saúde ou educação, como simplesmente uma massa de acostumados com o Wellfare State, mesmo que torto no nosso caso, fosse simplesmente abandonar a escola e a saúde pública onde sequer explicamos como eles se beneficiariam.

Não conseguimos criar um modelo que permita os excluídos se beneficiarem sem que os malandros oportunistas (que não são sequer excluídos) se apropriem e os políticos desviem os recursos destinados. Então o modelo continua apesar que achamos e creio que voces concordam que há algo de errado.

Existe um sentimento que algo está errado, um Bad Smell como dizem os estadunidenses (como os socialistas adoram chamá-los), mas não sabemos resolver esse estado errado.

A defesa das melhores condições de trabalho foi um ícone dos liberais nas disputas contra os conservadores, hoje se defende que o trabalhador deve estar a deriva de seus próprios extintos, como se a justiça sempre foi perfeita e um grande magnata será sempre punido caso esse descumpra o contrato de trabalho preestabelecido, convença a um trabalhador braçal de que é melhor para ele a possibilidade de ter que trabalhar 18 horas seguidas sem direito a férias. Quero só contar em quantas gargalhadas voce será escorraçado.

Livre Comércio

O discurso liberal do livre comércio é excelente para um camelô que vive à margem da sociedade, mas como ele vai entender que apesar das péssimas condições de atendimento no posto de saúde mais próximo ele vai ficar melhor com a saúde totalmente privada que não pode pagar?

Ele pergunta: "- Então é assim? Se por algum desastroso acaso do destino eu ficar um mês desempregado estou ferrado?" , eu respondo: É!

Não é atoa que não existam mais partidos liberais, não na defesa do liberalismo. Até mudar de nome estão mudando com vergonha dessa imagem.

Liberal não aceita sindicato, é por isso que os sindicatos no país viraram comitês de partidos marxistas das mais diversas classificações, eles pegam no pesado, eles "sujam" as mãos na lama das relações humanas apesar de que assim que chegam no poder, relegam esse passado, nós liberais relegamos antes sequer de ter um passado.

A defesa intransigente dos Tycoons modernos terem o direito de nos explorar é o calcanhar de aquiles do liberalismo, existe uma diferença enorme e perceptível que um vendedor de côcos na praia não é simplesmente um capitalista como um acionista do maior banco privado do Brasil, apesar de que semanticamente são. Os anarcos do início do século 20 já alertavam que apenas o livre mercado não conseguiriam conter a fúria desses magnatas, mas cadê um modelo alternativo?

Não é por menos que ser chamado de neoliberal virou palavrão pior que ter sua mãe esculhambada por prática daquela profissão tão antiga.

O socialismo moderno pode ser resumido ao marxismo,  uma mistura de teoria econômica dos liberais clássicos com filosofia de Hegel. O marxismo destruiu todas as outras formas de socialismos, como os anarquistas, impondo sua visão totalitária e corporativista sobre a liberdade individual. A única vertente do socialismo, o Fabianismo (que sobreviveu e se tornou a social-democracia), apesar de ter suas bases filosóficas no socialismo vou desconsiderá-los nesse post (mesmo que algumas partes se apliquem a eles tambem).

Os anarquistas começaram a destruir sua propria fundamentação lógica com o anarquismo corporativista que se misturou ao marxismo e resultou no anarquismo comunista e no sindicalista. Marxismo e anarquismo não tem nada em comum, uni-los é uma aberração.

Marx se negou a lançar a segunda versão de Das Kapital adiando por tempo indeterminado porque muitos já estavam destruindo suas teorias, Carl Menger lançou sua teoria do valor quando barbudo ainda era vivo. Eugen von Böhm-Bawerk refutou vírgula a vírgula o conceito do mais-valia já no início do século 20 mesmo assim precisou de décadas de horrores para acreditarem que as teorias marxistas são furadas apesar de escolas como a de Frankfurt. Já vi muitos marxistas achando que o mais-valia foi inventado por Marx, quando descobrem que Adam Smith já escrevia sobre isso por volta de 1 século antes eles tem uma síncope.

Por isso ao me referir a socialismo daqui por diante tenha na mente o marxismo.

Existem 3 tipos de socialistas:

  1. O ingênuo;
  2. O louco;
  3. O charlatão.

O ingênuo

O primeiro tipo vale a pena salvar, geralmente é socialista por ignorância, esse tipo desconhece o verdadeiro Marx e nunca leu mais que o manifesto, se lido Das Kapital todo não seria mais marxista, é gente que geralmente está entre os 15 e 30 anos e como dizia Wiston Churchill:

"Se nunca foi socialista aos 18 anos é um sem coração, se continua após os 30 é um sem cérebro".

Se voce continua socialista após a universidade voce geralmente saiu do tipo 1 e está no tipo 2 ou 3.

O louco

Os loucos não merecem atenção, esse tipo é quase irrecuperável, dificilmente voce conseguirá dialogar com esse tipo, eles se unem a qualquer ditador, cretino, sanguinário, terrorista ou belzebú que seja contra os USA, culpam o FMI pelo atraso do Brasil e chamam o FHC de neo-liberal, como eu disse: perca de tempo total!

É gente que frequenta o PSOL, o PSTU, o PCO e/ou cursa filosofia ou Ciências Políticas na USP. Não confudir com Professores da USP, esses são do terceiro tipo.

O Charlatão

Esse último tipo é gente como Marilena Chauí ou Emir Sader, Frei Beto ou Leonardo Boff. Gente que tenta reverter a lei da gravidade se isso lhes convir, são defensores de toda e qualquer liderança maléfica na humanidade se isso reverter ataques ao capitalismo, defensores do totalitarismo marxista, humanistas de araque que pregam o ódio e a violência se for contra os inimigos que eles assumem em suas ideologias, sabem muito bem que o marxismo é falho e tão imbecil quanto o nazismo e fascismo mas assim  mesmo tentam de alguma forma diferenciá-lo!

Para esse tipo somente a cadeia por charlatanismo.

Moro em um país considerado sub-desenvolvido, rico mas com grande parte da população vivendo abaixo ou na faixa da pobreza. Essa característica nos impede sempre de entrar para o seleto rol dos países desenvolvidos, porque carregamos um peso de culpa por políticas ou regimes passados, talves somente o índio no meio do Xingú consiga viver sem essa culpa que carregamos ao ver uma criança sendo usada pelos pais em um semáforo a pedir esmola trajada de vestes surradas e de aspecto animalesco!

Mas um dos problemas que nos aflinge e causa um círculo vicioso é o da ignorância, principalmente quando procuramos alguem para botar a culpa.

Falácias da culpa do nosso fracasso

O imperialismo. Volta e meia surge um candidato marxista que culpa os imperialistas e o capital estrangeiro como o culpados.Vem cá, Irlanda é imperialista? Nova Zelândia é? Austrália é? e o Japão que mal tem exército desde o fim da segunda grande guerra? Falácia deposta!

Nossa história como colônia de exploração é a causa do nosso fracasso. Essa é a mais simples de debater, uns afirmam que por não ter sido uma colônia de povoação como o Canadá ou Estados Unidos somos atrasados, nem preciso lembrar alguns que foram e são atrasados, vou ao contrário lembrar de um país que era uma ilha-prisão da coroa inglesa e hoje e exemplo ao mundo… Austrália!

Falta de educação. Com certeza a educação é importante e a mão-de-obra qualificada se faz necessária para o desenvolvimento de um determinado local, mas por si só a educação não é garantia de sucesso, vide Cuba e sua putas PhD de 10 dólares! Sem liberdade a educação não significa nada, o Brasil por exemplo está formando uma casta de analfabetos funcionais com a progressão escolar (agora o aluno não sai mais reprovado, é passado automaticamente), saber ler e escrever não significa ser alfabetizado.
… a lista de falácias se estende indefinidamente!

Mas não vamos perder tempo com isso mais, sabemos que o capitalismo venceu e a frase que todo mundo tem que saber é: NO FREE LUNCH!

Essa é a frase define como temos que pensar para deixar o capitalismo trabalhar por nós e conseguirmos “vencer”.

O milionário mora ao lado!

Um livro curioso que talves quebre o senso comum de como vive e quem é um americano milionário de verdade é esse “O Milionário Mora ao Lado” de WILLIAM D. DANKO e THOMAS J. STANLEY.

Vasculhei ontem meu acervo atrás de uma VOCESA de 98 que faz um review sobre o livro, a curiosidade maior é saber que apenas 3,5% dos americanos podem ser considerados milionários e dessa minoria 95% tem patrimônio líquido entre 1 e 10 milhões de dólares. Presume-se que aquela gente que passa no imaginário popular de milionário é minoria da minoria. Isso mata qualquer anti-americano do coração, se a população que vive próximo a linha da pobreza é minoria, e os milionários são tambem, podemos concluir que são uma grande classe média! Esse é um país que deu certo, sem babaquice, sem puxa-saquismo! Pode não ser o Paraíso, mas por isso que dezenas de cubanos enfrentam a morte na boca de tubarões do caribe em busca de serem oprimidos pelo capitalismo!
Voltando ao livro, fatos que tornam os milionários o que são:

  1. Não ostentam riqueza;
  2. Não trocam de carro há pelo menos 4 anos e 57,7% compraram caminhonetes americanas sobretudo Ford.
  3. Não usam Armani nem pagam mais que 400 Dólares num terno;
  4. Não compram rolex, no máximo 80 dólares num relógio;
  5. Não comem caviar (preferem sanduiche com refri) ;
  6. Mora na mesma casa há pelo menos 20 anos;
  7. A renda familiar é em média de 247000 ao ano;

Visitem os links e vejam a matéria, vou ver se compro o livro e esmiuçar por aqui mais desse estudo que levou 20 anos pelos autores.