Os liberais nunca se recuperaram da crise de 29. Deixando teorias da conspiração de lado, se os conservadores tivessem a planejado (apesar de forte influência do FED sobre a crise) eles teriam se surpreendido, porque o golpe foi certeiro, mortal. Até hoje o liberalismo está grogue, cambaleante, nada mais alienígena que um liberal discursando, parece que ele fala de outro mundo, de outro planeta, ficou vendo estrelas literalmente.

Quando me refiro a conservadores, não espero que todos sejam um Edmund Burke, assim como ninguém espera que todos liberais sejam um Mises e sim àqueles que compartilham de uma visão de mundo com essa ideologia.

Aliado Inoportuno

Após a crise de 29 o mundo deu uma guinada ao totalitarismo e intervenção estatal, países antes liberais como USA viraram uma social-democracia keynesiana e metade da Europa (na mais otimista avaliação) se tornou fascista ou ditaduras semelhantes, quando não pior como foi o caso do nazismo. Isso é natural na história, todos os regimes para se sustentarem no poder renegam o passado e fazem de tudo para associá-lo com o atraso.

A fragilidade do liberalismo romântico baseado no "Laissez-faire" afetou uma resposta adequada à crise, como explicar a quem perdeu tudo que o mercado se regula? Como pedir paciência para quem está com fome? Até hoje esse discurso ainda vigora no liberalismo e principalmente em países subdesenvolvidos como é o nosso caso, um liberal acredita realmente que consegue transmitir seja lá o que for a quem não tem o que perder?

O liberalismo, jogado a escanteio no início do século 20, se contentou em ser capacho dos conservadores, aqueles que adoram um estado pujante onde podem viver confortadamente no seu capitalismo abençoado que explora os menos abastados. Os liberais que se destacaram como Roberto Campos nada mais foram que executadores de agenda conservadora.

Assumimos uma agenda que não era nossa, nos desvirtuamos quanto aos aspectos sociais das relações humanas e ficamos em um lugar perdido entre o saudosismo do liberalismo clássico e a utopia de um mundo perfeito onde o mercado seria totalmente livre e coordenaria todos os desajustes com sua mão invisível.

Essa é a nossa tática, a tática do avestruz, enfiamos a cabeça no buraco utópico do liberalismo e esperamos que apenas o mercado livre resolva todas as relações humanas, como se um magnata com poder de decidir quem vive ou quem morre fosse sempre perfeito no seu juízo e só encontrássemos altruístas.

Essa bobagem de defender a democracia matou liberal, como se fosse uma maravilha perfeita, acima dos ideais humanos, onde se permite que qualquer atrocidade contra a liberdade individual em prol da "coletividade", esse apego ao suposto estado de direito é uma doença, veja onde vai parar o estado de direito com uma crisezinha na bolsa, deixe a massa ignara passar fome para ver quantas bastilhas são necessárias. Adotar a tática do avestruz é o que nos restou.

No final os conservadores ainda nos esculhambam por defendermos os direitos humanos e com vergonha assumimos a antipatia de medidas que nos afetarão na restrição de nossas liberdades.

Ao tentar responder a um social-democrata que acredita que o mercado livre não existe e que deve ser regulado com mão forte do governo para proteção de si próprio, o liberal não consegue responder em uma frase curta. Aliás, não menos do que citar 3 escolas, 10 autores diferentes, umas 15 obras e no final nem saber mais do que está se falando. Perdemos, temos que assumir a derrota e nos prepararmos para o admirável mundo novo.

Agenda socialista

Por mais inegável que o socialismo clássico bebeu da fonte humanista do liberalismo, os liberais ojerizam seu passado contestador e (r) evolucionário. Entregamos aos marxistas a luta pelo "social" e ficamos com o discurso alienígena de livre mercado, sequer teorizando como esse livre mercado resolveria os problemas clássicos das péssimas condições de vida que ainda passam um grande contigente em pleno século 21.

Lutamos contra a escravidão, a favor das liberdades humanas, teorizamos os direitos irrevogáveis dos homens mas hoje nos contentamos em discutir a taxa bancária, no máximo quanto seria o salário mímino para não onerar as contas públicas. Criamos o capitalismo que foi uma evolução ao modelo feudal obscurantista dominado por gente que se achava no direito divino de exercer sua intolerância e opressão e hoje defendemos um modelo caquético que protege os pilantras.

O discurso liberal anda tão fraco que ao ser questionado porque o capitalismo não resolveu os problemas da África, o liberal gagueja e adota a clássica estratégia do avestruz, nem se dar ao trabalho de evidenciar que o capitalismo passou longe daquele continente, que várias guerras civis foram entre "conservadores" e "socialistas", que liberal não faz guerra, ou pelo menos não devia.

Liberal defendendo o belicismo? Esse é o tipo de liberal de hoje.

Liberal defendendo o homofobismo? Esse é o liberal de hoje.

Liberal defendendo o combate ao tráfico de drogas? Esse é o liberal de hoje.

Liberal defendendo intervenção estatal? Esse é o liberal de hoje.

Liberal criticando movimentos sociais? Esse é o liberal de hoje.

Liberal criticando direitos trabalhistas? Esse é o liberal de hoje. (Não confundir direito com privilégio)

Os socialistas em geral se apegam a qualquer agenda que lhes favoreça, não é atoa que voce encontra um estado homofóbico em uma republiqueta de fachada dessas e defensores aguerridos contra a homofobia nas outras republiquetas que ainda não são socialistas.

Voce encontra fácil um grupo de socialistas defendendo a discriminação contra as drogas nos estados que são prospects socialistas e é punido com pena de morte nos que já o são.

Já o liberal moderno não, ele prefere se apegar ao livre mercado capitalista como se vivêssemos no século 19 ainda e adota o lema dos conservadores que se trabalhar forte e com garra voce consegue vencer na vida, simples assim.

Os Excluídos

Quer ver um liberal fazer análise é admitir que existem excluídos, é pecado discutir ou até aceitar que existem políticas públicas como saúde ou educação, como simplesmente uma massa de acostumados com o Wellfare State, mesmo que torto no nosso caso, fosse simplesmente abandonar a escola e a saúde pública onde sequer explicamos como eles se beneficiariam.

Não conseguimos criar um modelo que permita os excluídos se beneficiarem sem que os malandros oportunistas (que não são sequer excluídos) se apropriem e os políticos desviem os recursos destinados. Então o modelo continua apesar que achamos e creio que voces concordam que há algo de errado.

Existe um sentimento que algo está errado, um Bad Smell como dizem os estadunidenses (como os socialistas adoram chamá-los), mas não sabemos resolver esse estado errado.

A defesa das melhores condições de trabalho foi um ícone dos liberais nas disputas contra os conservadores, hoje se defende que o trabalhador deve estar a deriva de seus próprios extintos, como se a justiça sempre foi perfeita e um grande magnata será sempre punido caso esse descumpra o contrato de trabalho preestabelecido, convença a um trabalhador braçal de que é melhor para ele a possibilidade de ter que trabalhar 18 horas seguidas sem direito a férias. Quero só contar em quantas gargalhadas voce será escorraçado.

Livre Comércio

O discurso liberal do livre comércio é excelente para um camelô que vive à margem da sociedade, mas como ele vai entender que apesar das péssimas condições de atendimento no posto de saúde mais próximo ele vai ficar melhor com a saúde totalmente privada que não pode pagar?

Ele pergunta: "- Então é assim? Se por algum desastroso acaso do destino eu ficar um mês desempregado estou ferrado?" , eu respondo: É!

Não é atoa que não existam mais partidos liberais, não na defesa do liberalismo. Até mudar de nome estão mudando com vergonha dessa imagem.

Liberal não aceita sindicato, é por isso que os sindicatos no país viraram comitês de partidos marxistas das mais diversas classificações, eles pegam no pesado, eles "sujam" as mãos na lama das relações humanas apesar de que assim que chegam no poder, relegam esse passado, nós liberais relegamos antes sequer de ter um passado.

A defesa intransigente dos Tycoons modernos terem o direito de nos explorar é o calcanhar de aquiles do liberalismo, existe uma diferença enorme e perceptível que um vendedor de côcos na praia não é simplesmente um capitalista como um acionista do maior banco privado do Brasil, apesar de que semanticamente são. Os anarcos do início do século 20 já alertavam que apenas o livre mercado não conseguiriam conter a fúria desses magnatas, mas cadê um modelo alternativo?

Não é por menos que ser chamado de neoliberal virou palavrão pior que ter sua mãe esculhambada por prática daquela profissão tão antiga.

Existem basicamente 3 tipos de pessoas no que se refere a planejamento de ações em comunidade:

Aqueles que fazem

Esse é o tipo especial de pessoas, são em número restrito, minoria das minorias (por isso que são tão especiais) .

O sucesso de qualquer organização depende exclusivamente dessas pessoas, por serem tão especiais sua descoberta é prejudicada pela inveja das demais e seu resultado é obfuscado pela inoperância dos outros tipos.

Parece ser óbvio sua importância, mas a realidade é cruel, elas as vezes até ficam sem os devidos créditos de suas ações.

Aqueles que falam

Geralmente são pessoas utópicas e sonhadoras, atrapalham mais que ajudam, mas são importantes para formar a base intelectual e compor o planejamento já que as que fazem estão trabalhando e pegando no pesado (e por muitas vezes acabam relegando cronogramas e burocracias).

Aqueles que atrapalham simplesmente

Antes de qualquer coisa: "ISOLE ESSA GENTE, ESCARRE, JOGUE PEDRA!"

Esse tipo de gente nem deixa os outros falarem nem fazerem, são atrapalhadores natos, burocracia é seu nome.

Sua tática geralmente é lançar várias propostas beirando ao ridículo de tão impossíveis logisticamente (pelos que fazem evidente), propor soluções sem nexo, criticar todas as propostas que não são suas e nunca comparecer no trabalho efetivo.

Esse pessoal ainda por cima de tanto fazer ruído fica com os créditos da glória ou no mínimo com a pecha de "organizadores" porque seus nomes aparecem em tudo que é papel, email ou propaganda.

Se voce ver alguém propondo assembléias, reuniões em demasia, atas até da compra de um pirulito, apoio político e CNPJ para listas de discussão, desconfie.

O primeiro passo para o sucesso de um evento é eliminar fisicamente esses indivíduos (estou falando de isolar e não matar, apesar da vontade) .

No planejamento

Sempre quando for planejar um evento qualquer, meça o índice Milfont de produtividade dos participantes.

Divide o número de ações pelo número de propostas, onde propostas seja um número superior a 0. Se o resultado for um número acima de 0, esse indivíduo é ativo, no mímino não compromete o sucesso do evento. Se o resultado for negativo, isole para os eventos futuros. Caso ele não propôs nada e executou ações e ajudou o evento, trate-o com mimos e coloque na primeira fila da sua agenda para os próximos eventos.

Fórmula: M = A / P > 0

M = indice Milfont,

A = Ações,

P = Propostas,

Exemplo, se o sujeito lançou duas propostas e cumpriu as duas, ele ficou com 1, então está bom, com 100% de execução, se tivesse cumprido apenas uma das propostas estaria com 50%, 0,5 é ainda um número bom. Como eu disse, o importante é ser acima de 0, nem que seja 0,001.

Vocês sabem quem fica com número abaixo de zero, todo mundo conhece um participante do seu grupo nessa categoria, mas a plebe ignara não, então trate de isolá-lo.

Um dos assuntos corriqueiros que volta e meia surgem em fóruns ou listas de discussões é o surgimento de uma linguagem "x" ou súbito interesse sobre ela por parte da mídia especializada.

Tomem como exemplo o Ruby, desde meados da década de 1990 que a linguagem existe, mas somente com o surgimento do "Ruby on Rails" que a linguagem alçou ao posto de "destaque do ano", isso como algo por volta de 10 anos depois de sua criação. Subitamente os velhos Rubistas se viram lado a lado com centenas de joviais newbies insuflando a gordura normal que toda tecnologia candidata a Hype provoca.

Mas a atenção atraiu hackers que antes estavam apenas com Python, Perl, Lisp ou outra linguagem não "Enterprisey". Assim como também atraiu boa gente de Java e C#.

Brigas desnecessárias já foram travadas entre Java vs Perl, Java vs Python, Java vs C#, Java vs Lisp, etc. (Me refiro especificamente sobre Java porque acompanho mais de perto o Java, mas aconteceram e acontecem brigas entre as outras também). Ultimamente acompanhamos discussões entre Java vs Ruby.

A bala de prata

Sempre que uma tecnologia tem maior "Market Share", ela será alvo das críticas principais, assim foi com o Delphi e VB quando o Java pretendia ser a líder de mercado, lembro que todas as críticas eram destinados a essas duas plataformas, o pessoal de Perl e Java eram até aliados na guerra contra VB nessas horas.

Mas linguagens são criadas e pensadas para resolverem problemas especificos ou voltadas a trabalhar em um contexto especifico, seja ele necessitário ou mercadológico.

Dificilmente voce conseguirá desenvolver toda e qualquer aplicação em apenas uma linguagem ou plataforma, mas isso não quer dizer que uma aplicação fica melhor com Java ou com C#, porque ambas praticamente são do mesmo contexto, não é essa diferença que enfatizo, e sim se o contexto favorece a determinada linguagem.

Eu fui infelizmente um defensor dos monoglotas, até o início de 2005 eu praticava apenas Java e via com maus olhos toda e qualquer linguagem pelo simples preconceito, na verdade era mais  uma discriminação por autodefesa. E olhe que conheci Clipper, C e Pascal na faculdade, trabalhei com Delphi um tempo e tinha um bom conhecimento com Javascript(pelo menos eu achava). Não sou psicólogo mas imagino que eu me apavorava com a possibilidade de ter que reaprender toda a sintaxe de uma nova linguagem, novos frameworks, novas APIs e tudo mais. Olhe que estávamos ainda no auge do Struts-like.

Admirável mundo novo

Com o surgimento do Ajax e consequentemente a popularização do Javascript como linguagem OO, me especializei a fundo na ECMA-262 como tinha feito com o Java mas nunca com outra linguagem. 

Esse novo mundo que conheci me trouxe mais dúvidas do que certezas. Assim como voce só aprende inglês se submergir na cultura de Shakespeare, voce só aprende uma linguagem de programação se penetrar no contexto ao qual ela foi pensada para sua concepção.

Como entender Closures quem vinha de Java?

A tendência natural era achar que era a mesma coisa de "Inner Classes". Quando voce realmente entra no contexto, as nuances antes não percebidas quase magicamente saltam aos olhos.

Como falei em um post anterior, se voce que faz um curso regular em uma Faculdade de Ciência da Computação e aprende a construir uma linguagem, aprender várias linguagens é algo singelo.

Como soluciona isso?

No estudo do Javascript como linguagem orientada a objetos (e não mais uma auxiliar para formatação de data e validação de inputs HTML), me deparei com contexto inéditos para mim, e problemas antes sequer diagnosticados.

Isso me provocou a natural curiosidade nerd de conhecer outras linguagens, pelo menos teoricamente.

Conceitos como Closure, Currying, Continuation, Design By Contract, Actor model, Lazy evaluation, Tail recursion, Quine e tantos outros (só para citar algumas features de algumas  boas linguagens) voce não conhecerá na faculdade, e imagino que nem na pós e nos mestrados da vida. Devo admitir que nem haveria espaço para tanto, a faculdade (como sempre enfatizei) é apenas um local para socialização, algo como: "entre um networking e um fórum".

Solucionar um problema não é conhecer sua resposta e sim as perguntas necessárias, conhecer antes de tudo a pergunta certa. Eu posso criar uma aplicação qualquer em java, isso vai me custar uma quantidade "y" de recursos, com a plataforma/linguagem "z" eu construiria em "y/2" dos recursos.

Quantas linguagens voce está disposto a aprender?

Conhecer outras linguagens é conhecer outras culturas, é abrir mais uma janela para o conhecimento.

"Infomação não é conhecimento, conhecimento não é sabedoria…" [Frank Zappa]

Concordo com o Zappa, a sabedoria está mais ligada à capacidade de responder a um determinado questionamento do que simplesmente a ter mais informações. Mas uma informação é crucial para determinar o rumo de uma investigação, quando voce está planejando a resolução de determinado problema, quanto mais subsídios puderem embasar sua avaliação, melhor.

Em outras palavras, se voce conhece mais culturas, voce tem a chance de encontrar não somente uma resposta ao problema, mas sim a melhor resposta. Vou mais além, poderá até diagnosticar o problema, antes de sequer ser sabido.

Selecionei as linguagens que pretendo aprender por contexto, como prototype-based (IO, Self, Lua e Javascript) , Funcionais (Erlang, Scheme, Haskell) e assim por diante, não me preocupo com sintaxe ou decorar APIs, mas como e porque elas foram desenvolvidas. Pode ser que eu nunca as use em algo, quem sabe, mas no mímino me abrirá a mente para enfrentar os problemas do cotidiano com mais tranquilidade.

Hoje li esse post do Daniel Q. Oliveira no meu reader sobre essa discussão no GUJ. Interessante porque me faz refletir esse momento que estou vivendo, acompanhem porque pode se traduzir em novos posts de gente que tem sempre muito a compartilhar, só feras na discussão.

No século 18 Adam Smith escreveu:

"It is not from the benevolence of the butcher, the brewer, or the baker, that we expect our dinner, but from their regard to their own interest…"

Transcrito ao português:

"não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu próprio interesse

No século 19 Mikhail Aleksandrovitch Bakunin escreveu:

"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.

No século 20 Ludwig Von Mises escreveu:

"Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias."

Isso é Brasil 

Em pleno século 21, na era da tecnologia, do desenvolvimento humano, no Brasil ainda acreditam que o governo (seja ela qual for) é o responsável pelo nosso desenvolvimento e por consequência um aumento no IDH.

Figuras como essa ainda pensam dessa forma:

"A revolução não pode parar"

Quantos ainda precisam morrer para afundar esse conceito de revolução?

Me citem uma única revolução que não tenha produzido mais catástrofe e/ou matança?

Quem me dera uma esquerda civilizada nesse país, seja lá o que significa esquerda ou direita depois da queda do muro. Como não voto nem nunca votei em ninguem da suposta direita me resta ficar com coluna do meio.

Brave New World (Admirável mundo novo) de Aldous Huxley é um daqueles livros distópicos que mostra uma sociedade totalitária onde o ser humano é condicionado conforme o bel-prazer de uma casta que domina politicamente os demais e tratado como um animal coletivo tal qual pertecente a colônia de cupins, formigas ou abelhas. Todas as caracteristicas individuais e humanas são substituidas pelas normas ditadas pelos representantes da colônia.

Huxley sempre teve esse caráter distópico em suas obras, na obra The Human Situation (A Situação Humana, ensaios), temos um farto material sobre educação com essa visão literária que lhe é peculiar tornando fonte excelente para analogias com a situação atual. Huxley afirma:

"Como todos sabemos, aprender pouco é algo perigoso. Mas o excesso de aprendizado altamente especializado também é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco. Um dos principais problemas da educação superior agora é conciliar as exigências da muita aprendizagem, que é essencialmente uma aprendizagem especializada, com as exigências da pouca aprendizagem, que é a abordagem mais ampla, mas menos profunda, dos problemas humanos em geral."

Aldous Huxley estava preocupado com os rumos que os cursos superiores tomaram, criando cursos altamente especializados e esquecendo o compartilhamento que as áreas tinham entre si e a importancia que esse compartilhamento provocava sobre sua própria evolução. Uma preocupação válida mas inócua se tivessemos controle sobre o que aprendemos, porque a educação é algo pessoal, estimulada não só pelos fatores externos mas filtrada pelas aptidões.

Huxley estava antecipando o que o academicismo de sua época provocaria na educação por querer moldar o ser humano sob sua vontade.

Se observarmos como o MEC e a sociedade em geral considera ser a "boa educação", aquela onde o aluno é obrigado a cursar um determinado números de cadeiras e uma determinada grade curricular, podemos ligar essa citação com a situação atual. A universidade brasileira encara o aluno como um ser coletivo (ou um "Novo Homem" como queriam os nazistas), moldado sob sua vontade, onde suas aptidões seguem um ritual geral e suas características pessoais são irrelevantes. Temos uma educação superior que dita as normas necessárias sobre o que devemos ou não aprender.

Dentro desse cenário nunca teremos um DaVince (aquele que desenhava um circulo perfeito sem auxilio de ferramentas) ou sequer um Newton se não desobecerem a esse "Status Quo". Existe um academicismo imbecil que estigmatizaria um Faraday por ser autodidata e o consideraria inferior por não ter um diploma superior.

Um exemplo desse Ad Hominem institucionalizado é o caso do PhD em física pelo MIT que foi recusado na UFRJ porque não tinha o diploma de graduação.

Esse academicismo é o mesmo que tolera um analfabeto na presidência da república  (analfabeto por se orgulhar em ser iletrado) mas repudia quem não tem o curso superior.

Uma pergunta que deixo, tem sua resposta autocontida após a leitura desses livros: porque o número de abandono de cursos é alto e tantos trocam de curso no caminho?

Steve Jobs, em discurso durante formatura na universidade Stantford fala que nunca teria chegado aonde chegou se não tivesse largado a faculdade e continuado na universidade por mais 18 meses frequentando somente os cursos que o interessavam.

Voltando a Aldous Huxley ele afirma: 

(…) O que precisamos fazer é arranjar casamentos, ou melhor, trazer de volta ao seu estado original de casados os diversos departamentos do conhecimento e das emoções, que foram arbitrariamente separados e levados a viver em isolamento nas suas celas monásticas. Podemos parodiar a Bíblia e dizer: "Que o homem não separe o que a natureza juntou"; não permitamos que a arbitrária divisão académica em disciplinas rompa a teia densa da realidade, transformando-a em absurdo." 

Nesse trecho vamos a uma grande discussão: "Especialização Vs Generalização". Mas podemos ir além e propor porque um estudando deve obedecer a determinada diretriz sobre quais cadeiras ele deve cursar. Devo eu me especializar em determinado assunto ou adquirir uma formação mais ampla e genérica? Essa é uma pergunta onde a resposta somente o próprio estudante encontrará.

Mas cabe a alguém decidir que caminhos temos a seguir senão a nós mesmos?

Caráter Autoritário

O brasileiro se acostumou ao autoritarismo de tal modo que está entranhado ao seu  estilo de vida de forma imperceptível.

Em recente tópico numa lista de discussões voce pode observar como a reserva de mercado por meio de instituições como conselhos e afins é bem visto por uma parcela que se ortoga no direito de dizer quem pode ou não desempenhar determinada função por possuir um diploma.

Se um curso superior em sua essência não garante a reserva de mercado a seus estudantes em determinada área, necessitando de uma instituição a parte como um conselho, então temos um problema sério.

Intellectuals

Charlatanismo

Temos uma profusão de doutores aparelhando o ensino superior que mal durariam na selva do mercado senão pela mão amiga do estado.

Temos o Emir Sader (Emir Sádico) que escreve "Getulho" sendo formado em filosofia e atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia, ironicamente um curso da área de humanas que teoricamente deveria ser exemplo de correção literária.

Marxista como Sader não é de se admirar que seja incoerência em pessoa, seu ídolo maior, Marx, foi o pai intelectual do charlatanismo. Karl Marx quando investigava os Blue Books ingleses atrás de dados que colaborassem com suas teorias descobriu que a situação dos trabalhadores ingleses tinha melhorado ao invês do que ele supôs, então disfarçadamente ele fez seus cálculos em dados de 30 anos antes daquele período. Essa história voce encontra na obra "Intellectuals" de Paul Jonhson.

Podemos ver em outras áreas como a exigência de certificados transformam o homem em um produto normatizado, em um artigo anterior eu falava sobre o desdém de algumas empresas sobre a experiência.

Salvação do mundo

Certa ocasião vi um depoimento de uma pessoa que alertava sobre o problema de analfabetos votarem, que somente aqueles que tem nível superior seriam capazes de discernimento sobre política e como escolher nossos representantes.

Vale ressaltar a quem pensa dessa forma que os maiores genocidas da história saíram da universidade, Pol Pot (elogiado por Sartre na Europa e por Noan Chomsky nos USA) antes de exterminar seus conterrâneos em tempo de paz foi formado na Sorbonne, Lenin teve a melhor educação que alguem poderia receber, Hitler fez parte do curso de artes da universidade de Viena. Enfim, nível superior não dá garantia de humanismo nem discernimento.

Alguns jornalistas (sic) propuseram a criação de um conselho para permitir que somente pessoas formadas no curso de jornalismo poderiam exercer a profissão, eles não conseguem entender que o mundo mudou, tão pouco admitem a idéia que a evolução do compartilhamento da informação desafia a guilda estabelecida.

O jornalista Janer Cristaldo até publicou um artigo bem interessante sobre o que é ser um jornalista. 

Meritocracia

Seria impossível um Amador Aguiar surgir hoje em dia e criar um Bradesco, primeiro porque ele sequer conseguiria uma vaga como contínuo por ter somente o primário completo. Não estou me referindo a empreendedores como o vice presidente da república que construio um império empresarial sem nível superior, mas àqueles que por determinação e aptidão são capazes da proeza de crescerem em uma profissão sem obrigatoriamente possuírem um curso superior. Exemplos seriam diversos.

Ou o Brasil acorda dessa cultura de imbecil-coletivo ou continuaremos ad infinitum com o Febeapá.

« Previous PageNext Page »