Quanto vale a experiência?
Categories: Blogosfera, Filosofia, Tecnologia
-
Conversando hoje no GTalk com o motivador do meu post sobre currículos entramos no campo das certificações. Ele se queixava que já foi dispensado ou deixado de lado por não ter certificações java, enquanto ele me dava a noticia de um conhecido que mal tem um ano na área (mas já certificado), ter conseguido furar a fila em determinada empresa grande (para os padrões nativos) aqui em Fortaleza.
Eu me pergunto o que um empregador ainda quer além das 15 páginas do currículo do meu amigo. Será que os anos de experiência dele não substituem as certificações?
Eu sou o primeiro a indicar certificações para quem está começando na área e quer ter o que colocar no currículo. É um diferencial na contratação, entre um estagiário certificado que sabe o bê-a-bá comprovadamente e um que tem só um sorriso alegre prefiro o candidato com o certificado. Mas em tempo algum eu colocaria um cara experiente em segundo plano.
Eu mesmo abandonei a faculdade lá por volta de 2002 e retomei esse ano porque já me disseram que aqui no Brasil eu não tenho chance, assim na cara dura… "- eh! até que voce tem potencial, poderia ocupar o cargo mas sem nível superior… humm!"
Ainda bem que essa empresa faliu, não sou vingativo mas que dá um gostinho de sangue na boca, ah! Isso dá.
O que a faculdade tinha pra me oferecer? Absolutamente nada, nunca consegui um emprego "por ela", e sim por apenas "estar nela". O mundo acadêmico é importante não só pelo lado dos relacionamentos que voce cria, mas pelo ar de pesquisa e curiosidade que o ambiente propicia. Mas que o sistema educacional brasileiro castra.
Voltei para a faculdade apenas pelo certificado, simples assim, só por isso.
Tive a felicidade de começar como estagiário em uma empresa boa que me deu grandes oportunidades de conhecimento. Meu chefe direto era um cara muito experiente e sem ser preso a modismos e bobagens. Aprendi muita coisa com ele, quanto valia o conhecimento dele? Difícil de imaginar.
Lembro que eu me enrolava em bobagens (bobagens hoje) e que ele só dava uma olhada e resolvia, as vezes nem sentava, outras vezes selecionava tudo, apagava e mandava eu fazer de novo com calma.
"- mas porque voce apagou?". Lembro sempre desse diálogo.
"- para voce não querer consertar algo que está errado desde o inicio". Ele respondeu.
São coisas assim que me pergunto como avaliar e receitar um preço. Desconheço um preço justo, no mais podemos apenas recompensar com o que podemos.
Certa vez uma pessoa estava enrolada aqui porque um script funcionava no Firefox e não no Internet Explorer, só em bater o olho vi que na função que se estava sendo criada havia uma vírgula após o último parâmetro sem nada após, mais ou menos assim:
…
var callback =
{
success: function(o) {/*success handler code*/},
failure: function(o) {/*failure handler code*/}, // o erro está nessa virgula
}
…
Isso funciona que é uma beleza no Firefox mas não no IE, não tinha passado por isso, mas esse caso é um daqueles famosos "bad smell" que só de voce olhar voce ver o erro, mas quem não tem experiência com javascript leva um certo tempo que pode variar entre horas e dias. Quanto vale o tempo perdido? voce pode calcular pelo salário de quem faria em poucos minutos ou estantaneamente?
Experiência não é apenas tempo de vida em determinado assunto, e sim o acúmulo de conhecimento relevante que foi adquirido. Conheço gente "velha" que não tem lá muito a oferecer, mas é simples de detectar, é só observar se essa pessoa se reciclou, se adquiriu a capacidade de inovação nos locais onde passou. Se voce apenas cumpriu o horário de trabalho durante todos esses anos voce será detectado facilmente em uma boa entrevista discontraída e investigativa sobre o que fizeste onde passou.
Fico triste em saber que existe "política" de contratação baseada apenas em títulos.


(4 votes, average: 4.25 out of 5)
