Diálogo sobre a fé

Diálogo com um amigo, cristão fervoroso, que trabalha aqui comigo:

Amigo: – Você assistiu Tróia? (perguntando sobre o filme com Brad Pitt em uma conversa sobre cultura helênica).

Eu: – Sim, achei muito bom como entretenimento.

Amigo: – Você não achou muito exagerado os fatos sobre Achilles?

Eu: – Não, aliás achei meio tímido, pela mitologia Achilles era mais macho, talves algo como um Arnold no papel.

Amigo: – Você acredita que ele foi assim mesmo como contaram?

Eu: – Claro, porque não?

Amigo: – Muito exagero.

Eu: Christo não andou sobre as águas e fez voltarem dos mortos?

Amigo: – Háaaaa, mas aí é religião, é outra história.

Eu: – e Achilles não fazia parte da religião dos gregos? para eles é a mesma coisa, se eu acredito em Christo, e acredito, acredito em tudo que os historiadores, como Homero, contaram sobre Achilles.

Amigo: – Háaaa, mas não dá para comparar.

Eu: – Why?

Amigo: – Porque não dá, é a fé.

Eu: – então tá, rodou o processo? gerou o arquivo já?

Amigo: Já, vamos já ver se a execução rodou sem warnings…

Segue a bela manhã de sol 🙂

Brasileiro não lê

Dizer que o brasileiro não lê pode parecer insolência de quem quer ser do contra, afinal todos os anos as editoras vendem milhares de livros… aos governos.

Bienais e feiras tentam mostrar que o brasileiro é um ser culto, comprador de livros por mais que os gringos dizem não vê ninguém com livros nos aeroportos brasileiros.

Hoje tive uma discussão com um amigo que afirmava que o americano é um povo inculto e imbecil. Imbecil de nada posso falar, mas inculto comparável com o brasileiro (já que é o único padrão que tenho de comparação) acho complicado tal afirmação. Digo isso porque o acervo na lingua inglesa de livros não encontrados em portugues é uma coisa estúpida, tamanha a diferença de disponibilização.

Agora a tarde tive o desprazer de procurar por obras de figuras clássicas como Plutarco e Xenofonte e vejo na prática como o brasileiro é um povo que não lê, o melhor índice que poderíamos obter para saber se um povo se instrui, é saber quantos livros diferentes tem em suas bibliotecas, já que a demanda provoca a oferta.

Quase nada se encontra fora do básico cobrado em vestibular, Aristóteles é fácil achar, mas Xenofonte é um tremendo vazio, tente encontrar a obra principal desse último, o ISBN no amazon é 1425000665, vi que não há tradução dessa versão. Não achei outra compilação em nenhuma livraria local, e em nenhum portal das grandes livrarias que possuem e-commerce. Talves ache no centro, naqueles sebos que bem conheço, o problema é encontrar um tempo para sair das rotas tradicionais.

O problema do Brasil é ainda maior no campo de pesquisa e inovação, o que encontramos é tradução, não obras originais. Precisamos de autores que chafurdam sobre um determinado assunto ou autor e produzem uma obra pelo menos legível sem cair no sono, estamos precisando de cultura, se as universidades públicas fizessem livros ao invés de greves seria melhor, das privadas nesse país não espero nada já que o modelo é de balcão de vendas de diplomas.

Como compro livros para disponibilizar para a família toda, estou pensando seriamente em pagar um curso de inglês aos entes queridos para que possam conseguir leitura de certas obras.

O que me incomoda no filme 300

Todo mundo nesse planeta já resenhou o filme 300 , para mim todos tem razão, desde os que torcem o nariz pelos " desvios "
históricos, aos que acharam o filme delicioso, mesmo com Rodrigo Santoro retratado como uma "Drag" no papel de
um dos maiores imperadores
que esse planeta já viu reinar.

Mas não quero falar sobre o filme que particularmente adoro, apenas sobre um ponto que me causa insônia desde a primeira ves que assisti, entre as 47 vezes.
Porque diabos inventaram aquela cena onde a Rainha Gorgo (estrelado pela deliciosa Lena Headey ) se oferece em troca do apoio quando discussasse na Gerúsia a favor que Sparta apoiasse o marido na batalha das termópilas? pior ainda foi ser acusada de traição ao marido por um dos membros, o que a comeu.

O problema para mim não é ela ter se oferecido, apesar que isso não existiu ou se existiu nenhum historiador deu atenção, mas sim o aspecto como a coisa foi feito, pelo que me consta era comum as mulheres espartanas trocarem favores sexuais com outros homens que não seus maridos, aliás eram iniciadas com escravos para ir esquentando os motores para um casamento feliz.

Porque esse puritanismo cristão inserido em um enredo grego (por mais que sofresse distorção histórica em nome do entretenimento)?

Como se as mulheres espartanas precisassem pedir autorização sequer a seus maridos para copularem com outros homens.

Esse sim era um povo livre por mais que pertencessem ao estado.