Richard Stallman não é a favor de regime cubano

AT – Em sua visita a cuba você disse que o país é um lugar propício para o fomento do software livre. Mas o país é o único latino-americano presente na lista dos 13 “inimigos da internet”, divulgada pela ONG Repórteres sem Fronteiras; O que você acha das restrinções à liberdade de informação em países como Cuba, China e Egito?
RS – Eu não disse isso, queria que você me desse o endereço do lugar que você viu isso para eu mandar uma carta reclamando. Eu disse que, em Cuba, não passa nem pela cabeça das pessoas pagarem por um software, porque não há venda de softwares por lá. Eles têm algumas liberdades, a de trocar com seus amigos, por exemplo, mas não têm outras, a de estudar o código. Cuba não respeita a liberdade e eu sou contra isso. Mas continuo trabalhando pelos software livres com países que não respeitam a liberdade, seja ele Cuba ou EUA.

Fonte: “O software livre é resultado de um sistema social ético” em Blog do Dez! (não descobri como capturar o permalink da entrevista nesse blog)

Esse post é uma homenagem a todos meus amigos que insistem que o doido do RMS aprova o regime cubano que impede que as pessoas decidam suas próprias vidas.

O fim do jornalista analógico

O jornal cearense OPOVO está fazendo uma enquete com a pergunta "Você acha que os blogs são fontes de informações confiavéis?"

Essa é a pergunta mais estranha que vi nos últimos tempos. Apesar do Hélcio ter dado várias explicações sobre o fenômeno, eu tenho apenas uma: "A geração analógica sofre para entender a geração digital".

Eu poderia passar parágrafos inteiros explicando que as informações podem ser tão confiáveis quanto as de uma jornal tradicional, falar que o mundo civilizado já pauta sua imprensa pela participação dos blogs ativamente na disseminação das informações, que a cobertura agora é mais rápida pela blogosfera, etc… etc… etc…

Mas isso tudo é enfadonho, peguemos a reportagem da minha entrevista para o OPOVO impresso no dia 05/11/2007 que estava ligada ao Blogcamp-CE. Além de terem escrito meu nome de forma errada, um erro primário no endereço do meu blog (www.milfont.org.blog ?), cortaram algumas frases dentro de contextos que mudaram totalmente o sentido, como o último parágrafo:

"Penso que saber o que os blogueiros acham, suas opiniões. O evento promete concentrar os melhores blogueiros do Ceará", diz.

"Diz" o caralho, alguém entendeu o que eu disse? Nem eu! Porque eu não disse isso, aliás cortaram tanto que eu sequer sei do que está sendo tratado nesse parágrafo.

Se um dos jornais mais importantes do Ceará, o primeiro ou segundo lugar, faz uma monstruosidade dessas em uma entrevista trivial dentro do cenário blogueiro, imagina o que podem fazer em outras áreas como política, segurança, opinião.

Uma matéria antes de ser publicada passa por várias mãos, do repórter ao editor, além de revisores. Não dá nem para culpar o repórter, porque sei que minha repórter não faria isso, confio nela. Mas eu poderia muito bem dizer que por causa disso não confio nos jornais, só que é mentira, confio absolutamente. Assim como confio absolutamente em um blog.

Eu sempre acredito em tudo que leio, só não saio divulgando, antes passo pelas referências, se não existem eu procuro em um indexador. Daí descubro em poucos minutos se aquilo é real ou se é um "fake".

Pois bem, eu falei que isso tudo é culpa da cultura analógica. Quantas pessoas você conhece que preferem livros impressos? São quase as mesmas que preferem papel a ler no PC. O jornal digital não pegaria por aqui, temos uma cultura analogica tradicional. A pergunta no OPOVO em sua enquete está ligada mais ao medo que os jornalistas analógicos tem dos jornalistas digitais, nem tanto pelos blogueiros em si porque ninguem tem medo de amador. Por mais que os amadores tenham acesso a produção de informação e algumas viúvas de guildas proponham mais controle pelos sindicatos, o que amedronta mesmo os jurássicos é um dia terem que se preparar para enfrentar os digitais, os profissionais digitais.

O Paulo Henrique Amorin falou certa vez em entrevista que as pessoas não estão preparadas para selecionarem o que querem ler, isso causou revolta em muitos digitais, mas ele estava certo. As pessoas AINDA não estão preparadas para produzirem informações, sequer selecionarem o que querem consumir.

Mas isso está mudando, cada morto da geração analógica, um da digital impõe sua visão. É questão de tempo até os jurássicos analógicos serem extintos, a estratégia é: se a própria natureza cuidará disso; ou se contribuiremos para agilizar o seu desaparecimento.

BlogCamp-CE! Aqui vamos nós!

Acontecerá no próximo final de semana, dias 10 e 11 (sábado e domingo respectivamente), o BlogCamp-CE, com sede na FANOR. O primeiro dia está marcado para a formação de "oficinas" sobre essa cultura digital dos blogs; no segundo dia, apelidado pitorescamente de "desconferência", acontecerão "BoF Sessions" entre os bloggers, mas sem temas previamente definidos. Acompanhe as notícias vinculadas no jornal OPOVO aqui e na versão impressa (que o OPOVO iluminadamente evoluído, permite visualização via WEB).

logo blogcamp

Lista de quem tem presença confirmada:

Não perca a oportunidade de conferir a blogosfera nativa e trocar experiência sobre esse fascinante mundo dos blogs.

Ps. Assim como o Mário, eu tive a cara de pau de "chupar" o logo direto do endereço fortaleza.blogcamp.com.br e economizar largura de banda, uma prática mesquinha e portanto digna de ser copiada 🙂

Planos assistenciais agora desagradam a esquerda

Leio hoje críticas de baluartes da esquerda, como Plínio de Arruda Sampaio, desfavoráveis ao bolsa-família. Segundo os cafetões da pobreza, esses programas teriam um lado perverso (sic), que seria tirar a combatividade dos sem-terra.
Eu sempre achei que o movimento Sem-terra era um embuste, ora, conheço agricultura, sou formado no segundo grau como técnico agrícola, se identificar um agricultor a léguas de distância e o pessoal do MST não são agricultores.
Eu, chamado de reacionário pelos amigos marxistas, sempre fui favorável a esses programas assistenciais. Claro que meu lado reaça sabe que esses programas com o decorrer do tempo viciam os trabalhadores, mas só quem já viu a fome de perto (só vi, nunca passei) sabe como é a vida sofrida do agricultor nordestino.
O agricultor sai de casa por volta das 4 da manhã, a maioria não toma sequer café e só vai ter alguma refeição lá por volta do meio dia. Trabalham sob um sol escaldante com a possibilidade quase certa de perder tudo na seca. Bote um presidiário para realizar a mesma jornada e tenha no encalço um bando de defensores dos direitos humanos. Dos agricultores, só “padim páde cícero”.
Esses programas tem um lado perverso, mas esse é o da corrupção. Quando eu trabalhei fazendo pagamento nas fazendas, vi muita mãe chorar por não ter seu nome incluído na lista dos beneficiados. Nessas horas meu coração de pedra soltava uma lágrima. A única coisa que podíamos fazer era citar o nome de todos os incluídos com toda a força da garganta, nomes como a mulher do prefeito, da mulher do presidente da câmara de vereadores e a diretora da maior escola municipal.
Na minha infãncia eu presenciei um movimento que não existe mais, dos “cassacos”. Cassacos eram chamados os agricultores que na seca iam para a cidade para saquear os armazéns. Isso era comum na região centro-sul do Ceará, a mais castigada pela estiagem. Na minha inocência eu achava aquilo tudo errado, certa vez falei em alto som para meterem a “sola” neles quando estavam saqueando a escola que eu estudava, minha diretora muito sábia me fez calar e falou: “- Tente passar fome por 2 dias e depois venha me dizer o que é certo”.
Sempre contam aquela anedota do ensinar a pescar e não dar o peixe, isso porque não passam fome, com fome ninguém conseguirá pescar, come a minhoca ali mesmo.
Os reaças mesmo acreditam que se o homem trabalhar “di cum força”, um dia vencerão na vida. Essa é uma visão simplista dos próprios problemas da vida, como se apenas o trabalho resolvesse tudo, ignorando todos os espectos sociais, castas, preconceito, racismo, infância fudida.
O mais engraçado de tudo isso é ver que tanto a esquerda como a direita não estou preocupados com as pessoas e sim com suas ideologias. Uma bandeira política é resgada assim que entra em choque com o que acreditam.

Minhas desconfianças com o politicamente correto

O meu problema com o politicamente correto é que, sempre em nome de boas causas, nossas liberdades individuais são restringidas e por fim o genocídio dita a política.
Foi assim nos regimes de esquerda e nos de direita em menor ou maior grau dependendo da sua predileção nessa bússola política.

É claro que a influência do homem na natureza pode contribuir para o aquecimento global, mas, em nome do politicamente correto que já se transformou em uma paraideologia, os ecochatos saem em caça às bruxas munidos de falácias e sofismos que acabam municiando aos que se beneficiam com a poluição.

Mesma coisa com as armas, é evidente que nem todos estão preparados para portar uma arma na cintura, ainda mais malucos de carteirinha com um sistema judicial tão ruim como o nosso, mas querer proibir que o seu Zé que mora lá na fronteira de Tauá com Mombaça (onde se leva quase o tempo para se chegar na capital) de se defender contra onças e ladrões de motor com faca, é pedir demais, é claro que ele vai continuar com sua 12, mesmo que ilegal. Peguei dois extremos, entre eles ainda existem milhões de situações. Mas a partir do ponto que leis não se sustentam no sentido prático, por imposição de uma idealização de “sociedade perfeita”, todo o resto se confunde e acaba virando uma anomia perversa. Onde se elege a lei que queira seguir por conveniência, seja de poder ou de momento.

Hoje eu vejo uma campanha massiva contra os fumantes, há uma perseguição implacável, e olhe que eu nem fumo e detesto fumaça de cigarros.
Sempre que é eleito uma bandeira, os politicamente corretos se agarram com unhas e dentes e lutam para “ajudar” a todos se livrarem dessa chaga, mesmo que seja contra sua vontade.

campanha nazista contra o tabagismo

Os bacanas do partido socialista dos trabalhadores alemães na década de 30, que eram bastante politicamente corretos, em 39 invadiram a polônia e deu no que deu. Fizeram campanha grossa contra o tabagismo, assim como os politicamente corretos atuais, era tudo em nome da família, coisa para o nosso bem.

Entre outras medidas que eles pregavam era a eugenia, tão em moda nas autoridades cariocas. Isso tudo para o holocausto foi um pulo, você pode achar que essas coisas não tem efeito e causa, mas são responsáveis sim. Hoje eles tiram nossa liberdade em nome do nosso bem estar, todo mundo consente porque isso é bom para nós, amanhã eles nos mandarão, na melhor das hipóteses, para um campo de concentração ou gulag qualquer. Já será sem volta!

Mas tudo isso por causa de um cigarro?

Eles sempre começam assim, é tudo para o nosso bem. Primeiro elegem algo danoso à sociedade perfeita, passam a perseguir e humilhar aos incautos que ainda resistem em não seguir as "cartilhas do bem", depois disso tomam de assalto a sociedade e o mal não tem como ser revertido, ou você acha que tem como aplacar os traumas em uma sociedade que passou por um genocídio?

Imagine o dano que uma criança iraquiana passará provavelmente pelo resto da vida, meio a fanáticos religiosos, escombros, corpos mutilados, terrorismo diário e subdesenvlvimento até o país se recuperar. Tudo por causa de uma vingança pessoal. Segundo as últimas denúncias, Saddan teria tentado matar o Bush pai, e o filhote da cobra quis se vingar e levou a nação mais poderosa para uma guerra insana contra uma ditadura apaziguada. A direita raivosa ainda vibra de alegria por esse ato inconsequente. Mas a guerra do Iraque foi causada diretamente por uma campanha em massa de patriotismo com todo o poder que a mídia pode provocar.

Esse é o lado perverso da mídia, quando ela é chapa-branca perde totalmente a rédea da verdade, e sim, existe uma verdade universal, quem faz ciência, sabe que ao conhecer o maior número de variáveis possíveis, o mais próximo da verdade (ou solução) chegamos. É como somar 2 + 2, conhecemos a resposta porque temos um modelo e conhecemos todas as variáveis aplicadas. Nem sempre, ou melhor, quase nunca conhecemos todas as variáveis nas ações humanas, mas a história está rica em exemplos.

Disconfio de tudo e todos, em todas as ações existe uma agenda.

Seja ela de direita ou de esquerda, eu estou pouco me lixando para ideologia, só não quero perder o direito de fumar mesmo que eu deteste o fumo.