Quando me tornei cristão e como enxergo o cristianismo

Quando me tornei Cristão

Antes de tudo, não quero converter ninguém, apenas relatar a história de como virei um anarcocristão. Se sua fé se abala com qualquer coisa, feche essa aba já!
Esse texto vai ser grande porque vou relatar todas as causas e consequências que imagino terem me influenciado.

Infância e como dei Unfollow em @javé

Começando pelo começo, eu nasci e fui criado numa família católica tradicional no sertão central do Nordeste brasileiro, entre fé cega e idolatria a santos [não reconhecidos] católicos. Desde criança eu notava que não era uma criança normal para o lugar que nasci, eu – ao contrário de todas as crianças sadias – gostava de ler e me interessava por história, por exemplo.

Desde minha tenra idade eu notava que aquele comportamento iria me prejudicar, imagina ser amiguinho dos professores, pois era muito natural vide a facilidade de tirar notas altas. Notei que era massacre na certa quando um coleguinha certa vez falou para o outro: ” – Cola no lado do Christiano que ele passa a pesca [como chamamos ‘cola’ no NE] ou quebramos a cara dele”. Desde então eu passei a tirar no máximo 8.

Certa vez uma professora me interpelou porque eu parei de tirar 10 se ela sabia que eu sabia de toda a matéria. Respondi que era perigoso meus colegas saberem que eu tinha idéia do que era Bourbon na 3º série. Contrariada, só restou concordar comigo.

Mombaça, aonde fui criado, é a Sparta do Ceará, a criação de um mombacense é uma espécie de Klingon Education, se é que me entendem. Viver em um local assim e ser nerd requer um certo grau de jogo de cintura, principalmente se você se torna um ateu, consequência natural de quase todas as pessoas curiosas.

Pois bem, eu comecei a estudar e pesquisar teologia desde que me entendo por gente, além de confrontar com ciência. Esse espírito curioso me preparou para o ceticismo puro, se eu estava duvidando daquilo que regia toda minha cultura, eu tinha por obrigação duvidar e investigar todos os aspectos dos fenômenos que eu tentava entender.

Uma coisa que me *emputecia* muito era “descobrir” as inconsistências políticas na religião. Quando eu descobri que Eva não tinha sido a primeira mulher; que o livro de Enoch [que é o que explica a guerra entre os anjos e demons e o mais bacana de toda a mitologia judaica] era apócrifo na nossa bíblia, mas reconhecido na igreja Etíope; que Papas tinham comprado o cargo e toda sorte de sacrilégios, então, eu realmente perdi toda a crença em um ser criador. Até hoje é assim que funcionam grandes decepções.

Para completar, por falta de experiência, eu erroneamente considerava que Religião era o “ópio do povo” e pus a culpa no mensageiro como a maioria dessas digressões.

Não deu outra, dei block e unfollow em @javé.

Militância

Assim que virei ateu, eu estudei religião como um louco. Todo esse objetivo era para humilhar e massacrar o crente, aquele que acredita em elefantes roxos que flutuam. Como nem os pastores leem, imagina um pobre fiel atormentado com a vida pós-morte. Por conta da minha infância de leituras eu odiava toda cultura de massas [multidões] e religião era a essência disso.

Durante esse período eu notei que as pessoas que não creem em D’us acabam substituindo a crença metafísica cristã por outra, como cientistas que acreditam que Einstein não só foi cientista como o maior de todos, católicos não praticantes que se consultavam com mediuns, etc.

Meus colegas que se tornaram ateus viraram marxistas [uma religião mais nociva ainda], eu como já tinha negado um deus maior não iria acreditar em charlatões como Marx. Pior, eu realmente lia os escritos marxistas e via que aquilo não passava de uma crença sem fundamentação lógica, quanto mais científica. Como meus colegas não liam, eles exerciam uma crença com base na fé, fé essa de que comunismo funcionaria, não precisava de explicação lógica, bastava palavras de ordem e alguns chavões. Eu realmente tentei dialogar com meus professores que marxievangelizavam seus alunos, mas quando eles não entendiam algo me chamavam de reacionário, eu, um anarquista ateu.

A culpa não é da religião em si, é consequência do infortúnio da dúvida. Vida após a morte explica grande parte desse infortúnio, mas a capacidade natural de raciocinar do ser humano causa uma inquietude em encontrar padrões e respostas a tudo. Ignorância é uma benção para muita gente e religião em grande parte tem que fornecer essa burocracia sacramental para aplacar essa ignorância como resposta daquilo que não compreendemos.

Schopenhauer me ajudou a entrar no eixo, Nietzsche só confundia. O anarquismo libertário de Benjamin Tucker / Lysander Spooner, individualista de Stirner e mutualista de Proudhon formaram meu caráter e amansaram minha alma. Por mais que todos esses filósofos de marca maior criticassem a religião – que deve ser criticada sempre – suas concepções de liberdade nunca se chocaram com o cristianismo, pelo contrário, evoca o primordial Livre Arbítrio.

Agora, o que me deixou intrigado foi quando conheci o anarquismo cristão que influenciou Gandhi. Passei a investigar a religião na visão do indivíduo e não no coletivo, como tinha feito até então e como todos erroneamente fazem.

Revelação

Nunca vou esquecer quando fui tocado pelo dedo de D’us [Epa!] numa certa noite, assistindo Alien – O 8º Passageiro – no corujão da Globo depois de chegar de uma bebedeira, eu devia ter uns 17 ou 18 anos. Eu tive a necessidade incontrolável de ler a bíblia e abri na seguinte passagem: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” [Romanos 6:23].

Essa passagem é a versão cristã da frase: “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias. (Ludwig Von Mises)”.

Nesse momento, devido as trombetas dos anjos [alguns dizem que foi na verdade culpa da Antarctica], eu entendi toda a metafísica de Cristo. Tudo que eu lia e enxergava na Bíblia [que é uma coleção de livros que tratam de mitologia, costumes, histórias, fé, dedução, indução, conselhos e ensinamentos] era sob uma lupa frágil de esperança em redenção alheia. A verdade deveria ser buscada na salvação pessoal.

A verdade existe e é o fim em si da busca científica, o problema é conhecer a verdade. O que temos e disconfio que sempre teremos é apenas uma sombra da verdade.

Depois de ler esse texto voce pode pensar que sou daqueles tipos de gnósticos que consideram Deus uma força maior da natureza ou do universo, não, eu creio no Deus judaico-cristão-islâmico por mais que a verdade não seja conhecida por nenhuma facção. Aquele Deus que é hermafrodita [Genesis 1:27], criador de tudo. Acredito no sacrifício de Cristo na cruz e o poder de sua palavra.

A palavra de cristo é tão foda que seu simbolismo de fazer guerra quando necessário em um momento [Marcos 11:15-17; João 2:13-17] e oferecer a face [mateus 5:39] ou baixar a espada noutro [mateus 26:47] para o fim maior é desconhecido e mal interpretado até hoje.

Minha visão cristã

A verdade seguindo o caminho cristão passa sobretudo na palavra transmitida e contida nos evangelhos, eles devem ser o guia do cristão. Não no deuteronomio, não em romanos ou qualquer que seja o livro. Os outros livros são guias descartáveis quando se chocam com a verdade, sobretudo cristã.

Peguemos o Antigo testamento, Cristo meteu a tag de @deprecated na Lei Mosaica quando se chocou com sua palavra. Um exemplo clássico de como o cristão se afasta de Deus e do próprio Cristo é o homosexualismo, não consta o “Não darás o ” nos 10 mandamentos que é a constituição cristã, mesmo assim uma energia considerável da cristandade é gasta justamente para combater essa prática com base em uma ou duas passagens jogados no meio de toda a bíblia, que relembro, é constituída por dezenas de livros sendo os principais os evangelhos. Se o cara que dá a bunda [e nisso não prejudica a vida nem salvação de ninguem que não dele próprio] vai para o inferno, nada que fizermos vai salvá-lo, principalmente no apedrejamento público condenado pelo próprio cristo.

O crente que se importa com a vida alheia está fugindo de sua própria salvação como ensinou cristo, está afastando um prospect cristão e se passando por um chato descontrolado. Voce tem todo o direito de achar que alguem vai se fuder no inferno, mas voce não tem o poder nem a permissão de julgar, isso não foi te dado, no máximo voce vai evitar de conviver com o pecador e se quiser.

Um crente de verdade não julga, dá a mão para quem quer ser salvo [mateus 9:10]. Aquele que grita e reza tão alto que incomoda as pessoas não passa de exibido materialista, não me xingue, fale com o hômi [Mateus 6:5-6].

Ciência não confronta a fé, imaginar a criação em 7 dias no calendário juliano é um absurdo lógico de alguém que se considero sábio. Convido a ler gênesis e investigar a sequencia da criação com as descobertas cientificas, isso impressiona, desde o “Faça-se a luz” [Big Bang], ao aparecimento dos répteis anterior ao primeiro homem [que pode até ter sido adão] e a primeira mulher [que pode ter sido Lilith, mas comprovadamente pela mitologia judaica não foi Eva].

Fora que 2k anos antes de Kent Beck, Cristo já aconselhava Pair Programming como eficiente na condução do desenvolvimento da palavra (source code) cristã [Lucas 10:1].

Ter trazido lázaro de volta não significa nada para você, só significou para Lázaro, a salvação é que é o importante. Tenho uma amiga que foi diagnosticada com câncer no cérebro, os médicos a mandaram para Mombaça para morrer com a família, de tanto rezar ela se curou. Não precisou de pastor, só na sua propria convicção e na fé em Deus. Se voce acredita ou não que foi Deus que curou ou a própria reação do organismo dela influenciado pela forte fé, não importa, o milagre é que importou.

Claro que essa mesma fé pode e vai provocar guerras e chagas na sociedade, mas se não for a religião vai ser o marxismo ou qualquer crença que as ovelhas abraçarão. Para isso eu não tenho resposta e desafio a alguém demonstrar como substituir a religião em toda a sociedade pelo ceticismo puro.

Vamos nos concentrar na palavra.

Se voce é ateu convicto, esse texto não passa de bobagem, mas eu tinha que falar para quem quer ler.

Hora da verdade

Agora irmãos, vamos passar recolhendo aquela contribuição voluntário que nos ajuda a espalhar a vontade de Deus, nossa conta é …

– ei, o que é aquilo!
– Quem é aquele louco descontrolado que invadiu o templo e está quebrando tudo?

– Como assim nós estamos comerciando em nome de deus? O rei nos deu permissão pra…