O valor real das redes sociais

{ August 14th, 2008 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Um dos grandes dilemas dos novos negócios de Startups do nicho “WEB2.0″ é como lucrar com as redes sociais. Sugestões vão desde anúncios publicitários diretos ou com ferramentas de advertisement [como Google AdSense] à venda de serviços e produtos por intermédio das redes.

A dificuldade de mensurar os ganhos com esse tipo de nicho se origina pelo próprio mal entendimento das redes sociais. Entendimento por exemplo do porquê o Google Orkut faz tanto sucesso no Brasil, Irã e Índia sendo que esses países pouco tem em comum senão por serem emergentes economicamente.

O que provocou o MySpace ser tão querido nos “US and A” e Facebook ter conquistado a Europa faz os especialistas se confundirem e darem prognósticos mais ligados a futurologia de uma cartomante do que a um palpite certeiro de um corretor experiente da bolsa de valores.

Agora que as redes sociais parecem ter entrado em estabilidade no ciclo de vida de adoção tecnológica como indicado no gráfico de Everett Rogers, temos algumas certezas em relação ao comportamento dos usuários. Uma dessas certezas é que poucas pessoas entram em mais de uma rede social e se tornam fiel na primeira rede. No Brasil apenas “Geeks” tem perfis em várias redes sociais distintas e mesmo assim tendem a não atualizar todas com as mesmas informações das preferenciais. Há a possibilidade de sincronizar seus perfis com serviços como o Atomkeep, mas apenas geeks tem acesso [procura?] ou se interessa por utilizar.

Curve Bell

ciclo de vida de adoção tecnológica de Everett Rogers

Uma das saídas para novas redes sociais é focar em determinado assunto. Redes de propósito geral que imitam Orkut, MySpace e Facebook dificilmente tem mercado no Brasil. Redes novas que foquem em um determinado ponto como viagens, dieta, música e assuntos em alta na sociedade podem ter algum êxito, mas é improvável que obtenham uma parcela significativa dos usuários do Orkut.

Monetizando as Redes Sociais

Segundo o especialista Don Tapscott [co-autor do livro Wikinomics] da New Paradigm: “A idéia de que as redes sociais online irão gerar lucros vendendo anúncions ou produtos é destituída da completa proposição de valor de uma rede social” (sic). fonte: InformationWeek Brasil, 30 de maio de 2008, ano 10, nº202, pág 58.

Don Tapscott fala em dois exemplos de redes sociais no setor de assistência médica, a Sermo e a PatientsLikeMe, que não tem um volume de tráfego considerável mas estão criando valor a partir das conversas e interações de seus usuários diferenciando do modelo de propaganda tradicional.
PatientsLikeMe

Sobre essas duas redes sociais, Don Tapscott escreveu:

“O modelo em si não é complexo; ambas as comunidades comercializam seu valor referente aos dados sobre relacionamentos agregando-os e tornando-os anônimos e, então, descobrindo terceiros que se beneficiam dessa iniciativa e que querem pagar pelos valiosos dados criados pela comunidade. No caso dessas comunidades no setor de assistência médica, os ‘terceiros’ são as indústrias farmacêuticas, as companhias de seguros e as empresas de serviços financeiros.”

Ele [Don Tapscott] chama esse modelo de “economia promocional” ou “economia de influência” que tem como objetivo agregar e criar valor ao descobrir o que os usuários podem dizer a você sobre o que “é bom, mau e feio” [sic] sobre seus produtos sem um enfoque em marketing e sim nos recursos analíticos de seleção de informações anônimas do compartilhamento de histórias de vida dos usuários.

Esse enfoque pode ser altamente lucrativo na monetização dessa análise, além de criar oportunidades de novas ferramentas para desenvolvedores criarem Mashups que aproveitem essa consulta direta.

Aqui no Brasil temos um case interessante nesse segmento, a Focusnetworks criou um site de relacionamentos para a rede de academias Companhia Athletica de São Paulo, chamado de GENTECIA, onde as conversas são monitoradas [o usuário aceita um termo que diz estar ciente disso quando entra na rede] apesar do anonimato, já que as informações não ficam públicas a outros usuários.

Os benefícios diretos já começaram a aparecerem, a rede de academias ofertou aulas de esqui porque descobriu em mensagens trocadas no site que tem muitos interessados. “Espiamos o que eles dizem e usamos as informações para traçar nossos planos”, disse Marcos Risti, Diretor de Marketing da rede, em entrevista para a revista ExamePME edição 13 de junho de 2008.

Vamos acompanhar de perto como as grandes redes sociais se movimentarão para monetizarem seus grandes bancos de dados, a grande expectativa é o OpenSocial sair do campo do experimental. Enquanto não chega a versão 1.0 temos que amargar com as constantes mudanças na API, bugs nas implementações e indefinições do que expôr publicamente e de que features disponibilizarem.

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Cloud Computing

{ May 28th, 2008 }


cmilfont

Autor: cmilfont

No mundo da computação os conceitos nunca morrem, veem e vão de acordo com a necessidade, sempre quando o processamento é vertical, este aposenta os conceitos dedicados a processamento horizontal e vice-versa.

Nunca retornam com a mesma roupagem, sempre são renovados com melhores algoritmos ou conceitos, portanto considerar “Computação nas Nuvens” como retorno do terminal burro de Mainframes é totalmente errado.

A “Computação nas Nuvens” tem suas raízes na “Computação na Rede” idealizado pela SUN Microsystems, baseado no conceito de tornar o processamento uma commodity como é o caso da energia, a idéia da SUN era elevar o serviço de processamento a um status de serviço como a tv a cabo ou o fornecimento de gás apenas contratando um operador que vai com o cabo e pluga.

Claro que processamento computacional é algo bem mais complexo do que uma ligação de energia elétrica ou telefone, mas o conceito evoluiu naturalmente por meio da Internet para “Computação nas Nuvens” ou “Cloud Computing“.

A computação nas nuvens apresenta uma característica Peer-to-peer que não estava presente no terminal burro, o processamento não é ignorado em cada ponta, existem tecnologias de rich client além de softwares standalones para nos beneficiarmos no poder de processamento local. A grande diferença é que cada ponta representa uma parcela de processamento, seja na criação de conteúdo, administração remota ou armazenagem de dados.

Quando o Google ou outro grande Player fala sobre deixar seus dados nas nuvens, eles estão afirmando que você terá seus dados acessíveis a partir de qualquer terminal (como celular ou Thin Client) e poderá processá-los por meio de outras pontas na grande rede.

Um fator importante é que os serviços se baseam no menor processamento e menor rede, o nivelamento é por baixo, mas nada impedem das melhores máquinas usarem todo seu processamento na contribuição do processamento e isso é até estimulado. Daí a computação nas nuvens tenta solucionar o problema de alto processamento sem a infraestrutura adequada.

Um das febres da WEB 2.0 é o Mashup, conceito que se beneficia dessas características distribuídas. Você não precisa ter uma grande base de dados, um bom servidor de aplicações ou sequer uma hospedagem. Juntando pedaços de serviços e usando a infraestrutura dos gandes Players conseguimos criar um novo serviço totalmente distribuído.

Pensem na Computação nas Nuvens como compartilhamento de processamento e não centralização desse processamento. Se o Google ou outro Player tenta centralizar fornecendo uma gama enorme de serviços está mais ligado ao seu plano de negócios do que propriamente ao modelamento do conceito distribuído.

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