Novo Capitalismo

{ January 20th, 2012 }


cmilfont

Autor: cmilfont

A revista The Economist trás uma reportagem sobre o novo modelo de capitalismo que – principalmente – os países em ascensão estão praticando, do qual eles chamam de novo modelo “capitalismo de estado“, desde um capitalismo de estado comunista chinês ao desavergonhado capitalismo burocrata russo, passando pelo corporativismo brasileiro.

Não vou nem fazer juízo de valores sobre o quão errado é esse modelo econômico que coincidentemente esses países estão desenvolvendo, uma opinião de um economista especializado no assunto é melhor.

De todos eles, o Brazil na minha opinião é o mais flexível culturalmente para entrar no seleto grupo de desenvolvidos, mas para isso não deve competir com os outros BRICs, deveríamos investir em tecnologia e criação de riquezas com base em serviços.

Não tem como competir com a China no setor industrial sem retirar direitos e privilégios dos trabalhadores, só para vocês verem como o discurso marxista é só da boca pra fora, em nenhuma republiqueta comunista, da Coréia do Norte a Cuba, passando pela extinta URSS, os trabalhadores conseguiram direitos como os quais gozam os trabalhadores em países capitalistas.

Não tem como competir com Índia no serviço de commodities e serviço de mão de obra barata, como o executado por financeiras, call center e demais que necessitam apenas de um ser humano atrás de um telefone sem grandes atributos intelectuais. Não se compete com 1 bilhão de indianos a 2 dólares a hora.

Temos que competir diretamente com os desenvolvidos nos serviços de alta rentabilidade como registro de patentes tecnológicas, pesquisas e inovação de produtos . Depois mandamos fabricar numa China, Taiwan ou Vietnã pelas mãozinhas de crianças escravas como faz a Apple.

O Chile já saiu na frente com projetos inovadores e eficazes como o Startup Chile. O que nós cidadãos estamos fazendo para forçar nossos governantes a tomarem atitudes que privilegiem esse tipo de movimento?

Não que o brasileiro seja especial em detrimento a outros cidadãos do BRIC, mas somos o único país do ocidente. O problema é que a nossa educação como modelo de civilização é uma das mais atrasadas, não temos avançado em incentivar a população a estudar inglês [o Latim moderno], não temos cultura capitalista e muito menos democrática [ainda "bem" que nenhum dos BRIC também não tem] e além de tudo agora vamos gastar todas as economias nos US and A – alguém acha que o brasileiro vai viajar para aprender algo?.

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A revolução não será televisionada

{ January 2nd, 2012 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Ela será twittada e com Curtir no Facebook.

A unidade federativa do Ceará está em estado de emergência decretado pelo seu governador , não pelas chuvas ou acidentes naturais como é comum no nosso país, mas por instabilidade devido uma greve geral da polícia (amanhã a polícia civil adere).

Nesse exato momento, 21:00h do dia 2 de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor de 2012, nos principais portais jornalísticos da mídia tradicional nacional você não vê um pio sequer.

 

Em nenhum desses portais você consegue encontrar notícias sobre a calamidade que a cidade de Fortaleza passa nesse momento. A globo especificamente tem a melhor cobertura dos portais nacionais, desde que voce entre na página do estado. Se voce não tiver curiosidade de saber o que se passa na aldeia de cá, dificilmente saberá o que está ocorrendo.

Os dois principais portais – dos únicos jornais lidos pela população – mantiveram durante todo o dia a completa apatia na cobertura do que está ocorrendo, somente agora a noite as notícias começaram a chegar, depois de tentarem minimizar o que se discutia no Twitter, algumas autoridades chegaram até a dizer que era mentira e alarmismo.

OPOVO foi quem deu o maior destaque do que estava acontecendo, durante boa parte do dia o Diário sequer chegou a mencionar os arrastões e assaltos que aconteceram.

A população (o verdadeiro O Povo) denunciou durante todo o dia via Twitter em diversas hashtags e Facebook.

O exército está nas ruas, estado de calamidade e nenhuma nota no Jornal Nacional, da Record e da Verdes Mares (retransmissor da Globo aqui) – só para citar os que assisti. E pensar que não sentimos a real dimensão do que ocorreu no mundo árabe, mas temos uma certeza:

A Revolução não será televisionada.

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Cultura de Honra

{ October 4th, 2011 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Morra feito homem, como seu irmão fez

Malcolm Gladwell defende no seu livro “Outliers, The Story of Success” que a Cultura de Honra é um fenômeno de influência principal na vida e carreira de uma pessoa, pode definir quem será um “Fora de Série”, bem-sucedido ou apenas mais um fracassado social [alguém que por mais brilhante que poderia ter sido em sua área de atuação, não conseguiu alcançar um reconhecimento satisfatório pela sociedade ou por si mesmo].

Sociedades que vivem sob a “Cultura de Honra” influenciam negativamente as pessoas por condicioná-las a trocarem atividades úteis para sua própria progressão por esforço desnecessário de  vingança. Dessa forma, esse tipo de sociedade tende a produzir pessoas atrasadas e com mentalidade beligerante.

Eu nunca aceitei que a personalidade pudesse ser formada pelo meio, sempre fui a favor da teoria das escolhas individuais. Ultimamente tenho investigado como o comportamento coletivo influencia os demais.

Eu cresci em uma sociedade sob a “Cultura de Honra”, situações que na época não causavam estranheza, hoje as enxergo como ridículas. Minha família tem uma longa tradição na Cultura de Honra.

Meu avô me contou uma história curiosa sobre sua infância, acompanhe:

Quando era criança uma professora tentou aplicar a palmatória em meu avô. Por mais que hoje vejamos essa prática como bárbara – e é , na época era uma forma regular e fazia parte do modelo educacional. Meu avô criado com toda a ignorância da familia, tomou a palmatória das mãos da professora e quebrou na cabeça dela. A professora se dirigiu ao responsável da escola (na época só escutava quem era de elite), mas este não teve coragem de ir na casa do pai do meu avô, filho do Coronel João Martins de Mello.

Pois bem, a professora resolveu enfrentar o Coronel e foi delatar meu avô (seu neto). A resposta do avô do vovô não poderia ter sido pior: ” – Um Martins não leva desaforo pra casa, ele fez e bem e que isso sirva de lição para quem ousar bater em um membro da família”.

Meu avô me revelou que depois desse dia ele nunca mais foi o mesmo, dali pra frente só piorou sua arrogância e empáfia. Meu avô, quando rapaz, entrava nos bares com o cavalo e amarrava no pé do balcão, por suas confusões sofreu 3 atentados, levou vários tiros e nunca construiu uma carreira ou fortuna sólida… e acredite, eles herdaram muitos bens.

Até que ponto essa cultura influenciou toda a família não podemos mensurar, mas fatos transbordam.

Minha mãe certa vez atirou contra uma vizinha e meu pai [que não veio dessa cultura de honra] teve que esconder todas as armas de casa para não provocar uma pequena tragédia. Minha tia certa vez atirou contra uma suposta amante de seu marido e esta não morreu por pura sorte, se escondeu detrás de uma porta do banheiro da prefeitura, sim, na prefeitura, enquanto as pessoas tranquilizavam minha tia.

Desde minha tenra idade portei arma [sem porte legal, claro], aprendi a atirar e andei armado enquanto vivi em Mombaça. Alguém poderá dizer que todos andavam armados e isso não seria “privilégio” de minha família, mas justamente por todos andarem armados demonstra como a cultura da sociedade incute determinadas ações.

Meu filho – ainda tem 7 anos – um tempo atrás jogou uma medalha na cabeça de um coleguinha na escola e fui para uma reunião de pais para conversar sobre sua agressividade, depois desse dia eu notei como a influência da minha família como um todo molda sua educação.

Pois bem, isso é café pequeno para quem veio da Sparta do Ceará, a história que quero contar vai demonstrar como uma cultura de Honra influencia realmente a vida de uma pessoa.

Cultura ou Personalidade?

Eliane Martins era uma criança com caráter forte e como se diz na minha terra: “confuseira”. Sempre como pulso firme nunca levou desaforo pra casa, todas as meninas e até os meninos tinham medo de enfrentá-la, talvez pela fama da família também, um ramo dos Martins.

Eliane foi no mesmo ano que eu fui para Fortaleza para “fazer faculdade”, na época era destino certo de qualquer pessoa do interior que queria ter evolução na vida. Prestou vestibular comigo e passou – senão me engano – em duas faculdades. Do seu ramo familiar principal seria a única com nível superior e provavelmente a “doutora” da família.

Por volta de 99/2000 seu irmão se envolveu em uma briga familiar com um primo [parente]  e este foi assassinado, quase fui testemunha, por coincidência eu estava em Mombaça e cheguei no local do crime com o corpo ainda no chão.

A partir desse assassinato, que nunca se comprovou a autoria, quase toda a família de Eliane foi assassinada e quase toda a família desse primo também, por ambos. São quase 70 pessoas envolvidas [mortas], não só familiares.

Assim como Michael Corleone, Eliane foi obrigada a assumir os negócios da família e recebeu uma legitimação social para a vingança. Todos em Mombaça acham que ela deve se vingar, por mais que não digam isso publicamente.

A história é muito longa, cheia de percalços e nem quem é de Mombaça sabe todos os detalhes, mas Eliane teve sua vida mudada de tal forma que acredito ser impossível de ter sido evitado.

Eu presenciei a surra que seu pai levou da polícia em frente do próprio trabalho por crimes que ele não cometeu, estava em Mombaça e vi o corpo dele quando foi assassinado um tempo depois de forma brutal. O irmão foi assassinado na frente dela, vários primos assassinados, família totalmente destruída.

Vejam bem, não são bandidos na concepção da palavra, não são ladrões ou assaltantes, todos envolvidos nessas confusões eram/são proprietários de terras ou possuíam profissão tradicional. Não entraram nessa guerra por motivação monetária, pelo contrário, as famílias dilapidaram suas posses a troco de vingança. Também não são simplesmente pessoas ignorantes, até advogado foi morto e mandou matar no meio dessa guerra.

Eliene sempre teve personalidade forte e isso contribuiu para fazer o que já fez, mas se ela não tivesse tal personalidade, qual o grau de influência a cultura de nossa região teria exercido?

Eu já tive meus surtos de testosterona e já fiz bobagens por impulso assim como os sulistas testados, muito da minha personalidade se deve a minha região, isso é fato que reconheço, o problema é quando toda uma sociedade espera que você tome uma atitude idiota como vingança.

Eu não estou livre disso acontecer com minha família e acredito que por muito tempo isso ainda acontecerá na minha região. Essa história não foi a primeira guerra travada entre famílias, por incrível que pareça já houve pior.

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