Trabalho Energizado e a Teoria das 2 horas produtivas

{ June 17th, 2010 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Quando eu trabalhava como funcionário, formulei uma teoria exótica e controversa que se uma empresa tiver em média duas horas produtivas por cada “recurso”, essa empresa teria um lucro exorbitante e seria sustentável.

Duas horas produtivas para mim é uma licença poética para “códigos testáveis de forma automatizada, bem escritos, entregues por dia independente de tempo e que não trarão retrabalho”. Um par evita muito retrabalho, lembrando que retrabalho não é refactoring, é prejuízo.

Claro que não há método científico algum, apenas inferência por observação simples. Dia desses um funcionário de um cliente me disse:

“- Milfont, essa sua teoria é mais um dos seus exageros”.  Respondi:

“- Olha do lado, observe o que todos estão fazendo”.

Para espanto desse funcionário, ao olhar para o time mais caxias da empresa, aquele time considerado certinho, que ninguém conversa com ninguém, ele tomou um susto e detectou que todos, eu disse T-O-D-O-S, estavam com o cliente de email aberto. Ninguem estava com sua IDE em primeiro plano.

Coincidência?

Trabalho Energizado

Como consultor eu enfrento problemas de coaching e mentoring [adoro buzzwords] em relação a dificuldade da alta gestão não compreender os benefícios de programação em par para o trabalho energizado. Não que programação em par seja o único responsável por um trabalho focado, mas sem essa prática não dá nem para começar a mudar o cenário.

Todos meus clientes dizem em uníssono: “Até entendo que programação em par é importante, mas não o tempo todo e não para aqueles trabalhos simples”. Investigaremos essa frase ao final.

Meu trabalho como consultor é transformar galinhas mortas em galos de briga, então não tenho pretensões nem esperança que em um mês meus clientes terão integração contínua, todos seguirão Test First como prática e serão felizes para sempre, no mundo real a coisa é só um pouquinho mais complicada. Enfrento muitos clientes saindo da década de 80 direto para o novo milenio, é uma leva de CVS, Delphi, até clipper, além de vícios provocados por essas plataformas/arquiteturas/whatever.

Agile Bibas

Hoje é muito comum meus clientes pedirem planilhas e técnicas para medir velocidade e desempenho de seus “recursos” porque leram sobre isso nas revistas da moda. Isso é perda de tempo, vou cair no clichê mas não posso deixar de falar, enquanto voce não tratar seu time como pessoas e que elas não são máquinas controladas, não espere retorno deles.

Leonardo Eloy cunhou o termo #Agilebibas para representar todos os defensores do PMBoK de Jeans que irão vender métricas e dirão que o time não produz conforme o esperado porque não se comprometem com as planilhas. Apenas comando-controle disfarçado de ágil.

Esqueça métrica de time, concentre-se na métrica do software. Não importa se o membro do time está nu, pulando corda, de cabeça para baixo, lendo emails ou enchendo a cara numa terça de manhã. O que importa é se as features foram entregues e com qualidade.

Parece simples mas não é, a soma “8 + 8 = 16″ é difícil de ser anulada [imaginar que 8 horas de dois funcionários representam 16 horas de trabalho produzido com qualidade]. Medir tempo por funcionário é um dos maiores erros para tentar aumentar a produtividade do time.

Vou dizer mais uma vez: “Não meça pessoas, meça e entregue software”. Então não importa se seu funcionário não trabalha as 6 ou 8 horas que você espera que ele trabalhe, o que importa é se as duas features planejadas para hoje foram entregues com a qualidade esperada.

Evitar o trabalho chato

Algumas empresas ainda sonham com a esperança que basta impedir o acesso a redes sociais ou serviços na web, então o funcionário vai parar o “Goofing Off“. Existem inúmeros motivos para uma pessoa não estar energizada em seu trabalho, considero o principal como sendo “fazer trabalho chato”.

Vamos agora analisar aquela frase do início:

“Até entendo que programação em par é importante, mas não o tempo todo e não para aqueles trabalhos simples”

Observe que essa frase revela duas nuances onde o cliente acredita que trabalho em par não é importante, uma consequência da outra. Trabalho simples que provoca a necessidade de não trabalhar em par o tempo todo.

A primeira coisa como consultor quando sou contratado para mudar a cultura do time é tentar incluir programação em par como algo natural e prática necessária, para tanto preciso anular esse trabalho chato que considero ser basicamente trabalho repetitivo. Observe na frase anterior que meus clientes chamam esse trabalho de “simples”.

Não é simples, é chato.

Exemplo que me veio a cabeça agora mesmo, todos os cliente que não tem Test First como prática, então ficam testanto as coisas durante o desenvolvimento na mão, para tanto precisam gerar dados.  Para um desenvolvedor é frustrante ficar fazendo dump e passando para seus colegas de trabalho, porque não automatizar isso?

Todos meus clientes que não fazem Test First passam por isso. Ora, se mesmo os que tem essa prática nós enfrentamos desafios de um bom Setup para garantir a independência no INVEST, imagina os que não fazem.

Outro erro comum é achar que número de commits é sinal de proficiência ou estar trabalhando mais, em regra, para mim é sinal de muito trabalho repetitivo.

Não vou me prolongar, quero só concluir que evitar trabalho chato ajuda a demonstrar que Pair Programming é sim necessário o tempo todo e que se isso for alcançado a “morcegação” tende a diminuir e o reflexo na entrega de funcionalidades se torna positivo. Junte a isso o foco no software ao invés de medir pessoas e esqueça as toneladas de planilhas, na maioria das vezes nem um Burndown seja necessário, apenas trabalho energizado.

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Um amigo fez a seguinte pergunta que é muito comum hoje em dia com adoção crescente sobre linguagens dinâmicas, principalmente Ruby:

(…)”A dúvida era essa: Linguagens dinâmicas dão maiores possibilidades de inclusão de erro no código com isso aumentando de forma significativa a refatoração.”(…)

Em conversa com um excelente desenvolvedor aqui no Ceará, Delberto Muniz, ele escreveu a seguinte resposta:

Estava relendo um livro sobre os primórdios da programação e houve um debate semelhante: Os programadores Assembly achavam que programar em Fortan dava maiores possibilidades de erros porquê o programador não tinha total controle sobre o código gerado.

Dez anos depois o pessoal do Fortran falou mal do Algol porquê Algol abstraía demais e o programador não tinha total controle sobre a linguagem.

Aí veio o pessoal do C/C++ dizendo que Java abstraía demais, deixando margens a bugs serem introduzidos nos programas pelo compilador e/ou pela vm ou porquê simplesmente ele não estava alocando/desalocando memória manualmente.

Só mudaram as linguagens – o debate é sempre o mesmo: Se eu aumentar a abstração, meus programadores vão fazer besteira?

Se você está com essa dúvida, sinto muito: Você está nivelando por baixo e/ou não conhece seus desenvolvedores.

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Pague bem!

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