A primeira recomendação em qualquer ramo é sempre seguir a especificação, isso é válido para não cairmos em um dos piores anti-patterns que existe, o “Vendor Lock-in“. Na indústria do Software passamos por isso frequentemente e a estratégia de Embrace-Extend-Extinguish esteve bastante presente na história dos bancos de dados como exemplo disso.
Features proprietárias são sedutoras, antigamente usávamos grids com paginação no HTML com a propriedade datasrc na tag table, podÃamos ler inclusive de arquivos XML. Isso muito antes de Ajax ou até do Firefox. Evidente que só funcionava no IE.
<XML ID="users"> <?xml version="1.0" ?> <users> <user id="1" name="Christiano Milfont"/> <user id="2" name="Rafael Ponte"/> </users> </XML> <TABLE DATASRC="#users"> <TR> <TD><DIV DATAFLD="id"></DIV></TD> <TD><DIV DATAFLD="name"></DIV></TD> </TR> </TABLE>
Com a popularização do Firefox e a necessidade das aplicações serem CrossBrowser, tivemos que nos adaptar à s specs da W3C. Praticamente todas as aplicações WEB precisaram serem reescritas -algumas até hoje ainda só “rodam” no IE.
Usar uma Feature proprietária facilita, mas no final você pagará o preço da não interoperabilidade. Agora precisamos usar um Framework Ajax para fazermos coisas que antes era nativo. No IE tÃnhamos até DnD.
Especificação muito mais frágil do que as implementações nos força a criar uma “Isolation Layer” como solução de refactoring sem comprometer o sistema. Podemos então usar as features nos beneficiando do que a implementação tem a oferecer sem comprometermos o resultado final, o uso fica encapsulado na solução.
Especificação mal feita
O problema é quando a definição de uma especificação fica frágil o suficiente – por problemas polÃticos – para forçar um refactoring profundo na mudança entre implementações.
No CEJUG, ocorreu uma thread sobre problema com data na JPA, onde eu recomendei retirar a anotação @Temporal – que já tinha me dado trabalho anteriormente – e por “feeling” eu sabia que o problema era nessa anotação, mas nunca tinha pesquisado para saber o real porquê. Como quem ganhou dinheiro com Feeling no Brasil foi apenas Morris Albert – by Cardoso – eu dei uma pesquisada sobre isso e descobri que [como escrevei no email]:
From CMilfont
to discussao@cejug.dev.java.net
date Mon, Oct 27, 2008 at 9:54 AM
subject Re: [cejug-discussao] problema com dataDei uma pesquisada e a conclusão que cheguei é:
A spec determina que propriedades do tipo Date e Calendar [util java] devem ter a anotação @Temporal.
TopLink obriga, se não tiver lança uma exceção ValidationException [pelo menos foi o que vi na documentação dele, não cheguei a testar].
Hibernate é opcional, mas se você colocar ele devolve uma instância de Calendar, porque entende que a data é completa [como Timestamp] mesmo dizendo que o tipo é Date – aqui entendo como uma falha e vi que as issues sobre isso no projeto já foram fechadas, os últimos builds devem ter consertado, ou não.
A spec não diz que deve lançar exception mesmo dizendo “must be” então o Oracle TopLink assumiu essa responsabilidade.
Claro que essas funcionalidades devem também mudar de build para build então podem ter diferenças nas versões de builds entre os próprios implementadores, como Hibernate e TopLink mudarem da versão x.x.1 para x.x.3 por exemplo.
Coisas de spec mal escrita, JPA tem que ser urgente revista, os capÃtulos ficam muito ambiguos, tem trechos que você fica bastante confuso, diferente de specs como da JSE que é bastante clara.
O problema disso é que não dá para encapsular a diferença entre as implementações porque o uso dessa anotação é incompatÃvel entre dois desses implementadores.
Outro problema da JPA é a falta de elementos básicos que um ORM deve implementar – como a Criteria – impossibilitando a troca de implementações com um simples refactoring. Tudo bem que em um Domain Model você tem como – e deve – isolar essa diferença entre Engines ORM mas em termos de Refactoring da aplicação no geral, ter que reescrever todas as buscas de uma aplicação porque a Engine não suporta Criteria pode não afetar o modelo mais trará um prejuÃzo enorme.
Como o Hibernate é OpenSource, maduro e anos-luz à frente até da nova especificação de JPA 2.0, a escolha dele pelos profissionais experientes é a mais adequada. Spring, é outra solução ao JEE sem EJB que permanece como indicação desde o livro do Rod Johson de 2004 que era ainda sobre EJB2, recomendava o uso de JEE sem EJB e apresentou o Spring oficialmente ao mundo. Apesar de que Spring e EJB3 estarem bem nivelados hoje em dia, Spring ainda leva uma certa vantagem, ainda mais pela maturidade e semrpe estar nos trilhos corretos, coisa que o EJB está se ajustando aos trancos e barrancos.
Em regra eu sempre recomendo o uso de especificações, mas em determinados pontos a especificação é desaconselhada e o uso direto da implementação tem suporte mais adequado. Não temos o poder de sempre escolhermos as ferramentas mais adequadas, muitas vezes a polÃtica impera – como nos órgãos públicos que são obrigados a usarem Oracle ou IBM por imposição governamental feita em um escritório na Casa Civil.
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