PMBOK de Jeans

{ March 14th, 2009 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Quando cunhei esse termo por volta de 2 anos atrás, o fiz pelo fato de ter observado a migração serelepe dos defensores do modelo “PMBOK de ser” para Scrum.

Um grande problema na compreensão sobre Scrum é justamente achar que ele serve para gerenciar projetos, dessa forma para ser confundido com um PMBOK ágil é um passo. Gerência de projetos é um campo distinto da direção do desenvolvimento de software e não vou tratar ou especificar nesse artigo porque já rascunhei em artigo passado.

Scrum é um modelo de desenvolvimento de software. A Scrum Alliance que é uma espécie de “organismo” que rege a maturação do Scrum, não o definiu como Project Management, mas como:

Scrum is an agile software development framework.

Scrum é similar ao XP ou FDD, guia a equipe com um modelo baseado em práticas para um melhor desenvolvimento de software. Como esse pessoal – que muitas vezes nunca foram técnicos – encontra em Scrum práticas fortemente ligadas ao controle das iterações, transmuta toda a cultura burocrática adquirida em metodologias de gerência de projetos e confunde atividades – como avaliação de riscos e aquisição e controle de recursos – com as necessidades do time jogando fora o que os incomoda – como práticas necessárias ao desenvolvimento – e ficando apenas com o que sentem confortáveis.

Quando James Shore escreveu seu famoso artigo “The Decline and Fall of Agile” ele definiu isso muito bem fazendo analogia que estavam correndo para a sobremesa mas jogando fora os vegetais. Martin Fowler em seu artigo Flaccid Scrum [Akita traduziu e comentou], escreveu ter notado que o problema técnico acontece mais com Scrum devido a não prescrição [omite] de práticas técnicas e ser centrado em técnicas de “gerenciamento de projetos”, ou seja, o problema é de qualidade técnica interna.

Hoje todo mundo se diz Scrum Master, todos entendem e usam Scrum e mesmo assim já estamos vendo projetos com Scrum caírem no mesmo erro e problema de modelos anteriores. Como disse o Martin Fowler em seu artigo: “Esses projetos de Scrum flácido em andamento prejudicarão a reputação não somente do Scrum mas de todo Agile”.

Scrum é uma metodologia maravilhosa que tem muito a engrandecer o XP e as outras metodologias, mas usando um Scrum transviado de PMBOK é um caminho natural ao fracasso retumbante.

Solução?

Eu poderia escrever dezenas de linhas aqui com conselhos e bla-bla-blas mas vou ser direto e lacônico: XP.

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Extreme Programming no Ceará

{ March 8th, 2009 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Em virtude da crescente adoção de metodologias ágeis no Ceará e a carência de informações sobre a situação real nas empresas assim como o mau conhecimento de profissionais sobre métodos e práticas, criei uma lista sobre XP, específica para o Ceará, afim de sanar essas principais dificuldades.

A lista tem menos de um mês e já conta com cerca de 120 membros e uma boa movimentação, por volta de 500 emails, se mantivermos essa média seremos uma das mais movimentadas do Brasil.

A idéia é fortalecer o XP, mas não em detrimento de outras metodologias ágeis, pelo contrário, teremos sempre o prazer em discutir e divulgar outras iniciativas.

Mas XP?

Sim, XP porque tenho um carinho especial e por considerar que é a metodologia mais madura no Ceará.

Segundo dados do artigo do João Barros [membro do grupo], XP aparece empatado com Scrum com 30% de adoção, mas as experiências públicas mais conhecidas e profissionais mais experientes são com XP. Destaque para a Fortes Informática e o Clavius Tales – confiram esse Podcast com ele.

Nada impede discussões sobre outra metodologias, lembrando somente que o foco é XP. Se criqrem outros grupos eu terei o prazer de participar também, só não tenho tempo para administrar e focar várias iniciativas e pessoalmente prefiro XP por motivos que ficarão para um post futuro.

É interessante observar no artigo do João que já há uma crescente adoção por parte das principais empresas do Ceará – ele listou 24 das mais conhecidas e importantes do estado. Todo trabalho de pesquisa é uma fotografia de um momento e nos fornecem estatísticas de avaliação, pode parecer alguns dados muito otimistas, mas precisamos ter uma base para trabalhar as ações e direcionar os esforços.

É impressionante como o XP sem divulgação e apelo de marketing conseguiu empatar com Scrum e com modelos mistos cada qual com 30%. Outro fato interessante é a baixa representação de outros modelos fora Scrum e XP.

Porque do Ceará?

O Anderson Fabiano fez uma pergunta pertinente no twitter:

@cmilfont me juntei ao grupo. perguntinha basica: qual o ponto de limitar o grupo geograficamente (ce) na era da internet?

E ele mesmo deu uma boa definição:

@cmilfont saquei. +- o principio do craigslist (de 4 anos atras)… limitar para conquistar :)

Tenho notado que grupos menores e com pessoas que se conhecem tem melhores discussões porque inibe mais flamewars e ataques pessoais devido ao conhecimento do “humor” nos emails de caras conhecidas.

Criar uma lista exclusiva e focada no estado ajuda a direcionar esforços, não só discussões. Um dos grandes objetivos da lista – grupo- é fortalecer a adoção de XP e para tanto organizaremos eventos e pesquisas nesse intuito.

Já dei início ao censo ágil de 2009 com um questionário para colher informações macros sobre adoção de metodologias ágeis, após essa primeira pesquisa entrerei mais a fundo em questões específicas. A idéia é realizar um censo a cada semestre.

Enfim, vale a pena a participação mesmo de quem não é do estado, as discussões estão “quentes” e boas.

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O que muda?

{ November 13th, 2008 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Pra quê?
— Pra nada!

Poema Gaúcho do poeta pernambucano Ascenso Ferreira.

O SEI publicou uma nota sobre CMMi e Agile e causou um certo frisson em membros de “listas de discussões agiles”.

O que muda? nada, absolutamente nada. Pelo menos para o mundo agile continua a mesma coisa, não só temos de lutar contra o mundo de terno como o pessoal do Jeans já está lutando entre si.

O SEI está vendo que perdeu a batalha e agora quer liderar essa nova “era agile”.

Agile é possivel com CMMi?

Nunca, porque a cultura deles valoriza mais os itens a direita do manifesto ágil, é da essência.

Mas vão tentar especificar um “burro”, podem ter certeza.

A mistura de um jumento[jumenta] com cavalo[égua] nasce um burro[mula], ser híbrido mas ESTÉRIL. Muito bom para trabalhos pesados [já que o jumento tem resistencia] e com mais velocidade [que o cavalo possui] mas que não pode gerar filhos. A mesma analogia pode ser aplicada a mistura de duas culturas antagônicas.

Quem promove essas bobagens são charlatões que saíram do mundo do terno e caíram no mundo do Jeans por pressão e querem se sentir com capacidade de liderar novamente, para isso precisam controlar e guiar a cultura do Jeans já que é contra sua essência assumir que um “Recurso Humano” [que para nós se chama gente ou pessoa] tem mais valor do que um processo por exemplo.

Essa turma não consegue entender a cultura que propiciou o manifesto ágil e abraçou – desvirtuando – alguns métodos, entre eles o Scrum, que apelidei desde o ano passado de “RUP de Jeans”.

Observe que o software funcionando foi abandonado em prol do discurso de “gestão”, “venda da imagem”, “governabilidade” e todas as Buzzwords importadas – [trazidas?] – do mundo de terno.

XP é radical

Noto que o pessoal FuDiDo está em luta aberta contra o XP, tudo bem que FDD sempre esteve à sombra até do Scrum, mas esse tipo de abordagem é idiota e irracional, com argumentos do tipo: “XP é um nome agressivo”, “Práticas de engenharia do XP são restritivas e difíceis de adotar”, “XP não tem governança de projeto”, “XP não tem controle de riscos, prazos”, “Whatever”.

Idiotice tem limites e todos os limites já estão estourados. Esse tipo de argumentação é somada com os preconceitos clássicos de que: “agile não dá certo em projetos grandes”, “equipes remotas perdem toda a comunicação”, “não tem documentação”, “é anarquia”, … e se confundem.

Essa nota do SEI me lembrou da Questão Christie, o que eles querem? Um pedido de desculpas por terem enterrado sua cultura na lata do lixo da história? Vão impor sua força para controlar o mundico agile?

Ágil não dava errado em projetos grandes? As falácias estão perdendo força?

Vamos esperar qual o próximo capítulo.

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