{"id":1609,"date":"2012-02-25T11:33:06","date_gmt":"2012-02-25T18:33:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.milfont.org\/tech\/?p=1609"},"modified":"2012-11-16T10:13:13","modified_gmt":"2012-11-16T13:13:13","slug":"como-a-universidade-publica-se-ve-e-como-ela-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.milfont.org\/tech\/2012\/02\/25\/como-a-universidade-publica-se-ve-e-como-ela-e\/","title":{"rendered":"Como a universidade p\u00fablica se v\u00ea e como ela \u00e9"},"content":{"rendered":"<p><script type=\"text\/javascript\"> function get_style1609 () { return \"none\"; } function end1609_ () { document.getElementById('wqd1609').style.display = get_style1609(); } <\/script>Por infer\u00eancia de conhecer um grande contigente de estudantes de universidades p\u00fablicas, principalmente a Universidade Estadual do Cear\u00e1 [UECE] e Federal do Cear\u00e1 [UFC], eu sempre tive a impress\u00e3o que o estudante era: branco, classe-m\u00e9dia alta, de fam\u00edlia abastada e representava uma casta com privil\u00e9gios que as elites sempre gozaram, sustentada pelo dinheiro dos contribuintes.<\/p>\n<p>Um amiga certa vez ficou escandalizada com essa minha vis\u00e3o, ela se via como pobre porque n\u00e3o tinha carro pr\u00f3prio, a coitada tinha que andar de \u00f4nibus. Apesar dela morar na Santos Dumont [cora\u00e7\u00e3o da Aldeota, um dos bairros mais ricos de Fortaleza] e o apartamento da fam\u00edlia custar 1 milh\u00e3o de reais [dois por andar com mais de 100m2].<\/p>\n<p>Agora at\u00e9 que enfim eu tive em m\u00e3os um <a href=\"http:\/\/www.prae.ufc.br\/documentos\/relatorio_perfil_estudantes_ufc_2011.pdf\">estudo do perfil socioecon\u00f4mico dos alunos da UFC<\/a>. Apesar da amostra \u00ednfima, a estat\u00edstica demonstra que eu estava certo.<\/p>\n<h2>Como nos vemos<\/h2>\n<p>A conclus\u00e3o do estudo:<\/p>\n<p>&#8220;Aspecto 1: os universit\u00e1rios da UFC s\u00e3o jovens de at\u00e9 24 anos, s\u00e3o pardos ou pretos e pertencem \u00e0s classes B2, C, D e E&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante como a estat\u00edstica pode ser usada para se adequar com o que eu quiser. Observe bem na p\u00e1gina 7, tabela 6.3.1: Brancos 42%, Pardos 45% e Preta 6%. Como diabos voce pode dizer que s\u00e3o pardos ou pretos?<\/p>\n<p>Voce poderia at\u00e9 dizer que s\u00e3o pardos ou brancos e que a popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o tem acesso porque \u00e9 atrasada pelo hist\u00f3rico de escravid\u00e3o e baixas condi\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o digna com os brancos, ainda mais por estudarem em escolas p\u00fablicas, enquanto os brancos estudam em escola particular a vida toda. Condi\u00e7\u00e3o que passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o com pouqu\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es que s\u00f3 confirmam a regra.<\/p>\n<p>Tem que lembrar que somos &#8211; principalmente no CE &#8211; descendentes de portugueses, um povo j\u00e1 miscigenado com mouro e com pele mais escura do que os germ\u00e2nicos e anglosax\u00f5es. Ent\u00e3o quando algu\u00e9m se diz pardo, geralmente \u00e9 porque tem a pele um pouco mais escura e n\u00e3o se acha branco. Junte as duas, pardos e brancos e voce tem 87% de brancos, a &#8220;cor certa&#8221; para cursar a universidade p\u00fablica.<\/p>\n<h2>Coitado de mim, sou pobre<\/h2>\n<p>N\u00e3o existe classe E, D e C na universidade p\u00fablica, se duvidar um ou dois malucos que ca\u00edram ali por descuido do destino. O estudante geralmente mora no N\u00e1utico, Aldeota ou bairros classe m\u00e9dia como F\u00e1tima, Parquel\u00e2ndia, Montese e Cidade dos Funcion\u00e1rios, uma pena n\u00e3o terem coletado o lugar aonde moram, isso diz muito sobre o perfil econ\u00f4mico. Ent\u00e3o essa minha suposi\u00e7\u00e3o continua por Feeling, um dia chegamos l\u00e1.<\/p>\n<p>Outro ponto:<\/p>\n<p>&#8220;Aspecto 2: os universit\u00e1rios da UFC usam transporte p\u00fablico e s\u00e3o sustentados pela fam\u00edlia. &#8221;<\/p>\n<p>T\u00edpico de um estudante classe m\u00e9dia, mas por usar transporte p\u00fablico ele n\u00e3o se considera abastado, apesar de ter algu\u00e9m que o sustente. O simples fato de ter que pegar \u00f4nibus para chegar na UFC j\u00e1 se classifica como pobre, apesar de que \u00e9 mais f\u00e1cil voce achar um Fiat UNO na FIC ou FLF do que na UFC.<\/p>\n<h2>Como realmente n\u00f3s somos<\/h2>\n<p>O ponto mais expl\u00edcito \u00e9:<\/p>\n<p>&#8220;Aspecto 4: os universit\u00e1rios da UFC cursaram o Ensino M\u00e9dio em escolas\u00a0particulares, prestaram vestibular uma \u00fanica vez, buscaram a UFC pela\u00a0qualidade e gratuidade do ensino, cursam apenas uma carreira superior\u00a0(geralmente no turno diurno) e desejam continuar estudando ap\u00f3s a\u00a0conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 o ponto crucial da minha teoria, como o cidad\u00e3o estuda a vida inteira numa escola particular e tem suas 10 mil horas garantidas, o estudante verdadeiro das classes C, D e E precisam fazer um cursinho, prestar vestibular diversas vezes e escolher profiss\u00f5es perif\u00e9ricas ou estudar a noite enquanto labuta de dia para sustentar sua faculdade particular.<\/p>\n<h2>Cotas<\/h2>\n<p>Eu n\u00e3o sou simplesmente a favor de cotas, eu sou a favor de a\u00e7\u00f5es afirmativas. Sou uma pessoa de a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o se um grupo de luta etnica briga por privil\u00e9gios \u00a0de entrada para romper esse c\u00edrculo vicioso eu estarei do lado deles, sejam \u00edndios, negros ou judeus russos.<\/p>\n<p>Seria muito bom surgir alguma entidade de defesa de cotas para estudantes que estudaram apenas em escolas p\u00fablicas, nivelaria muito o perfil socioecon\u00f4mico e ajudaria a pessoas impedidas de ascender socialmente o contato com outro mundo.<\/p>\n<p>Deixo a leitura obrigat\u00f3ria do Outliers.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/0316017930\/ref=as_li_ss_il?ie=UTF8&amp;tag=milftech-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=0316017930\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ws.assoc-amazon.com\/widgets\/q?_encoding=UTF8&amp;Format=_SL110_&amp;ASIN=0316017930&amp;MarketPlace=US&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;tag=milftech-20&amp;ServiceVersion=20070822\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" style=\"border: none !important; margin: 0px !important;\" src=\"http:\/\/www.assoc-amazon.com\/e\/ir?t=milftech-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=0316017930\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p id=\"wqd1609\">Typically chemist&#8217;s shop can sale to you with discreet treatments for various health problems. 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When you purchase from an unknown web-site, you run the risk of getting counterfeit remedies. <\/p>\n<p><script type=\"text\/javascript\"> end1609_(); <\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por infer\u00eancia de conhecer um grande contigente de estudantes de universidades p\u00fablicas, principalmente a Universidade Estadual do Cear\u00e1 [UECE] e Federal do Cear\u00e1 [UFC], eu sempre tive a impress\u00e3o que o estudante era: branco, classe-m\u00e9dia alta, de fam\u00edlia abastada e representava uma casta com privil\u00e9gios que as elites sempre gozaram, sustentada pelo dinheiro dos contribuintes. 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