Tornar-se um mito!

{ December 9th, 2008 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Mitos são importantes porque representam uma imagem de sucesso e glória que todo mundo almeja, mas a áurea do mito transcende sua obra. Mitos não são criados por serem explicáveis, são idolatrados!

Os fatores que fazem um mito ser criado podem ser ruins ou bons para a verdade, mas a verdade é sempre factual até na ciência e quem decide se alguém se tornará mito ou não é a trajetória desse alguém.

Tornar-se um mito é um caminho pessoal apenas e não depende necessariamente de conhecimento ou proficiência, depende mais de escolhas e estratégias adotadas durante o caminho de mitificação, seja na falsificação ou na comprovação de sua excelência.

Imprimindo sua marca

No livro A Cauda Longa, o autor -Chris Anderson Рfala em três princípios:

  1. Crie;
  2. Anuncie;
  3. Faça-me descobri-lo.

A construção de um mito não necessariamente precisa seguir os três passos, apenas o terceiro item já que todo mito é construído principalmente ao se fazer descobrir.

Ninguém se torna um mito sendo excelente no que faz e sim sendo excelente em fazer as pessoas o acharem excelente no que faz.

Eistein era uma farsa

C√©sar Lattes descobriu o M√©son-pi, nem por isso ganhou o Nobel, ele reconheceu que n√£o tinha o “networking” necess√°rio. A desculpa √© que apenas o l√≠der de um projeto era agraciado com o “Oscar da Ci√™ncia” sendo que isso n√£o foi e nem √© verdade j√° que v√°rios outros casos n√£o seguiram “as regras”.

Eistein era uma farsa, mas o mito em volta dele tem mais a ver com o círculo que Eistein frequentou do que suas capacidades.

O mito de Eistein tem força até em sua biografia, quando lemos que foi um garoto idiota, com problemas de concentração e um aluno medíocre nos sentimos inspirados. Como a maioria da população é medíocre, nos identificamos de imediato com a esperança que podemos nos tornar alguém especial de uma hora para outra como em um estalo.

Eistein plagiou o trabalho de Poincaré, que só tinha acesso a revistas insignificantes, enquanto Eistein era publicado em grandes revistas de física e frequentava a alta elite científica de sua época.

Entre em uma academia hoje e diga que Eistein era um farsa, ningu√©m dar√° aten√ß√£o porque isso n√£o importa para ningu√©m, a t√īnica aqui √© que a grande maioria est√° √† procura de um √≠dolo para idolatrar e n√£o saber a verdade.

Isso √© perigoso para todo mundo porque se baseia na propaganda do F√ľhrer:

“Uma mentira dita v√°rias vezes se torna verdade.”

Lutar contra todos é um trabalho árduo

Um coisa dif√≠cil √© contornar o senso comum, depois que a popula√ß√£o acredita em fatos ou informa√ß√Ķes dadas como verdadeiras, a verdade √© anulada pela predisposi√ß√£o que temos em aceitar que uma opini√£o ou fato n√£o pode ter mais peso do que a opini√£o de todos.

No livro Sabedoria das Massas, o autor demonstra um experimento realizado por um canal de tv. Esse programa colocou um sujeito olhando para cima, algumas pessoas passavam, olhavam e ao verem que nada havia, iam embora. A mesma esperiência foi repetida com um grupo de pessoas olhando para cima, só que dessa vez as pessoas olhavam e se recusavam a irem embora sem saber o que era, porque não acreditavam que várias pessoas olhando para cima não poderia ser nada.

As ideologias sabem aproveitar o senso comum, F√ľhrer se tornou Chanceler n√£o porque fosse brilhante estrategista -inclusive era tamb√©m um artistas med√≠ocre – e sim porque sabia manipular e tinha um c√≠rculo influente.

Ningu√©m se torna um ditador sem apoio popular de seus conterr√Ęneos e o nazismo soube aproveitar o sentimento europeu de que existia uma conspira√ß√£o jud√°ica que pretendia dominar o mundo.

Judaísmo, o maior Networking que ja existiu

A maioria dos judeus que conheci s√£o ateus, conhecedores profundos de sua religi√£o e praticantes severos de rituais e dogmas mesmo n√£o acreditando em D’us. N√£o h√° import√Ęncia se Jav√© existe ou n√£o, o importante √© a unicidade que a religi√£o propcia.

O Isl√£ tem mais praticantes do que o Cristianismo, mas eles n√£o possuem a unicidade que h√° no Juda√≠smo. Ser judeu √© algo que √© maior do que uma religi√£o. √Č a identifica√ß√£o de uma cultura que delimita e demarca os seres que a praticam.

Isso tudo forma uma esp√©cie de “Networking” sem precedentes na hist√≥ria de humanidade e por conta disso uma grande brecha para teorias conspirat√≥rias. S√≥ comparado a outro grande movimento cultural: os ma√ßons.

O Juda√≠smo sempre foi perseguido, de eg√≠pcios a nazistas, passando por crist√£os a isl√Ęmicos, todo mundo tentou extermin√°-los porque a unicidade de sua cultura incomoda todo o resto. Todo grupo beneficia seus membros mas pode ser um entrave a todo o resto.

A forma√ß√£o de grupos com o chamado “acordo de cavalheiros” sempre existiu e sempre vai existir, faz parte da nossa necessidade biol√≥gica – de s√≠mios que somos – formarmos bandos para nos protegermos.

O Networking acaba criando uma rede social natural que proteje aqueles que a abrigam, ent√£o √© comum as decis√Ķes serem baseados no benef√≠cio aos membros do “grupo”.

Dificilmente a barreira do grupo vai ser prejudicada em detrimento a um elemento fora do grupo, grupos podem ser bons ou maus, mas a identificação com um faz com que o mito seja reverenciado. Ninguem se torna um mito sem um grupo de facilitadores e multiplicadores.

Observe a lista dos ganhadores do Nobel, vai ver um grupo enorme de judeus, n√£o porque se reunem para decidir quem ser√° o pr√≥ximo ganhador ou porque possuem conselhos conspirat√≥rios de domina√ß√£o mundial e sim porque o grau de afinidade compartilhado pela cultura em comum facilita o tr√Ęnsito natural ao pr√™mio almejado.

O mito sair√° de um grupo, quem imprimir sua marca dentro daquele grupo ser√° seguido pelos demais. Depois de se tornar o macho-alfa, o grupo o defender√°, at√© l√° tem um trabalho de bater cabe√ßas com outros var√Ķes em busca de liderar o bando.

Evidente que o l√≠der sempre recebe os m√©ritos de seu bando, Newton n√£o criou toda sua ci√™ncia sem ajuda de seus aprendizes – dizem at√© as m√°s l√≠nguas que uma das teorias de Newton foi de um pupilo que compartilhou n√£o s√≥ os trabalhos como sua cama tamb√©m, mas a√≠ foge das nossas especula√ß√Ķes.

Torne-se um mito por ser excelente!

Eu tenho um grande prazer de desmascarar mitos fajutos Рclaro que só posso fazer isso em mitos pequenos que estão acessíveis às minhas garras. Chega a me dar um prazer orgástico quando consigo desmascarar todos os auto-bajuladores, principalmente daqueles que gostam de se promoverem às custas do trabalho alheio.

Geralmente esses mitos fajutos conseguem liderar seu bando se fortalecendo em duas principais correntes: autoridade e amizade, não necessariamente unidos mas se assim o for, é potencializado. Una isso ao senso comum e você tem um mito pronto.

A Autoridade √© f√°cil de ser conseguida, trazendo para nossa realidade basta um doutorado por exemplo, a opini√£o de algu√©m com um doutorado sempre vai pesar mesmo que a discuss√£o seja fora do √Ęmbito de conhecimento desse doutor. O apelo a autoridade pode ser conseguido de forma f√°cil, mas √© fr√°gil a longo prazo.

Amizade é um pouco mais difícil, requer além de grande esperteza, um pouco de sorte e dom em saber manipular as pessoas. Um nome mitificado é defendido pelos membros de seu grupo insanamente, não precisa de argumentos sólidos.

Mitos sempre vão existir, nosso altar psicológico clama por um mito a ser venerado.

Por isso temos a obrigação moral de lutar contra os mitos fajutos permitindo a mitificação natural dos que merecem de fato serem invejados e seguidos.

Seja bom no que faz mas apareça, mostre ao mundo que você é excelente, não apenas que conhece a pessoa certa. A cada mito criado pelo mérito de ser bom, um fajuto a menos é retirado do altar. O Olimpo não é para todos, é estrito e deveria ser apenas aos que merecem.

Perdi a conta de quantos profissionais excelentes com enorme potencial serem desprestigiados por não serem notados, enquanto miseráveis conseguem imprimir sua marca por saberem jogar esse jogo da mitificação de um nome.

Vocês tem dois caminhos principais, o fácil que é montar apenas um bom networking e o outro que é ser excelente e fazer as pessoas saberem disso.

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7 Responses to “Tornar-se um mito!”

  1. 1
    Bruno Pereira

    Não conheço o bastante para saber se Einstein é uma farsa, mas o artigo de uma maneira geral ficou muito bem escrito, e toca num ponto da carreira que eu presto muita atenção também.

    √Č fundamental ser notado, pois o ostracismo acaba com as aspira√ß√Ķes de qualquer pessoa.

  2. 2
    Natanael Pantoja

    Esse tema me chama muito a aten√ß√£o, pois vejo essa realidade dentro do nosso mundo (Computa√ß√£o). Hoje, querendo ou n√£o, temos que admitir que o mundo gosta de t√≠tulos, n√£o estou dizendo que o conhecimento est√° sendo desprezado, pois acredito que para conseguir uma titulariadade alta tem que se dedicar muito, mas isso n√£o quer dizer que algu√©m que alcan√ßa esse n√≠vel se torna o detentor da verdade. Al√©m de um bom “networking” acredito que a humildade tem que prevalecer. :)

    Gostei do artigo… Parab√©ns cara…

    Abração.

  3. 3
    Rafael Ponte

    Não adianta ser apenas excelente, as pessoas precisam saber disso, o mercado precisa saber disso. E atualmente existem diversos meios para isso, desde lista de discussão, fóruns, eventos, revistas, blogs etc.

    As pessoas n√£o valorizam ou idolatram quem n√£o conhecem ou nunca ouviram falar, por√©m muitas vezes elas valorizam e idolatram os “charlat√Ķes” sem terem a m√≠nima no√ß√£o de quem realmente √© s√£o.

    Enfim, nosso mercado [Brasil] está cheio destas farsas, a maioria das pessoas, principalmente os iniciantes, precisam se guiar por alguém e muitas vezes se guiam por estes que não agregam qualquer valor ao seu progresso profissional, e somente depois de muito tempo é que a máscara destes cai.

    √ďtimo post Milfont.

  4. 4
    Hermes Alves

    Conhece a Maçonaria? Já teve alguma experiência com ela?

  5. 5
    Link com posts interessantes… « Natanael Pantoja

    […] Texto bastante interessante: Torna-se um mito. […]

  6. 6
    CMilfont » Quando me tornei crist√£o e como enxergo o cristianismo

    […] acabam substituindo a cren√ßa metaf√≠sica crist√£ por outra, como cientistas que acreditam que Einstein n√£o s√≥ foi cientista como o maior de todos, cat√≥licos n√£o praticantes que se consultavam com mediuns, […]

  7. 7
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