Aumento do conservadorismo

Esse artigo é um ensaio para meu projeto de pesquisa Crowds.

Eu tenho vários drafts, alguns com meses até, sobre meu projeto de pesquisa e nenhum está pronto, aliás, eu digo até que nem “rascunho” ainda são. Li algumas dezenas de artigos, uma pilha de livros e reli outros que tinha lido há mais de 15 anos. Tudo para ter uma boa base sobre o que estou escrevendo, mas vou parar um pouco de escrever drafts e soltar o primeiro artigo que basicamente nasce da improvisação.

Esse post aqui está sendo escrito sem consultar essa fonte bibliográfica e simplesmente está saindo [ou saiu quando eu clicar em “Publish”]. Não tinha pensando em escrever sobre isso [no título do artigo] até o momento.

Durante um tempo eu venho observado que o mundo inteiro, e claro que isso reflete no Brasil, vem dando uma guinada perigosa ao conservadorismo. Pior, estamos nos entregando como cordeiros sem realmente sequer pensarmos no assunto.

Não, não falo em conservadorismo de um Burke, me refiro ao estilo raivoso e intolerante da pior espécie, basicamente nascido do pudor religioso.

Vamos dar um salto na década de 80 no Brasil, Chacrinha e suas chacretes hoje seriam rechaçadas e o pessoal da Uniban as chamariam de putas [referência da última semana aqui, não vou colar material, se você não sabe do que estou falando, melhor, nem vale a pena saber].

Olha para o Domingão do Faustão de 89, aliás, olhe para o corpo de balé [deve ser chamado assim],as meninas todas de fio-dental ou maiô bem cavado. Quando eu digo olhe, é porque sei que você vai resgatar da mente [se você nasceu depois, compreenda, não tínhamos Internet, corra pro tubo para entender]. Lembra das roupinhas da Xuxa e suas paquitas?

Vamos voltar um pouco mais, década de 60, era da tanguinha e nascimento do fio dental [sim a coisa é antiga], pessoal pregando paz e amor, pílula e amor livre. O quanto hoje você tolera dessas coisas e o quanto você acha que é tolerável pela sociedade?

Ok, até agora são apenas bobagens, coincidências, dirá um cético.

Vamos aprofundar, já devem ter visto essa foto antiga, não?

Quem diria que o procurado number one terrorista religioso andava tão parecido com um membro do Jethro Tull.

Você deve está se perguntando, ou deveria, aonde ele quer chegar com isso?  Ou então, o que tem a ver tecnologia [esse blog], com Crowds [minha pesquisa], com conservadorismo [esse artigo] e o Bin Laden?

Entendendo o mundo que vivemos

A sociologia moderna, sobretudo inspirada por Durkheim, acredita que o homem é um animal que só se tornou “ser-humano” por causa do coletivo e seu comportamento não é vontade individual e sim estabelecido e moldado pela sociedade. Basicamente isso [claro que com blablablas para se passar em prova de faculdade também].

Agora o que é melhor em Durkheim, e ele foi chamado de conservador por isso, é que os homens são guiados por normas estabelecidas e portanto uma anomia [ausência de leis, regras, convenções, normas ou como você queira chamá-las] causa a perda de identidade coletiva e os indivíduos com isso perderão a capacidade de manutenção da ordem e o caos reinaria.

Indo direto ao ponto, Durkheim disse que: mudanças sucks, ficar como está rocks. Ou seja, você tem uma sociedade moldada pela escola, familia, religião, governo e tantas outras instituições que uma mudança brusca e total afetaria a ordem reinante e o mundo piraria.

O ponto crucial aonde quero chegar nesse artigo é que as mudanças que estão em curso na humanidade não são apenas de ordem política, religiosa ou ideológica.

Há quem se engane que o mundo estava dando uma guinada para a esquerda [hemisfério ideológico que já não se sabe mais o que é] e que agora está dando uma guinada leve para a direita [outro hemisfério tão confuso quanto o outro].

Em vários momentos da história isso já aconteceu, tanto que Dom Pedro II passou bom tempo no poder sabiamente trocando um “Luzia” por um “Saquarema” a cada turmo e assim apaziguando as torcidas organizadas, ou mantendo-as ocupadas, o que não deixa de ser sábio também.

A política é algo que está se tornando irrelevante nas discussões mundiais e isso é perigoso também, já disseram que mesmo se você não gosta de política, não adianta, vai ser sempre comandado por quem gosta. Pense nisso, Hitler, Stalin e Polpot amavam a política.

As mudanças que ocorrem no mundo são mais brutais, é um choque de placas tectônicas da história, o que Alvin Toffler chamou de Terceira Onda. Não estamos falando apenas de política ou ideologia ou sequer religião, as mudanças são em todas as áreas do conhecimento e relacionamento humano.

Desde a mudança de comportamento de Hit para nicho, o achatamento do mundo, a colaboração entre empresas e pessoas, a sabedoria de centenas de pessoas trabalhando para algo sem remuneração direta que não seja o proprio beneficio desse trabalho, do qual chamamos de Crowdsourcing, guerras cirúrgicas, e tantos outros movimentos que combinados subvertem toda a ordem conhecida e principalmente a mais comum dessas ordens, o “senso comum“.

Esqueça tudo que você conceituou como sendo o verdadeiro, o real, o certo, como aprendi, o que eu sou e aonde chegarei. Assim você consegue se aproximar de entender como um Facebook, que é apenas uma “página” na internet vale mais do que uma indústria da Coca-cola, com suas centenas de trabalhadores, concreto e máquinas que custam milhares de dólares.

Aonde mora o perigo

Quando ocorre a transição entre ondas na história, essa transição sempre é violenta e muito combatida, tanto a onda anterior tenta sufocar a nova onda como a nova onda tenta destruir todos os valores e crenças da onda anterior para prevalecer.

Voltando a Durkheim, quando tentamos subverter os valores conhecidos e “palpáveis” nós estamos tirando o chão das pessoas, aquilo que elas acreditam. A tendência natural das pessoas é se refugiarem naquilo que conhecem e podem explicar, como religião.

Não que religião explica alguma coisa, mas é algo conhecido. Desde adão e eva, aqueles dois macaquinhas africanos, que todo mundo sabe o que é. O que melhor para um charlatão do que advogar algo que a ciência não pode explicar e fica por isso?

Então, há movimentos curiosos de expansão da igreja católica em áreas tradicionalmente protestantes, islâmicas e protestantes em áreas tradicionalmente católicas e um recrudescimento global em relação à moral [principalmente no sentido sexual] e pudor. O que impressiona e causa espanto é que a tendência seria o oposto, vide a maturidade do feminismo, a expansão dos direitos homosexuais e outras minorias que conseguiram crescer e se fazerem ouvir nas últimas décadas.

Mas o que isso nos preocupa?

Preocupa-me em particular essa queda ao conservadorismo religioso como uma barreira perigosa a transição para a nova onda, nós que trabalhamos com tecnologia, basicamente ciência [pelo menos quando não estamos dando tapinhas na maquina], somos os mais privilegiados pela nova onda, dinheiro brota de fontes inesgotáveis e subverte a economia [ciência da escassez] e cria um admirável mundo novo.

Mas o pior nem é isso, o pior são os direitos individuais, a nova onda é baseada na liberdade e na livre escolha. Digamos que religião não se dá bem com livre escolha, por mais que o “Free Will” esteja em sua porta de entrada.

Ora, se o mundo inteiro aceita ter sua liberdade tolhida em troca de um lugar comum que o abrace, a minha liberdade está seriamente ameaçada. Pense nisso com carinho.

Para evitar essa guinada perigosa as pessoas precisam entenderem o mundo que vivem. Sentirem-se seguras com essa nova ordem.  Os que nasceram e cresceram antes da internet vão morrer sem entender, os que nasceram antes e cresceram depois tem uma possibilidade de mudarem junto com o mundo.

Daí você me pergunta: Mas o que podemos fazer?

E eu respondo: não sei! Se soubesse já tinha escrito um paper… ou um livro de auto-ajuda e ficado rico.

O principal não é encontrar respostas nesse momento e sim formular as perguntas corretas, quando temos uma pergunta nós sabemos como trabalhar na resposta. Entender o mundo que vivemos e identificar mudanças que podem nos prejudicar é importantíssimo. Mais ainda é esclarecer a quem não consegue compreender.

E principalmente, quando xingar aquele crente maluco que fala que Kali Yuga cristão está próximo, igual ao pessoal fazia em 999, lembre-se que ele o legislará daqui a pouco.

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5 thoughts on “Aumento do conservadorismo

  1. Valdir Silveira

    Caro Milfont, da mesma forma que você, vou soltar algumas idéias. Primeiro que o conflito de ondas acontece de forma diferente ao redor do mundo, não só pela cultura como pelo “nivel” de consciencia das pessoas e avanço tecnologico. Em um lugar esse duelo é pesado, em outros, por serem tão atrasados (Brasil?) só se ouve alguns ecos. Segundo, como o próprio Alvin Tloffer fala (youtube, v=04AhBnLk1-s) que a educação não está nem longe de preparar os indivíduos para essa nova onda, para uma onda que deveria ser hoje, mas que só conseguimos vislumbrar algumas coisas que nem entendemos direito o que são.

    Esse conservadorismo que você fala, ok, é pesado mesmo, é brutal, ainda mais quando a “religosidade cega” aparentemente está mais forte a cada dia, aspecto totalmente contraditório ao que poderiamos chamar de “Era do Conhecimento”. Porém, também vejo outra coisa ruim, é a deturpação dessa “nova era” por parte das corporações, que tentam – e conseguem – vender e moldar, manter o controle. Diante de um iminente e inevitavel surgimento de algo novo, que naturalmente se desenvolve (sejam novos pensamentos, necessidades, liberdades etc) há uma corrida das empresas para, a todo custo, engarrafar, rotular e vender esse algo novo com o slogan “compre com a gente, você conhece, você confia”. Nova onda engarrafada com o rótulo do conservadorismo e controle.

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  4. RogerT

    Hello Friend, I am writing from the Gold Coast, Australia. Thanks for the great article. It helped me a lot with my college domestic science essay 🙂

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