Pirataria e o caso Megaupload

{ January 26th, 2012 }


cmilfont

Autor: cmilfont

Considero o finado Megaupload e similares iguais a um camelô que vende DVD pirata no centro da cidade. Ambos representam a mesma filosofia, copiam obras sob leis de copyright e faturam sem pagar royalties.

Isso é pirataria ☠, Don Vito Corleone disse uma vez:

Não me importa como um homem ganha sua vida, desde que não atrapalhe meus negócios.

Logo depois ele levou tiros e foi parar no hospital, mensagem de vida para demonstrar que mesmo no crime existe ética e posicionamento. Quando você relega a defesa de seus princípios essa omissão retorna contra você.

Eu não vou exaltar o que o grupo #anonymous fez, estão defendendo quem não merece e isso ajuda a atrapalhar o entendimento já confuso sobre a diferença entre pirataria e compartilhamento.

Sobre o que penso sobre compartilhamento está resumido numa entrevista que dei para o Uol em 2007. Tem quase tudo lá.

Pirataria vs Compartilhamento

Eu como anarco, considero o compartilhamento justo e salutar, ninguém tem dinheiro ou disposição suficiente de comprar todas as obras que existem sejam de que campo de conhecimento for, isso é até impossível. O problema com o digital é a tênue fronteira entre  ”emprestar” a cópia que comprei legalmente com um amigo e espalhar uma obra fazendo que ninguém precise comprar.

Corrijo-me, o problema não é com o digital, é com a distribuição. Vejamos:

Na época da fita cassete a indústria até mantinha incentivos para que as pessoas compartilhassem suas cópias, o mesmo aconteceu com o cd facilitando a cópias e barateando o custo de copiar, ainda assim isso não ameaçou os negócios. Era muito trabalhoso, voce fazia cópias e teria que se encontrar com o amigo para entregar, o boca-a-boca necessário para ajudar no marketing era lento. Nosso P2P da época.

Com a internet a distribuição ficou gratuita, não temos mais necessidade de encontro físico, Era do napster e depois kazaa. Aí a indústria começou a amargar diminuição de vendas.

Depois surgiram tecnologias que facilitariam o P2P como o torrent, utopia anarquista.

Atravessadores?

Hoje eu considero as empresas tradicionais da indústria do entretenimento como atravessadores modernos, talvez caixeiros-viajantes. O problema que acontece em qualquer Era é substituir um modelo já estabelecido com ruptura brusca sem uma alternativa viável para os antigos donos do dinheiro. A mesma internet que facilita novos modelos de  negócios destrói os antigos como as carroças que desapareceram ou profissões como acendedor de lampião do século 19.

Qual a solução? Até lá muitos processos acontecerão, mas defender estruturas atravessadoras como o Megaupload não é a solução.

tl;dr

Eu defendo compartilhamento e que se criem leis para  legislar os limites do que seja compartilhar, não defendo pirataria, que se prenda aqueles que desobedecem as leis. Sou anarco, não anomista.

https://twitter.com/#!/cmilfont/status/162167850633662464

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Novo Capitalismo

{ January 20th, 2012 }


cmilfont

Autor: cmilfont

A revista The Economist trás uma reportagem sobre o novo modelo de capitalismo que – principalmente – os países em ascensão estão praticando, do qual eles chamam de novo modelo “capitalismo de estado“, desde um capitalismo de estado comunista chinês ao desavergonhado capitalismo burocrata russo, passando pelo corporativismo brasileiro.

Não vou nem fazer juízo de valores sobre o quão errado é esse modelo econômico que coincidentemente esses países estão desenvolvendo, uma opinião de um economista especializado no assunto é melhor.

De todos eles, o Brazil na minha opinião é o mais flexível culturalmente para entrar no seleto grupo de desenvolvidos, mas para isso não deve competir com os outros BRICs, deveríamos investir em tecnologia e criação de riquezas com base em serviços.

Não tem como competir com a China no setor industrial sem retirar direitos e privilégios dos trabalhadores, só para vocês verem como o discurso marxista é só da boca pra fora, em nenhuma republiqueta comunista, da Coréia do Norte a Cuba, passando pela extinta URSS, os trabalhadores conseguiram direitos como os quais gozam os trabalhadores em países capitalistas.

Não tem como competir com Índia no serviço de commodities e serviço de mão de obra barata, como o executado por financeiras, call center e demais que necessitam apenas de um ser humano atrás de um telefone sem grandes atributos intelectuais. Não se compete com 1 bilhão de indianos a 2 dólares a hora.

Temos que competir diretamente com os desenvolvidos nos serviços de alta rentabilidade como registro de patentes tecnológicas, pesquisas e inovação de produtos . Depois mandamos fabricar numa China, Taiwan ou Vietnã pelas mãozinhas de crianças escravas como faz a Apple.

O Chile já saiu na frente com projetos inovadores e eficazes como o Startup Chile. O que nós cidadãos estamos fazendo para forçar nossos governantes a tomarem atitudes que privilegiem esse tipo de movimento?

Não que o brasileiro seja especial em detrimento a outros cidadãos do BRIC, mas somos o único país do ocidente. O problema é que a nossa educação como modelo de civilização é uma das mais atrasadas, não temos avançado em incentivar a população a estudar inglês [o Latim moderno], não temos cultura capitalista e muito menos democrática [ainda "bem" que nenhum dos BRIC também não tem] e além de tudo agora vamos gastar todas as economias nos US and A – alguém acha que o brasileiro vai viajar para aprender algo?.

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A revista VEJA em sua edição 1412 de 04 de outubro de 1995, portanto há 16 anos, trazia em sua capa a matéria entitulada: “Os Novos Milionários“, você confere no acervo digital da revista. A temática do artigo era demonstrar como o dinheiro mudava de mãos muito rápido e gerava a cada dia novos milionários.

Essa edição 1412 comparava ainda como era a classe rica desse país do início do século 20 com a atual – atual da época dos anos 90. Essa comparação tinha um motivo, a tônica era demonstrar como o Brazil estava abraçando o capitalismo e o empreendedorismo e como essa nova classe de milionários trabalhava duro e por esse motivo vinha o seu sucesso.

As grandes estrelas daquela matéria eram os banqueiros, até então ilibados no imaginário popular da classe média. Hoje em dia pegaria muito mal demonstrar que a nata dos milionários de uma nação eram pessoas consideradas improdutivas e que vivem do lucro do trabalhador. Sim, ainda mais nessa era atual onde a liderança política e ideológico tende a esquerda, ainda mais uma esquerda vinda de um grosseiro marxismo.

Entre aqueles milionários, o mais jovem entre eles, um promissor Eike Batista. Confira um recorte abaixo:

Eike Batista ainda milionário

A Formula se repete

A revista de hoje, 15 de janeiro de 2012, trás praticamente a mesma abordagem com uma capa estampada por Eike Batista, agora bilionário. Apesar da capa tentar agradar a neo-classe-média-de-esquerda, a matéria é até interessante, tenta demonstrar que esse ranço nacional contra a geração de riquezas e essa tese de que ter dinheiro é feio é algo errado e temos que acabar com esses preconceitos.

“Veja” bem, eu considero a revista VEJA como a melhor do seu segmento, mas esses artigos que tomam o “outliers” como exemplo para todo mundo é sempre irritante. Segundo o que Malcolm Gladwell defende no seu livro “Outliers, The Story of Success”, o sucesso é um conjunto de situações e a combinação de fatores alheios ao talento pessoal.

Portanto não basta o seu QI elevado ou propensão a determinada ação, que chamamos de talento. Além disso tudo é importante “a regra das 10 mil horas”, estar no lugar certo, na época certa e em alguns países e lugares na casta ou etnia certa.

Eike Batista é o exemplo de Outlier. Filho de Eliezer Batista, por si só a melhor chave para abrir quaisquer portas, no próprio artigo da VEJA de 1995 é citado esse fato. Mesmo que Eike não reconheça e ache que seu sucesso foi por si só, esse fato é o mais importante.

Observe que ele se tornou um dos maiores bilionários do mundo a partir de 2002, coincidentemente na época que o Lula [PT] assumiu o poder e mudou a abordagem política dos governos de até então. Não estou insinuando que Eike tenha tido quaisquer favorecimentos ou informações privilegiadas por esse governo em questão, mas que ele estava na época certa para empreender no tipo de empreendimento que ele tem eficácia e praticou suas 10 mil horas – 16 anos desde aquela matéria onde um jovem de 38 tinha apenas míseros 200 milhões. Não é atoa que ele detém a primazia sobre inúmeros projetos governamentais, principalmente na área de energia.

A matéria de agora erra no mesmo motivo de outrora, toma a conseqüência como causa. Jovem milionário, formado na alemanha, o pai com influência em todos os segmentos e em todas as embaixadas ao redor do planeta, investimentos na especialidade que domina e branco em um país racista.

Viu como é fácil?

O próprio Eike publicou um livro de autobiografia como cita o artigo atual, mas nem ele deve entender como chegou aonde chegou e dificilmente terá algum conselho prático a alguém como eu. Essa matéria peca justamente por tentar transformar o Eike como modelo de qualquer empreendedor.

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